Domingo, Janeiro 25, 2009

Uma ode ao Fórum Social de Belém

Palavras de Ordem - Bernardo Kucinski
Palavras de ordem

Uma ode ao Fórum Social de Belém

O mundo é complicado
Nossa tarefa também

Julgar sem pré-julgar
Demarcar sem excluir
Incluir sem forçar
Somar, fazer bonito
O mundo é infinito

Combater a indiferença
Respeitar a diferença
e o diferente.
Respeitar

Defender a mata sem esquecer o homem
Cultivar a terra sem derrubar a mata
Cultivar o homem

Amparar sem esperar
Esperar sem se iludir
Não desesperar, agir
Não sucumbir
Perseverar

Convencer, conversar
Persuadir sem mentir
Não sofismar,
Argumentar

Gritar abaixo o imperialismo
Viva o povo palestino
Mas ao anti-semitismo dizer não

Aplaudir a bravura
Mas repudiar a bravata
Não usar gravata

Gritar a Amazônia é nossa
Viva o povo brasileiro
Viva a cesta básica e o Prouni
Viva o luz para todos
Em plena floresta amazônica

Gritar abaixo os banqueiros
Que seja a riqueza de todo o povo brasileiro
Abaixo os juros
E a especulação financeira
Fora com o Deus mercado e o Deus dinheiro

Sonhar mas não dormir
Cada amanhecer é um novo dia
O fim de um descanso
Cada pequeno passo um avanço

Conceituar sem preconceitos
Refinar pensamentos
Provocar sem agredir
Polemizar
De vez em quando aplaudir

Perguntar e saber ouvir
Não ouvir sem perguntar
Questionar,
Sempre
Sempre duvidar,
Não simplificar, complicar

Entender é o que interessa
Para poder avançar
Saber, conhecer, decifrar
Interpretar
O saber é infinito
O universo também

O mundo é complicado
Nossa tarefa também

Bernardo Kucinski, janeiro de 2009

Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

Para não esquecer: Israel e os seus derivados

(o sionismo levado à bala pelo exército israelense ceifa vidas no ventre da mãe palestina)

Israel e os seus derivados

By José Saramago

O processo de extorsão violenta dos direitos básicos do povo palestino e do seu território por parte de Israel tem prosseguido imparável perante a cumplicidade ou a indiferença da mal chamada comunidade internacional. O escritor israelita David Grossmann, cujas críticas, em todo o caso sempre cautelosas, ao governo do seu país têm vindo a subir de tom, escreveu num artigo publicado há algum tempo que Israel não conhece a compaixão. Já o sabíamos. Com a Tora como pano de fundo, ganha pleno significado aquela terrível e inesquecível imagem de um militar judeu partindo à martelada os ossos da mão a um jovem palestino capturado na primeira intifada por atirar pedras aos tanques israelitas. Menos mal que não a cortou. Nada nem ninguém, nem sequer organizações internacionais que teriam essa obrigação, como é o caso da ONU, conseguiram, até hoje, travar as acções mais do que repressivas, criminosas, dos sucessivos governos de Israel e das suas forças armadas contra o povo palestino. Visto o que se passou em Gaza, não parece que a situação tenda a melhorar. Pelo contrário. Enfrentados à heróica resistência palestina, os governos israelitas modificaram certas estratégias iniciais suas, passando a considerar que todos os meios podem e devem ser utilizados, mesmo os mais cruéis, mesmo os mais arbitrários, desde os assassinatos selectivos aos bombardeamentos indiscriminados, para dobrar e humilhar a já lendária coragem do povo palestino, que todos os dias vai juntando parcelas à interminável soma dos seus mortos e todos os dias os ressuscita na pronta resposta dos que continuam vivos.

Não deixe de assinar a PETIÇÃO para levar Israel aos tribunais internacionais. Punição ao genocídio na Palestina, já!

VEJA TAMBÉM: OLHE COM OLHOS DE VER, INDIGNE-SE E NÃO PERMITA QUE ISSO SE REPITA

Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

Clonado do Zappa que conseguiu fazer poesia na/da barbárie

para o povo palestino que deseja viver em sua terra e em paz

(arab cartoon, Jordânia, artista: Mahmoud Hindawi)


a exuberância
tem alguns lugares
e alguns estados:
ser livre
é um deles

assim
estar bem consigo mesmo
é um estado que não se encontra na terra onde se esquece
mas onde a liberdade aquece nossas esperanças

é mais que estar só diante de bilhões de galáxias
estar bem é ser livre

e, por muitas vezes
liberdade é ter um lugar
para chegar

quem nasce na palestina
não tem


(arab cartoon, Jordânia, artista: Mosa Cart)


o horror é a criação de privação e domínio
é o julgamento impiedoso de quem com o capital
priva o ser de ser livre
livre enquanto exercício de chegar e partir
sozinho e em companhia
seja como for
livre para beijar
seu território
corpo
e
sonho


fernando cisco zappa

(arab cartoon, Jordânia, artista: Hikmet Cerrah)

Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

Recordando e esclarecendo, pero no mucho

Um dos japas da Vilaboim, 28/12/2008


Na fotografia original estava a xará querida, mas ela não gosta de sair em fotos, então cortei. O autor da foto é também um querido e havia mais um amigo querido. Bem, deixemos todos os queridos no anonimato :-)

O porquê desta foto/postagem?

Ontem, um amigo curioso (e visual à beça) queria saber como ando fisicamente. Pronto, ando assim nos meus quarenta e poucos anos.

Também tava morrendo de saudades do meu anjinho corinthiano e organizando álbuns, decidi por esta na qual Marina está bem 'menino', como o autor da foto, torcedor do Santos e gozador, costuma brincar com ela.

Momento mulherzinha ou não? O estilo de Michelle Obama e questões do gênero

The First Lady's first dress

Ontem, como não poderia deixar de ser, tudo sobre o casal Obama foi comentado. Uma dada hora foi o vestido de Michelle Obama, especialmente, a cor do vestido que chocou as mais 'beges'.

No twitter eu comentava:

1) a estilista do vestido e casaco dourado é cubana (bom sinal);

2) o dourado, embora choque as mais 'beges' (o mania desta mulherada ocidental achar que chic é preto/branco/bege, que saco, que marasmo, que tédio! Lembrem-se: estéticas variam, dourado é Oxum na cabeça, deusa da beleza, e, embora Michelle não deva conscientemente saber disso, poderia dizer que é quase um atavismo cultural;

3) Querer que a first lady de ébano do império se vestisse simplezinha no dia da posse do "Black is beautiful, Yes, He can!" é esquecer como os afroestadunidenses fazem questão de demarcar sua identidade/pertencimento afro. Gentem! dourado é cor de realeza, por excelência, especialmente as africanas ;-)

Na provocação de hoje do Azenha, Fátima Oliveira escreveu:

Azenha, Michelle Obama, já sabemos, é uma mulher que sabe, gosta e pode andar bem vestida. E o seu prazer de se vestir bem pode ser a tábua de salvação, economicamente falando, da moda do seu país. O Estilo Michelle Obama tem tudo para "pegar" mundo afora.
Para mim a moda não é futilidade, encerra cultura, expressa um estado de espírito de quem a veste e é um setor importante da economia. Filha de uma costureira daquelas que era chamada de "modista", por ser uma "costureira fina", uma artista da costura, herdei o gosto por roupas bem feitas, com detalhes bem trabalhados, confortáveis e bonitas, num estilo "desleixo chic". Embora goste muuuito de vestir roupa nova, não sou daquelas que tem sempre de "estar na moda". Nada a ver. Além do que "Não sou fanática por moda, mas desenvolvi um olhar especial sobre ela. Jamais entendi roupa como futilidade. Interesso-me pelo aspecto arte e pela filosofia que cada uma encerra (da "modinha" à "alta costura"). A moda circunscreve espaços sócio-culturais ("o hábito faz o monge") e é um setor importante da economia de um país. A França que o diga!.
Concordo plenamente que a "moda fala". Reverencio estilistas de todas as tendências e os espaços de moda - vanguardistas, anti-moda, neo-hippie, hippie pop, punk - como expressões simbólicas de uma visão de mundo. Uma roupa expressa o estado de espírito de quem a veste, posto que ela diz como estamos no momento em que a usamos." (Fátima Oliveira, in Mundo fashion - O TEMPO, 22/11/08)
Falando de gênero e moda, ora pois e quando eu tiver tempo, volto para discutir a la Bell Hooks a questão do bendito cabelo. Por enquanto fiquem com um artiguinho sobre o estilo da nova first lady ébano estadunidense. Repare também aqui e aqui um pouco sobre o estilo de Michelle.

Michelle, uma primeira-dama de ouro

Mulher de Obama, famosa pela determinação, usa dourado na festa

Marcia Disitzer


Rio - Autêntica, guerreira, de pavio curto, franca, chique e simples. Muitos são os adjetivos usados para descrever a nova primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, 45 anos. Prova viva do sonho americano, Michelle, muito antes de se tornar primeira-dama, trilhou caminho árduo para construir uma carreira sólida como advogada.

Desde cedo, nadou contra a maré. Nasceu no sul de Chicago, num bairro negro e pobre. Estudou em colégio público e conseguiu entrar em duas conceituadas universidades americanas: Princeton, onde estudou Sociologia, e Harvard, na qual formou-se em Direito. E foi num famoso escritório de advocacia em Chicago que Michelle conheceu Obama e viu sua vida mudar.


O início do romance contou com breve resistência dela, que não queria misturar amor e trabalho. Mas Obama a encantou e a resistência foi vencida. O namoro vingou e virou casamento, que se concretizou em 1992. Michelle esteve ao lado de Obama desde o começo de sua trajetória política. A mãe de Sasha, 7, e Malia, 10, só fez duas exigências quando o marido se candidatou a presidente dos Estados Unidos: que ele visse as filhas uma vez por semana e parasse de fumar. Quando Obama foi eleito, fez questão de deixar claro que a educação das filhas continuaria a ser sua prioridade, se definindo como futura ‘primeira-mamãe’.

Para acompanhar o marido, Michelle, que pediu demissão do cargo de vice-presidente do Hospital Universitário de Chicago, disse em alto e bom som que, como a maioria das mulheres, não tem babá e não sobreviveria sem a ajuda valiosa da mãe. Ontem, deu provas de sua gentileza ao presentear Laura Bush com caneta e diário com capa de couro, para que Laura leve em frente a idéia de escrever suas memórias.

O estilo pé-no-chão de Michelle e a sabedoria tipicamente feminina de conciliar diversos papéis no atribulado cotidiano a aproxima da mulher contemporânea. E, como boa representante do século 21, ganhou também o direito de reclamar do marido: chegou a afirmar em entrevistas que Obama acorda com mau hálito, ronca, esquece a manteiga fora da geladeira e deixa as meias soquetes espalhadas por toda a casa. Podia ou não ser a nossa melhor amiga?


RENOVAÇÃO NA MODA AMERICANA

Se Barack é esperança de renovação política na Casa Branca, Michelle simboliza a retomada de poder do estilo engajado. Depois de Laura Bush, mulher de George W. Bush, que não deixou impressa nenhuma marca fashion, Michelle surge como a promessa de um novo tempo na moda americana e já foi até comparada à primeira-dama icônica Jackie Kennedy Onassis. Ontem, usou tubinho e casaco dourados de lã suíça e seda francesa e sapatos verdes, combinação que, para nós, tem espírito patriota.

Ao invés de escolher um estilista megaconhecido, homenageou uma designer de origem cubana, Isabel Toledo. Esta foi a segunda vez que Michelle usou uma roupa assinada por Isabel: a primeira foi em junho. Ontem, ela mandou, através de sua roupa, mensagens ao mundo. A primeira delas foi a escolha do dourado. Em meio a uma crise econômica, a cor, que simboliza ouro, riqueza e prosperidade, aponta para dias melhores e mais ensolarados.

Ao escolher uma estilista de origem cubana, a mulher do primeiro presidente negro dos Estados Unidos endossou sua opção pelas minorias. E avisa que chegou a hora da virada: os historicamente excluídos estão no poder. Que bom.


ISABEL TOLEDO COMEMORA

A cubana Isabel Toledo, 48 anos, atua há 25 na moda americana, mora em Nova Iorque e é casada com o artista plástico Ruben Toledo. Tem um ótimo currículo: estudou no Fashion Institute of Technology, na Parsons School of Design, e foi diretora criativa da grife Anne Klein antes de criar a grife que leva o seu nome. Sem saber até ontem que Michelle Obama usaria sua criação, ela comemorou. “É incrível, estamos muito felizes”, exclamou, contando que mulheres de várias origens — como chinesas, polonesas e espanholas —, trabalharam durante o Natal para aprontar o traje. Isabel tem motivos de sobra para celebrar: a carreira dela se divide em antes de Michelle Obama e depois da nova primeira-dama dos EUA.

O Dia Online

It's a New Day, Obama is here! and now...

O vídeo bacana, abaixo, é dica do meu novo amigo do twitter o Ian Balina, nascido em Kampala, Uganda, e estudante em Washington DC, na George Washington University. Ele faz uma coisa bem legal, clique aqui para conhecer.

Nesta postagem do blog do Ian tem a letra da canção. Belíssima, mas vejam o tamanho das expectativas diante de Obama. Mamamia, obamamania, é muita expectativa para um único homem.

Terça-feira, Janeiro 20, 2009

Humanismo, esta é a real tradição hebraica

Nota do PT condenando as ações genocidas de Israel em Gaza provoca reações externas e internas. Abaixo dois artigos respondem a esta reação e a meu ver vale conhecê-los.

Carta aos companheiros críticos da Nota do PT


Por Max Altman

Permitam-me uma digressão. Grande parte dos meus quase 72 anos dediquei ao exame e à militância ativa por uma paz justa e duradoura entre Israel e os países árabes. Os judeus progressistas e de esquerda saudaram a decisão das Nações Unidas em 1947 que resultou na Partilha da Palestina. Apoiaram vivamente as lutas pela Independência de Israel, em 1948, a um tempo que condenavam duramente o massacre terrorista de Deir Yassin perpetrado pelos grupos israelenses Irgun e Stern, bem como a tentativa das monarquias árabes de sufocar militarmente o nascente Estado. Deixaram de apoiar o governo de Israel quando no início dos anos 1950 resolveu atrelar sua política aos interesses geoestratégicos dos Estados Unidos na região. Anos mais tarde, em 1982, já como presidente da associação mantenedora da Escola Scholem Aleichem e dirigente da Casa do Povo, entidades judaicas progressistas, ajudei a organizar o ato público e pronunciei o discurso central de condenação à chacina de Sabra e Chatila de setembro de 1982. Durante a I Guerra do Líbano, uma milícia de libaneses cristãos, sob os auspícios do exército de Israel, massacrou milhares de refugiados palestinos, encurralados num campo de refugiados, homens, mulheres, crianças e velhos, sob os olhares complacentes dos generais. O recentíssimo e premiado filme israelense “Waltz with Bashir” narra essa atrocidade com acuidade meticulosa, sem omitir a participação de israelenses. A manifestação reuniu mais de duas mil pessoas. A reação de setores da direita da comunidade judaica foi jogar gasolina no meio-fio, atear fogo que correu ladeira abaixo queimando pneus de carros ali estacionados.


Em meados dos anos 1990, já membro do coletivo da Secretaria de Relações Internacionais, respeitando criteriosamente as teses defendidas pelo Partido a respeito, ajudamos a fundar, organizar e dirigir o Movimento Shalom Salam Paz que se constituiu em Ong em setembro de 2000. Esse movimento congregava brasileiros de ascendência judaica, sionistas e não sionistas, de esquerda e centro-esquerda, brasileiros de ascendência árabe, moderados e menos moderados, os de ascendência palestina e todos aqueles dispostos a lutar por uma paz justa e duradoura no Oriente Médio e em particular, entre Israel e os palestinos. Foi extremamente difícil conciliar as posições, houve pressão das Federações judaica e árabe e do consulado de Israel, porém conseguiu-se aprovar os pontos básicos: desocupação dos territórios palestinos ocupados com a Guerra de 1967; respeito à Resolução 242 das Nações Unidas com o reconhecimento pelos palestinos do Estado de Israel com fronteiras demarcadas, reconhecidas internacionalmente, seguras e definitivas; criação do Estado palestino, laico e viável; estabelecimento de Jerusalém leste e oeste como capital de ambas as nações; reconhecimento do direito de retorno dentro de limites a serem acordados; direito de acesso à água definidos em acordo binacional; facilidade do direito de ir e vir e do comércio binacional. Forças internacionais sob a égide da ONU garantiriam o cumprimento das decisões. O Shalom Salam Paz levou essas idéias a dezenas de faculdades e colégios, a diversas instituições, deu dezenas de entrevistas a jornais, rádios e televisões, participou de debates, esteve presente nos Fóruns Sociais Mundiais e foi fundamental na organização de um grande ato público na sede do Partido em plena campanha eleitoral de 2002, com a presença de lideranças das comunidades judaica, palestina e árabe, assim como artistas dessas comunidades.
Uma diabólica espiral de sangue e dor, com raros interregnos, tomou conta da região nos últimos 60 anos. Guerras convencionais, ações terroristas e retaliações terroristas sem fim e com teor cada vez mais cruel e aterrador atingindo pessoas inocentes, governos árabes massacrando palestinos, assassinato de Rabin, negociações de paz torpedeadas ao sabor de interesses estratégicos e de poder, massacre de Munique e chacina de Jenin, intifada um e dois, quando ainda não existiam os foguetes Qassam e as armas eram pedras, homens-bombas explodindo seus corpos em restaurantes, tréguas e cessar-fogos violados a qualquer pretexto.

Esse é o quadro. E qual é a causa? Desde 1948, os palestinos estão condenados a viver submetidos a uma revoltante humilhação. Perderam suas terras, perderam a liberdade e nunca puderam formar e organizar seu Estado. Hoje o cerco se estreitou e se tornou cruel. Sem permissão, não têm acesso à água, a alimentos, a medicamentos. Não têm empregos nem vida econômica normal. Não podem ir de Gaza à Cisjordânia, seus dois pedaços de terra. Não lhes permitem circular extramuros sem passar por vexaminosos controles. Gaza se transformou numa prisão quando seus habitantes votaram em quem seus vizinhos acharam que não deveriam ter votado.

A Palestina hoje é muito menor que a que sobrou da Guerra dos Seis Dias. Colônias são assentadas em suas terras e atrás vêm os soldados corrigindo a fronteira. Se há resistência, apela-se para a legítima defesa. Se os assentamentos não são suficientes, que se erga um muro comendo mais pedaços de terra. Se olharmos comparativamente os mapas vemos que pouca Palestina restou.
Israel não costuma cumprir as resoluções das Nações Unidas e conta para isso com o respaldo dos Estados Unidos. Não acata as sentenças dos tribunais internacionais e viola com freqüência a Convenção de Genebra que regula atos de guerra. Israel é uma potência militar, suas forças armadas são bem treinadas e dispõem de armamentos modernos e sofisticados, capazes de manter a incolumidade do país. Mas não podem estar a serviço dos sucessivos governos israelenses que adotaram a estratégia belicista para impor à região seus objetivos políticos. Sabemos que a atual composição do eleitorado israelense levará ao governo líderes que abraçam a solução bélica. Se de um lado, moralmente, não pode um povo que ao longo da história sofreu o que sofreu impor a outro povo sofrimentos que teve de sofrer, de outro, só a pressão dos povos e da comunidade internacional poderá levar as partes a uma séria mesa de negociações. Geograficamente – e isto é ineludível – Israel é território do Oriente Médio, tendo como vizinhos em todas as direções países árabes. Não é possível sentar-se o tempo todo sobre a ponta da baioneta, ao preço de transformar a nação numa simples fortaleza. Inexoravelmente, vai ter de conviver no futuro, e pacificamente, com seus vizinhos.

Contudo, a comunidade internacional deve abandonar os discursos vazios, as declarações ardilosas, a indiferença, as manifestações altissonantes, comportamentos ambíguos que servem de amparo à impunidade. Que os países árabes deixem de lavar as mãos. Que países europeus, que durante séculos costumavam praticar a caça aos judeus e há décadas passaram a cobrar essa dívida histórica dos palestinos, ponham de lado a hipocrisia de derramar umas tantas lágrimas enquanto celebram secretamente outro lance de mestre. E que os Estados Unidos, sob nova direção, deixem a parcialidade e ajudem a construir a paz justa entre Israel e palestinos, que seguramente servirá para estendê-la a outros rincões.

O Partido dos Trabalhadores historicamente defendeu a coexistência pacífica dos povos, mas jamais a coexistência pacífica entre opressor e oprimido, entre ocupante e ocupado. Esteve ao lado dos timorenses contra o ocupante indonésio, ao lado do povo negro da África do Sul contra os opressores do Apartheid. E estaria ao lado da resistência argelina contra o ocupante colonial francês se àquela época existisse.

O PT quis manifestar toda a sua indignação contra os ataques do exército de Israel, que se reivindica capaz de operações cirúrgicas, contra alvos civis, escolas e hospitais que ostentavam bandeiras da ONU, provocando terríveis mortes de crianças, mulheres e anciãos inocentes. E ressaltou, para por em evidência a crueldade da injustificável ação, que ataques em retaliação contra civis era prática do exército nazista. O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe divisar bem o objetivo. As vítimas civis são chamadas de danos colaterais. Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são de crianças. Não há guerra agressiva que o agressor não diga ser guerra defensiva. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse todo o Oriente Médio.

Por que pretender que numa nota sobre acontecimento gravíssimo e pontual, o PT deva abrandar a condenação para repisar sua histórica condenação ao terrorismo e a defesa da existência de Israel dentro de fronteiras seguras e reconhecidas? Lembro-me que durante a campanha presidencial de 2002, Lula seria recebido pela comunidade islâmica numa multitudinária concentração num restaurante de São Bernardo. Tivemos oportunidade de antes trocar idéias com Lula. Naqueles dias tinham ocorrido atos de terrorismo e retaliações terroristas. Em seu discurso, Lula reafirmou seu apoio à causa palestina, à constituição de um Estado viável, laico e reconhecido ao mesmo tempo em que ratificou a condenação ao terrorismo e a defesa da existência do Estado de Israel. E o mesmo fez, semanas depois, numa concentração no clube A Hebraica.
Não é preciso insistir com os companheiros firmantes da carta ao presidente Berzoini, alguns com altas posições dentro do governo, outros no exercício de sua militância, que o governo lida com questões de Estado e o partido opera no plano programático, político e ideológico. Nem por isso, Lula evitou tratar o ataque a Gaza como “chacina”, o assessor especial Marco Aurélio Garcia como “terrorismo de Estado” e o ministro Amorim como “agressão injustificável”.
O Partido dos Trabalhadores tem relações de camaradagem com partidos e organizações de esquerda, de centro-esquerda e progressistas de todo o mundo, inclusive de Israel. As pontes que deseja construir e manter devem ser alicerçadas em princípios comuns, de soberania, de autodeterminação dos povos, de relações fraternais entre povos e nações, de solução pacífica e justa para os confrontos internacionais. Dizer a verdade em momentos cruciais, manifestar indignação quando princípios fundamentais são violados, ajuda a construir entendimento. A dissimulação jamais contribui para uma concertação sólida.

Sem surpresa leio que os principais porta-vozes da direitona em nosso país, opositores raivosos do governo Lula e do nosso partido, defendem pontos de vista opostos ao expresso na Nota do PT e brandem em seu apoio a carta ao companheiro Berzoini. Com surpresa recebi mensagem eletrônica de um representante da organização sionista Bnei Brit, em resposta a observações que fiz ao BBPress, que, à parte, conclui com o seguinte: “No anexo para assinatura e posterior envio para a Clara Ant do Documento de desacordo de Militantes do PT à nota do Partido.”

Tomei conhecimento da Carta ao presidente nacional do PT pela Folha de sábado, 17 de janeiro. Cruel ironia, bem ao lado, estava estampada uma matéria que relatava o desespero do médico palestino que trabalhou num hospital de Israel, Deen Aboul Aish, cujas três filhas foram mortas por disparo de um tanque israelense: “Minhas meninas estavam sentadas em casa planejando seu futuro e, de repente, foram bombardeadas”, disse em hebraico o ginecologista. O Exército disse que a casa de Aish foi atingida porque um franco-atirador disparou do local. Aos prantos, respondeu: “Tudo o que foi disparado de minha casa foi amor, abraços e atos de paz.”

Max Altman é do coletivo da Secretaria de Relações Internacionais do PT

Fonte: PT.org


20/01/2009 - 13:24
Calma, companheiros

por Mohamed Habib

É bom ter sempre vivo na memória os registros daquilo que se passa em nossas vidas. Lembro–me muito bem da reunião do DN do nosso PT, por ocasião da campanha Lula Presidente para o primeiro mandato, em 2002, quando o partido precisava se posicionar em relação ao conflito palestino israelense no seu programa de governo. Dois intelectuais petistas, cada um representando um dos dois lados envolvidos no conflito, foram convidados para debater a questão naquela reunião, criando, assim, as condições propícias para o DN definir a posição partidária. Na mesma reunião haviam convidados não petistas ocupando as primeiras fileiras do auditório, representando a comunidade e as instituições judaicas brasileiras. Não havia convidados representando as comunidades árabes.
Os intelectuais petistas convidados para o debate foram: o Prof. Dr. Paul Singer (Titular da USP) e eu assinante deste artigo (Titular da UNICAMP). Fui o primeiro a expor a minha posição, na qual, resumidamente, e sem relatar o histórico do conflito, terminei dizendo: “Sou totalmente favorável e defensor de que cada criança israelense tenha o direito de nascer e crescer numa pátria livre, autônoma e independente, vivendo em paz e harmonia dentro de seu país, o qual deve ser respeitado e harmonicamente relacionado com os seus vizinhos. E, com a mesma ênfase, sou totalmente favorável e defensor de que todas as crianças palestinas tenham o direito de nascer e crescer numa pátria livre, autônoma e independente, vivendo em paz e harmonia dentro de seu país, o qual deve ser respeitado e harmonicamente relacionado com os seus vizinhos. Assim sendo, defendo a criação de dois estados vizinhos, um israelense e outro palestino, através de um processo coordenado e monitorado pelos organismos internacionais”.

O meu colega na academia e companheiro no partido, Prof. Paul Singer, declarou a sua total concordância com a minha posição acima escrita e recomendou que essa deveria ser a posição do partido, o que de fato aconteceu. O partido assumiu essa posição no seu plano de governo.

Posso até entender que o nosso governo petista possa flexibilizar posições de programas e até contrariar outras posições como, por exemplo, no caso dos transgênicos, que no programa somos contra, porém, os companheiros do governo, através de medidas provisórias e com os votos dos aliados da base de apoio do governo no Congresso, aprovaram em definitivo o cultivo e a comercialização desses produtos, cedendo às pressões das multinacionais e de seus lobistas. Entretanto, como partido, a mudança programática nunca deve acontecer, e a militância deve continuar preservando os princípios do partido, quando se tratar da defesa da dignidade humana, da democracia e do respeito aos direitos humanos. Senão, seremos apenas uma legenda de aluguel, para não chamar de outra coisa.

No período de mais de seis anos do governo Lula, assistimos a freqüentes conflitos de pequenas dimensões entre israelenses e árabes. No entanto, dois foram dramáticos. Em julho de 2006, o sul do Líbano foi invadido pelo exército israelense. Foram mais de mil mortos, a maioria civis, crianças, mulheres e velhos. Os refugiados que abandonaram as suas cidades, ultrapassaram um milhão de pessoas. Israel destruiu totalmente a infra-estrutura do sul do Líbano, como pontes, estradas, estações geradoras de energia, outras de tratamento de água, reservatórios de petróleo, escolas, hospitais e centenas de prédios residenciais. O cessar fogo chegou 33 dias após a invasão, através da Resolução do Conselho de Segurança da ONU (número 1701), porém a desocupação concretizou-se 45 dias após a Resolução. Israel não foi punido, como sempre, e sequer pagou um centavo de indenização. É a lei do mais poderoso.

O segundo conflito é o atual massacre que os palestinos da faixa de Gaza sofrem desde o dia 27/12/2008. Hoje, e após 23 dias, Israel perdeu 13 soldados e 3 civis; Gaza, por outro lado, perdeu mais de 1250 palestinos, além de mais de 5500 feridos. É a política da terra arrasada: milhares de prédios totalmente destruídos, abastecimento de água e de energia cortados e todas as entradas bloqueadas. Escolas, hospitais e até instalações da ONU foram impiedosamente bombardeadas. A superioridade militar de Israel foi empregada visando aniquilar a população de Gaza. Trata-se de um verdadeiro genocídio. Israel decidiu pelo cessar fogo unilateral. Porém, continua ocupando com os seus tanques e soldados toda a cidade e todos os povoados de Gaza, prontos para voltar a massacrar a população civil, incluindo as crianças, caso os grupos de resistência à ocupação tentarem revidar a invasão, num total desrespeito à dignidade e à inteligência humana.

Pergunta-se: por que tudo isso? A resposta de Theodor Herzl, o pai intelectual do sionismo, está no seu livro “O ESTADO JUDEU”, publicado em 1896. Pode-se, também, perguntar à Organização Sionista Mundial (OSM), criada em 1897, que decidiu com enorme precisão pela criação de um estado judeu na Palestina no prazo de 50 anos. Que precisão! Mas que precisão? A Resolução 181 da ONU, de 29 / 11/ 1947, concedendo 53% da Palestina à comunidade judaica para a criação do Estado de Israel, enquanto o restante (47%) seria suficiente para os palestinos, foi aprovada, exatamente, 50 anos após. Foram 33 votos favoráveis, 30 contra e 3 abstenções. A Palestina na época contava com 30% judeus, a maioria absoluta de imigrantes recém chegados, e 70% de nativos palestinos.

Outros acontecimentos históricos devem ser resgatados para que os nossos companheiros possam analisar o quanto foram precipitados ao criticar a nota do partido. Ano de 1917, em que o Ministro do Exterior da Inglaterra, Artur Balfour, em apoio à comunidade judaica, conseguiu aprovar no Congresso britânico a sua proposta de apoiar o projeto sionista de criação de um estado judeu na Palestina. A manifestação ganhou, desde então, o rótulo de “Declaração Balfour”.

Uma outra data é 1922, quando a Liga das Nações aprovou o “mandato britânico na Palestina”, nome pomposo e um eufemismo para uma ocupação militar daquele país. E os britânicos anunciaram que sairiam da Palestina no prazo de duas décadas; até lá os palestinos estariam em boas condições para, autonomamente, governar o seu país. Mesmo sob a ocupação britânica, milhares e milhares de palestinos eram massacrados e outros expulsos das suas cidades e aldeias. Os registros históricos dos anos 1930 e 1940 sobre a ação do governo britânico e a formação de campos de refugiados no sul do Líbano, na Jordânia e na Faixa de Gaza, falam por si. Os grupos armados Irgun, Haganah e Stern Gangs, tanto quanto a Agência Judaica por Israel (AJI), foram considerados pelo governo britânico, no dia 24 de julho de 1946, como organizações terroristas, devido aos massacres e à expulsão de palestinos de seus lares, cidades e lavouras.

Os nossos companheiros precisam lembrar que a ocupação militar inglesa durou até 14 de maio 1948, um dia antes da proclamação do estado de Israel, para que logo em seguida começasse o plano governamental israelense de limpeza étnica e total eliminação do povo palestino, ou pela expulsão ou pelo extermínio. Tanto a direita quanto à esquerda israelense concordam com isto. A diferença entre eles está nas dimensões do Estado judeu. Enquanto a esquerda se contenta com a Palestina, a direita quer um país maior, cobrindo a área entre os rios Nilo e Eufrates.

Desde 1967 até hoje, a área sobre a qual o estado israelense está instalado equivale a 78% da original Palestina. E, ainda desde a mesma data, o restante (22%), onde, hoje, vivem os palestinos, é ocupado militarmente pelo exército israelense, e os massacres nunca pararam. Esses territórios palestinos são chamados pela ONU de “territórios palestinos ocupados”. O pior é que essa porcentagem de 22%, onde os palestinos “vivem” é dividida em duas áreas totalmente isoladas uma da outra, sem nenhum contato. O palestino não tem o direito de se deslocar de uma área para outra para visitar os seus familiares. Ainda mais: cada uma dessas duas áreas recebeu dezenas de assentamentos e colônias, que pela “lei” israelense se tornam territórios israelenses, com estradas que se interligam e que são, também, considerados territórios israelenses, onde o palestino não pode pisar e muito menos atravessar. Resultado: o povo palestino está totalmente fragmentado, sem infra-estrutura mínima, sem exército e sem autonomia; enfim, uma nação em que a vida de seus habitantes não vale mais nada. Mas como a dignidade ainda não foi atingida. Essa vida, que não vale mais nada, começa a ser usada nos momentos de desespero até mesmo como veículo explosivo contra alvos israelenses.
Ao longo das décadas, a tática é a mesma: efetuar, periodicamente, uma grande ofensiva; o mundo assusta-se, mas esquece de discutir o conflito desde o seu início e tenta resolver apenas essa nova situação. Israel abre mão de uma parte do território conquistado na ofensiva, e, injustamente, conquista outro. Hoje está acontecendo a mesma coisa.

Israel também firma acordos bilaterais com governantes árabes. A cláusula principal determina o não envolvimento destes em qualquer conflito entre Israel e os palestinos. É isto que deixa o Egito, além de vários outros países, com as mãos amarradas, sem poder fazer absolutamente nada diante de cada operação de massacre que os palestinos sofram. Uma situação parecida acontece em outras regiões do mundo, inclusive aqui, na América do Sul. São as assinaturas de acordos contra terrorismo, racismo e anti-semitismo. Se alguém criticar, a posteriori, qualquer agressão israelense contra palestinos, é imediatamente taxado de anti-semita. Intelectuais judeus e árabes que se opõem à política israelense são taxados de anti-semitas, como por exemplo, Robert Fisk, Noam Chomsky, Ilan Pappe, Eduard Said e muitos vários outros.

Estamos falando de dois povos: um invadido e ocupado militarmente pelo outro. Um tem o 4º exército mais forte e mais equipado do planeta. O outro nem exército tem. Um tem armas nucleares, aviões F-16, tanques e helicópteros militares de última geração. O outro sequer granada manual pode ter. Um usa armas, inclusive químicas proibidas pela lei internacional, o outro usa foguetes artesanais fabricados nos seus quintais de casas. Os grupos populares palestinos de resistência à ocupação estão sendo chamados pelo governo sionista, lamentavelmente, de terroristas. Parece-me que o estado israelense quer convencer o mundo de que os palestinos não podem ter o direito de se defender da violência e da barbárie, e sim a obrigação de morrer em silêncio. Aliás, sob o som dos bombardeios e dos mísseis israelenses, porém sem reclamar.

É mais um crime de guerra que o estado sionista vem cometendo para manchar, cada vez mais, a sua história e levar qualquer cidadão comum a perguntar: é possível que um povo que sofreu com o Holocausto nazista da Alemanha permita que os seus governantes cometam crimes semelhantes contra crianças e civis indefesos de um outro povo?

Faço uso das palavras do companheiro Valter Pomar, por ocasião da sua resposta aos 36 companheiros que criticaram a nota do partido, dizendo: “A nota do PT limita-se a apontar um fato: o exército nazista ficou conhecido por retaliar civis. E matar civis, mesmo numa guerra, não pode ser considerado algo "banal". Quem "banaliza" a violência é quem aprova, silencia, ou tergiversa sobre o que se passa em Gaza.”.

Manifestantes carregam charge do brasileiro Laruff em protesto contra a ofensiva israelense em Gaza. Lahore, Paquistão, 20 Jan de 2009.

Mais uma página da história da humanidade está sendo escrita, hoje com o sangue palestino. Os nossos 36 companheiros petistas, independentemente dos motivos que os levaram a criticar a nota do partido, precisam lembrar de que, hoje, é muito difícil ocultar os crimes que estão sendo cometidos pelo estado de Israel, e que a sociedade civil, inclusive a brasileira, está acompanhando o nosso comportamento, sejamos parlamentares, governistas ou mesmo assessores. E, sempre, um amanhã se tornará um hoje.

Mohamed Habib é militante do PT e professor da Unicamp

Fonte PT.org

Latuff no El Mundo

ISRAEL-FRANJA DE GAZA | Las viñetas como arma

Conflicto ilustrado

Shlomo Cohen acusa a Hamas de usar niños y Carlos Latuff compara la muerte de palestinos con el Holocausto.

Shlomo Cohen acusa a Hamas de usar niños y Carlos Latuff

compara la muerte de palestinos con el Holocausto.

Decía Hermann Hesse que cuando odias a una persona, odias algo de ella que forma parte de ti mismo ya que lo que no está en nosotros no nos molesta. El conflicto entre israelíes y palestinos es más complicado. Los tópicos han ido arraigando en cada uno de los bandos.

'Sueño de Olmert', de C. Latuff.

'Sueño de Olmert', de C. Latuff.

Las idiosincrasias atribuidas a los otros están llenas de aversión o, cuando menos, desprecio e inquina. Los interesados en que la guerra no pare se aprovechan. Los ilustradores son un espejo de esta realidad.

En foros pro palestinos ha circulado en las últimas semanas un correo electrónico en el que el ilustrador brasileño Carlos Latuff anima a que sus dibujos se distribuyan, se impriman en camisetas o pancartas para "exponer los crímenes de guerra de Israel contra los palestinos".

Se trata de, entre otros, aviones israelíes que dejan caer misiles sobre carritos de bebés; una piscina llena de la sangre de Gaza y con bañistas representando a Israel, EEUU y las Naciones Unidas; o montañas de cadáveres que recuerdan las imágenes del Holocausto nazi.

Carlos Latuff.

Carlos Latuff.

Latuff, que dice no ser religioso, viajó a Cisjordania en 1999. "Hablé con israelíes en un puesto de tiro en Jerusalén, me dijeron que estaban entrenando para matar árabes. Estuve en la comunidad judía de Hebrón, conversé con colonos y conocí a un joven de Florida (EEUU) quien me explicó cómo sin duda alguna el Mesías iba a 'barrer' a los árabes de la 'Tierra Prometida'. También allí me presentaron a la familia del señor Adris, un palestino que me mostró sus dientes rotos a manos de soldados israelíes, y a su hija, de ocho años, y que tenía cicatrices de quemaduras producidas por cócteles incendiarios tirados por colonos judíos".

Fue un momento decisivo para él. Según explicó a elmundo.es, prometió a Adris que a su vuelta a Brasil pondría su arte en favor del pueblo palestino, promoviendo su lucha y denunciando los crímenes de Israel.

En 2006, tras la polémica suscitada por las conocidas caricaturas de Mahoma, ganó el segundo premio de un concurso organizado en Irán sobre caricaturas del Holocausto, con un dibujo que compara el muro construido por Israel en Cisjordania con campos de concentración nazis.

Sobre el Holocausto. C. Latuff

Sobre el Holocausto. C. Latuff

"No tengo interés alguno en atacar la fe judía ni la islámica. El concurso iraní sirvió para probar la hipocresía occidental. Los periódicos europeos, usando el argumento de la libertad de expresión, reprodujeron la imagen de Mahoma con una bomba en el turbante, pero esos mismos diarios se negaron a publicar los dibujos del concurso sobre el Holocausto".

Latuff es pesimista: "Aunque se pongan fin a las recientes acciones militares, la ocupación de los territorios palestinos por Israel va a continuar. Seguro que tendremos más masacres entre la población civil palestina, con el apoyo de EEUU y el silencio de las naciones árabes".

Los israelíes se quejan de manipulación en los medios

Mientras, muchos ven la historia desde otro prisma. Son los ilustradores israelíes. Todos aquellos con los que ha conversado elmundo.es, sin excepción, han subrayado su gratitud por buscar también su opinión.

Acusa a Hamas de usar a niños como defensa.

Acusa a Hamas de usar a niños como defensa.

"Gracias por tratar de ver nuestros complicados asuntos de una manera equilibrada. Mientras todos nosotros en Israel rezamos por la paz, la prensa mundial, y en especial la europea, tiende a ignorar nuestro esfuerzo por poner fin al conflicto de un modo pacífico, así como el sufrimiento de los israelíes que viven en el sur del país, bajo los cohetes durante los últimos ocho años", afirmaba la dibujante Galia Lerech.

Mysh, ilustrador y director de animación y de varias series en la televisión israelí, que dice no ser un israelí ultrapatriota que acusa totalmente a Hamas, aseguraba que "en las dos partes hay gente que gana y se aprovecha de esa violencia y, aunque no tengo ninguna simpatía por Hamas, estoy profundamente molesto con el modo fascista con que el Parlamento israelí trató su victoria electoral". Para él, ambos están dentro de un círculo sadomasoquista de absurda violencia.

Uno de los ilustradores israelíes más conocidos fuera del país, Yaakov Kirschen, alias 'Drybones', es de los más críticos con los palestinos y Hamas, al que acusa de usar a los niños como su "muro de defensa".

También denuncia que la "mano iraní" en la "actual guerra de Gaza" está siendo ignorada por los medios occidentales que cubren el conflicto. "Las marionetas de Irán en Gaza (Hamas) y las marionetas de Irán en el Líbano (Hizbulá) amenazan, no sólo al Estado judío, si no también a tres países musulmanes suníes que hacen frontera con Israel" (Egipto, Líbano y Jordania), afirma Drybones.

Hamas y palestinos, como marionetas de Irán. S. Cohen.

Hamas y palestinos, como marionetas de Irán. S. Cohen.

Otro de los grandes iconos de la sátira israelí, Shlomo Cohen, que publica en 'Israel Today', que también insiste en la idea del uso por parte de Hamas de los niños como escudo, acusa a Israel de ser demasiado permisivo.

En una de sus viñetas aparecen un miembro de Hamas acosando a un israelí que está a punto de caer por un precipicio; "Le reto a que cruce esta línea... y esta línea... y esta línea", dice el judía mientras se acerca al abismo.

Fonte: El Mundo

Tópico relacionado: Latuff explica porque há 9 anos se dedica à causa palestina

Segunda-feira, Janeiro 19, 2009

Rodrigo Vianna e Villaverde duas visões

ISRAEL MASSACRA E PERDE POLITICAMENTE;
CHAMAR JUDEU DE "NAZISTA" É DESRESPEITO
Rodrigo Vianna

"O massacre de Gaza foi um ataque de "oportunidade". Israel estabeleceu uma situação de fato para o novo governo dos EUA. Obama é visto como homem menos propenso a apoiar Israel unilateralmente. Por isso, os israelenses precisavam criar uma situação mais favorável. Se tiverem que ceder agora, será baseado na nova situação de campo. Ninguém, agora, vai discutir se Jerusalém Oriental deve ser a capital de um novo Estado palestino, ou se os refugiados palestinos devem voltar. Obama e os negociadores vão passar meses (ou anos) negociando os termos para que os soldados israelenses saiam de Gaza, e para que a autoridade (legítima,diga-se) do Hamas se recomponha.

Israel, calculam seus generais e políticos, ganha assim fôlego na mesa de negociação.

Israel pode dizer que, militarmente, ganhou a "guerra". Mas, politicamente, sofreu uma derrota acachapante.

Gaza está para a imagem dos israelenses como o governo Bush está para a imagem dos EUA no mundo. "

Para ler o restante do texto, visite o blog de Rodrigo Vianna



TODOS PERDERAM, TODOS GANHARAM

(João Villaverde)


(...)
A direita israelense sai fortalecida para as eleições internas de fevereiro. Embora a oposição política tenha se posicionado contrária a guerra desde o início, ganhando simpatizantes ao redor do mundo, a direita - que atualmente está no poder - saí muito mais forte, com a "defesa da soberania nacional" e os "brios do povo israelense" em alta.

Como se previra, Israel se diz vitorioso por ter esmagado o Hamas, que ele não reconhece como partido político. O Hamas se diz vitorioso por ter resistido aos ataques de um dos maiores exércitos do mundo, que ele não reconhece como Estado. A União Européia se diz vitoriosa por ter conseguido convencer os líderes de Israel a cessar-fogo. Os Estados Unidos se dizem vitoriosos por seguirem o discurso de Israel, que não reconhece o Hamas. Obama agradece, claro.

Mas as coisas estão ainda piores. As massas ainda mais fundamentalistas, os israelenses racistas, os americanos adesistas, a ONU inutilizada, os pacifistas ridicularizados e o mundo ainda mais entorpecido pelas falta de reação frente ao extermínio criminoso de crianças, mulheres, homens, de todo um povo, que continua expulso de um território.

2009 começa e a Palestina continua ocupada.

Para ler o restante do texto, visite o blog de aqui.

CAMPANHA, VAMOS LEVAR OS SIONISTAS AOS TRIBUNAIS INTERNACIONAIS

CAMPANHAS
Assine AQUI


Israel deve ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional - Petição universal


Por volta de 300 ONG e associações solicitarão que o Fiscal do Tribunal Penal Internacional investigue os crimes de guerra cometidos por Israel em Gaza. O apoio da cidadania é indispensável. Pede-se para assinar e difundir esta «petição universal». É urgente.



Ao Fiscal do Tribunal Penal Internacional (TPI)

O Direito é a marca da civilização humana. Cada progresso da humanidade coincidiu com a consolidação do Direito. O desafio que nos impõe a agressão de Israel contra Gaza consiste em afirmar, no meio do sofrimento, que à violência deve responder a justiça.

Crimes de guerra? Apenas os tribunais os podem condenar. Mas todos devemos dar testemunho, pois o ser humano só existe na sua relação com os outros. As circunstâncias dão toda a sua dimensão ao artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos:
«Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados como estão de razão e consciência, devem agir uns para os outros em espírito de fraternidades».

A proteção dos povos, não a dos Estados, é a razão de ser do Tribunal Penal Internacional. Um povo sem Estado é o mais indefeso de todos e, ante a História, encontra-se situado sob a proteção das instâncias internacionais. O povo mais vulnerável deve ser o mais protegido. Ao assassinar a população civil palestinina, os carros de combate israelitas fazem sangrar a humanidade. Lutamos para que o poder do Fiscal geral esteja ao serviço de todas as vítimas e esta competência deve permitir que o mundo inteiro receba uma mensagem de esperança, a da construção de um Direito Internacional baseado no direito das pessoas. E, juntos, um dia poderemos prestar homenagem ao povo palestino por tudo aquilo com que contribuiu para a defesa das liberdades humanas.


Campanha iniciada em 19/01/2008

Surrupiado do Azenha, eu não sei se rio ou choro

Minha perguntas são:
O que é a Educação Básica nos EUA? O que ela produz?
Quanto tempo esse povo fica em frente a tv e não assiste um único programa informativo?
Quanto tempo fica no shopping?
Como é que esse povo conseguiu se tornar o maior império da contemporaneidade?
Ah! Claro este post está relacionado ao anterior, afinal creio que entre os participantes dessa enquete Bush tinha muitos eleitores.


Domingo, Janeiro 18, 2009

Esta é a verdadeira anta que um certo Diogo poderia ter cassado

Ah! mas um certo Diogo aprovou todas as ações do Bush, não é mesmo?

Cada uma que a gente tem de engolir... e ainda há esses energúmenos na imprensa que criticam o modo coloquial como o presidente Lula se expressa, aliás como se na imprensa brasileira pudéssemos ler o português mais casto do mundo lusófono...


O artigo foi extraído da BBC-Brasil e a charge é do Latuff

Confira lista de 'bushismos' ditos nos últimos oito anos
Bush
Bush ficou célebre pelas gafes e bobagens que falou

Todos os políticos cometem gafes e falam coisas sem pensar. Mas o presidente americano, George W. Bush, conseguiu tornar-se notório por isso.

Os americanos até cunharam o termo "Bushismo" para classificar os lapsos verbais que se tornaram comuns nos últimos oito anos.

Confira abaixo alguns dos "Bushismos" que se tornaram célebres.

Sobre si mesmo

"Eles me mal-subestimaram."
(Bush inventou a palavra 'misunderestimated')
Bentonville, Arkansas, 6 de novembro de 2000

"Não há dúvida de que no minuto em que eu fui eleito, as nuvens de tempestade no horizonte estavam chegando quase diretamente sobre nós."
Washington, 11 de maio de 2001

"Eu quero agradecer ao meu amigo, o senador Bill Frist, por se juntar a nós hoje. Ele se casou com uma menina do Texas, eu quero que vocês saibam. Karyn está conosco. Uma menina do Oeste do Texas, exatamente como eu."
Nashville, Tennessee, 27 de maio de 2004

Sobre política externa

"Há um século e meio, os Estados Unidos e o Japão formam uma das maiores e mais duradouras alianças dos tempos modernos."
(Bush se esquecendo da Segunda Guerra Mundial)
Tóquio, 18 de fevereiro de 2002

"A guerra contra o terror envolve Saddam Hussein por causa da natureza de Saddam Hussein, da história de Saddam Hussein, e a sua determinação de aterrorizar a si mesmo."
Grand Rapids, Michigan, 29 de janeiro de 2003

"Eu acho que a guerra é um lugar perigoso."
Washington, 7 de maio de 2003

"O embaixador e o general estavam me relatando sobre a – a grande maioria dos iraquianos querem viver em um mundo pacífico e livre. E nós vamos achar essas pessoas e levá-las à Justiça."
Washington, 27 de outubro de 2003

"Sociedades livres são sociedades cheias de esperança. E sociedades livres serão aliadas contra os poucos odiosos que não têm consciência, que matam ao gosto de um chapéu."
Washington, 17 de setembro de 2004

"Você sabe, uma das partes mais difíceis do meu trabalho é conectar o Iraque à guerra ao terrorismo."
Washington, 6 de setembro de 2006

Sobre educação

"Ler é básico para todo o aprendizado."
Reston, Virginia, 28 de março de 2000

"Como governador do Texas, eu estabeleci altos padrões para as nossas escolas públicas, e eu cumpri esses padrões."
Entrevista à CNN, 30 de agosto de 2000

"Você ensina uma criança a ler, e ele ou ela ('he or her' em inglês, em vez do correto: 'he or she') vai conseguir passar em um teste de escrita."
Townsend, Tennessee, 21 de fevereiro de 2001

Sobre economia

"Eu entendo o crescimento dos negócios pequenos. Eu fui um."
Entrevista ao New York Daily News, 19 de fevereiro de 2000

"É claramente um orçamento. Tem muitos números nele."
Entrevista à agência de notícias Reuters, 5 de maio de 2000

"Eu continuo confiante em Linda. Ela será uma ótima secretária de Trabalho. Do que eu li na imprensa, ela é perfeitamente qualificada."
Austin, Texas, 8 de janeiro de 2001

"Primeiro, deixe-me esclarecer bem, pessoas pobres não são necessariamente assassinos. Só porque você não é rico, não significa que você está disposta a matar."
Washington, 19 de maio de 2003

Sobre saúde

"Eu não acho que nós devamos ser sublimináveis sobre a diferença entre nossos pontos de vista sobre remédios que exigem prescrição."
(Bush inventou a palavra 'subliminable')
Orlando, Flórida, 12 de setembro de 2000

"Doutores demais estão deixando o negócio. Muitos obstetras e ginecologistas não estão podendo praticar o seu amor às mulheres pelo país."
Poplar Bluff, Missouri, 6 de setembro de 2004

Sobre tecnologia

"Seria um erro para o Senado americano permitir que qualquer tipo de clonagem humana saísse daquela sala."
Washington, 10 de abril de 2002

"A informação está em movimento. Você sabe, o noticiário da noite é uma forma, é claro, mas também está se movimentando pela blogosfera e através das internets."
Washington, 2 de maio de 2007

Sobre governar

"Eu tenho uma visão diferente de liderança. Uma liderança é alguém que consegue unir as pessoas."
Bartlett, Tennessee, 18 de agosto de 2000

"Eu sou o decisor, e eu decido o que é melhor."
Washington, 18 de abril de 2006

"E a verdade é que muitos relatórios de Washington nunca são lidos por ninguém. Para mostrar como este é importante, eu o li e Tony Blair o leu."
Sobre o relatório Baker-Hamilton, em Washington, 7 de dezembro de 2006

"A única coisa que posso dizer é que quando o governador liga, eu atendo o telefone."
San Diego, Califórnia, 25 de outubro de 2007

"Eu já terei morrido há anos antes que alguma pessoa esperta descubra o que aconteceu dentro do Salão Oval."
Washington, 12 de maio de 2008

Sobre outros assuntos

"Eu sei que os seres humanos e os peixes podem coexistir pacificamente."
Saginaw, Michigan, 29 de setembro de 2000

"Famílias são onde a nossa nação encontra esperança, onde as asas viram sonhos."
LaCrosse, Wisconsin, 18 de outubro de 2000

"Aqueles que entram no país ilegalmente violam a lei."
Tucson, Arizona, 28 de novembro de 2005

"Isso é George Washington, o primeiro presidente, é claro. O que é interessante sobre ele é que eu li três – três ou quatro livros sobre ele no último ano. Isso não é interessante?"
Washington, 5 de maio de 2006

A trégua em Gaza segundo Laerte Braga

Observação sobre as imagens acrescentadas ao texto do Laerte. A charge é do Latuff que acaba de me passá-la e a foto copiei do blog do Ricardo Soares.

De ontem quando a tal trégua foi estabelecida mais 95 corpos foram encontrados, ultrapassando 1200 mortos e ao menos 1 civil palestino já morreu hoje pelas mãos do exército de Israel. Que tipo de trégua é esta??????????????????


A "TRÉGUA" EM GAZA SÃO OS "NEGÓCIOS"


Laerte Braga

Três fatores foram determinantes para a decisão do governo nazi/sionista de Israel decretar unilateralmente uma "trégua" no genocídio contra palestinos de Gaza. O primeiro deles a reação de parte da opinião pública israelense com atos de protesto dentro do país, diariamente, além do aumento do número de jovens que se recusam a prestar serviço militar em repúdio aos crimes nazi/sionistas. A maioria dos israelenses apóia a ofensiva, mas essa maioria é menor que em ações terroristas anteriores.

O segundo é praticamente uma extensão do primeiro ao resto do mundo. A indignação em todos os cantos com as barbáries e atrocidades praticadas pelas hordas nazi/sionistas contra palestinos. Ficou evidente ao mundo inteiro que os palestinos desejam construir uma nação e os israelenses têm apenas negócios na região. São assassinos impiedosos como conseqüência disso.

Latuff acaba de me informar que esta charge também foi veiculada pela Al Jazeera hoje.

O terceiro é de suma importância para o "povo eleito". O contribuinte/cidadão norte-americano às voltas com desemprego, crise, falências, ajuda a bancos, montadoras de automóveis, percebeu que nesse processo todo o custo Israel é dos mais altos e é ele quem financia a carnificina nazi/sionista em Gaza, como foi ele quem financiou todo o processo de construção do estado terrorista de Israel.

E pior, do ponto de vista dos terroristas nazi/sionistas, o cidadão/contribuinte começa a perceber que os grandes escroques do país, banqueiros, empresários, são em absoluta maioria controlados por grupos sionistas. Logo...

"O massacre não somente se justificou como o Estado de Israel não existiria sem essa vitoria".

Menahim Beguin, terrorista e ex-primeiro ministro de Israel, após o massacre de velhos, mulheres e crianças na aldeia palestina de Deir Yassin.

A invenção de Israel está intrinsecamente ligada ao terrorismo. A massacres.

O duce de Tel Aviv Ehmut Olmert, numa reunião com seu gabinete, concluiu que os "negócios" poderão ser afetados a curto prazo e a médio e longo prazos manter essa máquina genocida deve encontrar oposição de boa parte dos contribuintes/cidadãos norte-americanos, pelo menos neste momento. Foi alertado pela quadrilha nos Estados Unidos.

A turma está começando a não poder mais tomar Coca Cola todo dia, comer sanduíches do McDonalds no almoço e no jantar e em vários pontos da maior potência terrorista do mundo muitos estão dormindo nas ruas perdendo suas casas financiadas por bancos de nazi/sionistas.

Nesse jogo complicado o terrorista Dick Chaney padrinho do nazi/sionismo vai deixar de ser vice-presidente (controla as cordinhas que movimentam Bush) e isso é ruim também.

O desejo de atacar o Irã ficou só na vontade, ou para mais tarde se conseguirem recuperar o prestígio perdido e condições materiais para tanto. Agora, como diria aquele técnico de futebol tomando uma goleada de dez a zero, é hora de "arrecua os harfies pra evitar a catastre".

Vai ficar difícil sustentar o epíteto de terrorista imputado ao Hamas quando se despeja armas químicas e biológicas sobre crianças, mulheres, um povo inteiro em sua própria terra, em suas casas. E se apropria da água e das reservas de gás natural desse povo em roubo escondido pela mídia pró nazi/sionismo.

"A coisa mais trágica da vida humana é um povo infligir ao outro sofrimentos semelhantes aos que sofreu." (Arnold Toynbee, 1961)

Surge pela primeira vez desde a ocupação da Palestina em 1948 por israelenses garantidos por britânicos e norte-americanos, a grande contradição do que um dia chamaram de sonho do povo judeu. E surge dentro de Israel a partir de cidadãos e organizações não governamentais israelenses.

Começa a ser rediscutida a morte de Rabin, assassinado por um sionista, por ter assinado um acordo de paz que assegurava o direito real da nação Palestina. O papel de terroristas como Ariel Sharon e a desintegração de forças políticas interessadas em negociar a paz – dentro de Israel – com a ocupação completa do aparelho estatal por nazi/sionistas.

"A opinião pro-sionistas nos Estados Unidos e nos outros paises é orientada e dirigida do exterior. As investigações sobre a estrutura sionista dos Estados Unidos, levadas a efeito pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, em 1963, deixou este fato estabelecido. A Agencia Judaica pro Israel, a Organização Sionista Mundial e os grupos sionistas locais, inclusive os da Inglaterra e da América, são todos, na realidade, de fato e de direito, uma e a mesma coisa; e todos eles são, juridicamente parte do próprio governo israelense. Os grandes Estados democráticos do Ocidente nada trarão de construtivo para a solução do problema da Palestina e falharão, portanto, na proteção do que lhes restar dos seus interesses no Oriente Médio e, muito menos, seguirão restaurar seu prestigio, até que seja posto fim a esta exploração da tolerância democrática pela propaganda sionista/israelense e com imparcial aplicação da lei. Naturalmente, para tomar as providencias necessárias à regularização das relações entre o Estado de Israel e os cidadão de origem judaica de quaisquer desses Estado democráticos, os governos e o povo terão de compreender e fazer uma distinção fundamental entre a legítima tradição espiritual do judaísmo e substancia exclusivista, discriminatória e anti-democrática do nacionalismo contemporâneo do Israel sionista.

RABINO ELMER BERGER (Presidente do Conselho Mundial para o Judaísmo)

Crianças palestinas acorrentadas por soldados israelenses


É a constatação de um rabino de prestígio mundial. Pode ser corroborada por outra, a de um terrorista nazi/sionista, o general Moshe Dayan.

"CONFISSÃO DE MOSHE DAYAN

"Foram construídas aldeias judias no lugar de aldeias árabes. Você talvez nem mesmo saiba os nomes destas aldeias árabes, e eu não o culpo porque livros de geografia já não existem, não só os livros não existem, as aldeias árabes não estão lá. Nahlal surgiu no lugar de Mahlul; Kibutz Gvat no lugar de Jibta; Kibutz Sarid no lugar de Huneifis; e Kefar Yehushu'a no lugar de Tal al-Shuman. Não há nenhum único lugar onde se estabeleceu este país que não teve uma população árabe anterior."


Moshe Dayan, terrorista de guerra israelense, Se dirigindo ao Technion, Haifa, (como citado em Ha'aretz, 4 de abril de 1969)

Por trás de todas as declarações do duce de Israel ou dos muitos "goering" de seu governo, está a preocupação com os "negócios". A "trégua" foi decidida em Washington. Padrinho Dick Chaney mandou avisar que está saindo e a pressão popular ficando cada vez mais forte e quem vem, Barak ex-Hussein Obama vai ter primeiro que cuidar de devolver empregos, Coca Cola, casas, sanduíches do McDonalds, do contrário vai ser difícil financiar a rede terrorista nazi/sionista.

É hora de tentar tirar lucro do que já foi conquistado.

Preocupação humanitária? Zelo e disposição de paz? Isso não existe para o nazi/sionismo.

Só "negócios" e neste momento os "negócios" correm risco.

A trégua é isso.

Manifestantes em Beirute carregam cartaz com 4 desenhos de Carlos Latuff todos tecendo sérias críticas à ocupação e ataques de Israél à Faixa de Gaza.

Resultado do sionismo israelense em Gaza

Atualizado em 18/01/2009

Palestinos da Faixa de Gaza:

1.234 pessoas mortas
5,1 mil feridas desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro, segundo fontes dos serviços de saúde palestinos.


Do lado israelense:
13 pessoas morreram, sendo três delas civis, segundo o Exército do país.

Para ver cada um dos vídeos das imagens acima clique aqui

Pergunta final; Quando os responsáveis serão julgados no tribunal de HAIA?

Sábado, Janeiro 17, 2009

"Sou feia, mas tô na moda"

(...)
É triste amigo a gente chegar do trabalho
E ser esculaxado por um motivo que eu nem sei
O rico sente pena, mas sentir pena é fácil
Ninguém passou na pele a humilhação que passei

Aos poderosos eu lanço um desafio
Viver um dia de pobre e o pobre um dia de rei
Mas eu só peço a esse moço por favor
Antes de bater na cara, respeite o trabalhador
(Meus Direitos- techo do funk de Cidinho e Doca)


Acabei de assistir ao documentário de Denise Garcia que tem o nome do título deste post. Infelizmente fiz isso com 4 anos de atraso.

Fiquei embasbacada com a beleza do que vi, com as discussões colocadas pelos sujeitos do funk carioca, principalmente as mulheres.


A clareza desses agentes de quem são e como são vistos, de como são desrespeitados cotidianamente como pessoas e cidadãos não me surpreende, mas me supreendeu a capacidade que eles tiveram de me chacoalhar, deslocar-me e me fazer ir direto para rede pesquisar mais letras de funk, e saber mais sobre o tema reduzido a um pequeníssimo repertório que sempre desprezei ouvir.


Como toda mulher de classe média ignorante chocacava-me os palavrões e o que para mim era lido como submissão da mulher, sua adesão ao discurso machista, o uso do sexo etc. Tudo isso caiu por terra. Posso não concordar com os métodos delas, mas eu tô por fora, Tati Quebra Barraco, Pink e as demais funkeiras têm uma enorme consciência do que fazem, por vezes, acho até que são mais feministas e corajosas do que eu.

O funk que salta do documentário de Denise Garcia é profundamente democrático: cabe homens sarados rebolando sem perder sua masculinidade e o convívio com travestis como Lacraia sem ser morto e humilhado, cabe gordos, negros, grávidas, velhos e jovens, é uma convivência de fazer inveja para a banda dos inseridos socialmente que pensam viver em uma democracia.

(Lacraia e MC Serginho)

Em minhas pesquisas nesta tarde encontrei o breve texto de Roberto Carlos da Silva Borges que, pelo tempo, já deve ter concluído sua tese de doutoramento. O que ele argumenta vai na linha da resenha que pretendia fazer, mas encontrei pronta, não vou repeti-lo, até mesmo alguns depoimentos que me chamaram atenção ele destacou. Vale a pena a leitura, possivelmente como eu, vocês vão se interessar por assistir ao documentário e possivelmente gostem ou não de funk vão dar uma boa remexida no preconceito daquilo que muitos chamam de subcultura. Subcultura é a minha em relação ao funk.

“Sou feia, mas tô na moda”
(Tati quebra-barraco)
por Roberto Carlos da Silva Borges(1)

Em outubro/novembro de 2005, um cartaz espalhado pela cidade do Rio de Janeiro causava surpresa e, por que não dizer, espanto a muitas pessoas que caminhavam pelas ruas cariocas. O inusitado teor do conteúdo que veiculava despertou particularmente minha curiosidade. Em letras enormes, ele dizia somente o seguinte: “Sou feia, mas tô na moda”. Essa chamada espetacular já era suficiente para provocar reflexões a qualquer de nós, seres imersos em um tempo e em um espaço nos quais a beleza é uma imposição, em que aqueles que não são “belos”, ou seja, não correspondem a um estereótipo “x” ou “y” de beleza, estão alijados de um sistema perverso e extremamente ditatorial.

Descobri, logo, que “Sou feia, mas tô na moda” se tratava da apropriação de um bordão criado por Tati Quebra-Barraco, uma das cantoras mais populares de funk, e que o mencionado bordão se transformara em título de um documentário sobre o funk carioca. Vários outros cartazes começaram a aparecer e, tão logo houve a estréia do filme, apressei-me em assistir a ele.

“Sou feia, mas tô na moda” foi para mim uma verdadeira revelação. Estava ali na tela um olhar sobre o funk e sobre a produção funkeira, muito diferente daquilo que meus olhos podiam alcançar, e um objeto de estudo que considerei rico e bastante promissor, ao ponto de transformá-lo em minha tese de doutoramento.

Como defendido por Bill Nichols, que é visto por muitos teóricos como um dos maiores pensadores do mundo na área de cinema, os filmes de representação social ou os de não-ficção, comumente chamados de documentários, representam, de forma palpável, os aspectos desse mundo que ocupamos e compartilhamos. É a realidade social que sobressai, prioritariamente, de acordo com a seleção e a organização determinadas pelo cineasta.

Assim, o que o filme documentário veicula são visões de um mundo comum, com o objetivo de que as exploremos e as compreendamos. Ambos os tipos de filmes (os de ficção e os de não-ficção) são histórias que pedem tanto que acreditemos nelas quanto que as interpretemos. A
interpretação está ligada à compreensão da transmissão de significados e valores. A crença depende da forma como reagimos a esses significados e valores. Certamente, um dos objetivos do
documentário de representação social é estimular, encorajar a crença. É necessário que se creia no mundo do filme como real, já que os documentários de representação social pretendem exercer algum tipo de impacto no mundo histórico. Isso só é possível se a persuasão e o convencimento a respeito do ponto de vista que veiculam forem eficazes. Bill Nichols, quando defende esse ponto de vista, traz à tona um parecer muito interessante. Para ele, essa necessidade do documentário instilar crença aproxima-o da tradição Retórica, na qual a eloqüência tem um objetivo estético e social.

Logo, o encanto do documentário reside em colocar, diante das pessoas, questões atuais de nossa sociedade, apresentando-lhes suas possíveis soluções. Dessa forma, ele acaba por nos tornar capazes de olhar para temas oportunos que necessitam de atenção.

As questões sociais que nos são colocadas pelo documentário de Denise Garcia são muito delicadas e caras para todos nós, principalmente por tocarem em alguns de nossos tabus e “sutis”
preconceitos.

Parece-me que o primeiro deles está ligado, ainda que de forma indireta, ao nosso tão cantado “mito da democracia racial”. Ao ser abordado o preconceito, a discriminação, o estigma sofrido pelos moradores das favelas não podemos mais ser hipócritas ao ponto de pensarmos que o preconceito gerado em relação àquelas áreas e a seus habitantes é exclusivamente social. Para uma clareza maior a esse respeito, sugiro a leitura do livro Do Quilombo à Favela – A Produção do “Espaço Criminalizado” no Rio de Janeiro, de Andrelino Campos (RJ: Bertrand Brasil, 2005).
Nessa obra, Campos, por intermédio de sua pesquisa, nos mostra como os negros brasileiros foram relegados à penúria e à miséria, sem direito à terra e à moradia, sendo obrigados a substituir a senzala por abrigos e casebres em lugares afastados, criando, dessa maneira, as primeiras favelas de nossas terras.
Denise Garcia marca claramente a denúncia desse preconceito e utilizo-me de duas falas de pessoas entrevistadas no filme que são exemplos claros disso:

Raquel

... Por que acha que só por ser favelado, a gente não tem cultura. Então eles acham que funk não é uma cultura. Falou em funk, vê logo: Cidade de Deus, os favelados.


Andrea

— Nós fomos pro show, outro dia com a Tati e aí chegamos nesse show e eles falaram assim: “Chegou os favelados”. Nós debaixo, jogaram um jato d’água, eu virei e falei assim: “Lá na CDD os favelados não joga água do prédio”. Maior jatão, “scheleps”.


Uma pergunta, retórica, que não me canso de fazer é: numa sociedade permissiva como a nossa, os problemas suscitados pelo funk estão ligados ao que ele enuncia ao a quem é o seu enunciador? O “problema” é o que é falado ou está em quem fala?

Uma outra questão, claramente exposta, é o da diferença de gêneros. “Sou feia, mas tô na moda” foi produzido por uma mulher e a grande maioria das pessoas que são entrevistadas – e nele aparecem – são do gênero feminino. Algumas questões sérias, próprias do universo feminino, são
abordadas.

Há menos de duas décadas a maioria das mulheres aceitava ainda as investidas masculinas como elogio aos seus atributos ou como um “mal necessário”. Hoje, independente da classe social, cultural ou econômica da mulher, tudo está diferente. Elas têm a sua voz, ou procuram tê-la.

Encontram respaldo para isso nos livros, na TV, na propaganda e também nas músicas que cantam e que ouvem cantar. A fala de Raquel, também extraída do documentário, pode ser um exemplo disso:

Raquel

--Pras mulheres e pros homens também, né, porque, no caso dos homens, chega e fala para as mulé, chega e fala “Ah, vamus ali”. As mulé antigamente, antigamenteantes de surgir o funk, ia numa boa, aceitava, vamos no meu prédio, vai e assim tava indo, agora surgino o funk, não. Especialmente a música da Tati, que está dizendo muita coisa, alertando as mulheres.

Carecemos, é claro, de distanciamento temporal para avaliarmos com clareza algumas peculiaridades do universo do funk. Mas parece-me não haver dúvidas de que o discurso das mulheres funkeiras, veiculado no documentário, pode ser considerado, sim, principalmente por sua ousadia em se expressar como SER, um discurso feminista. Ainda que em “ziguezague”, ainda que com alguns equívocos. Clara e sonoramente, pode-se ouvir a voz feminina que clama por igualdade, que clama pela liberdade de usar o seu corpo, o seu sexo, o seu desejo, da forma como considerar apropriada, sem se importar com o juízo que farão de si.

“Sou feia, mas tô na moda”, como qualquer filme documetário, trata do nosso mundo, do mundo em que vivemos e não é uma ficção criada, imaginada por Denise Garcia. Podemos dizer que o filme aponta para o tamanho da desigualdade social (e, por que não dizer, racial) ainda existente no Brasil. É possível constatar, algumas vezes, na fala de alguns entrevistados, a denúncia dessa desigualdade e da ainda existente discriminação por ela gerada.

O documentário de Denise Garcia cumpre, então, a função cultural/social dos filmes de seu gênero: faz-nos refletir ainda mais a respeito de assuntos que residem na base de nossa sociedade (preconceitos e discriminações, neste caso) – e com os quais nos habituamos tão friamente a conviver que acabam por nos parecer invisíveis.



(1) Roberto Carlos da Silva Borges é Doutor em Estudos da Linguagem e atua como Professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ).

Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

A entrevista que o presidente Lula deu à Revista Piauí

Já que temos tão maus leitores na imprensa (ou seria má-fé?), reproduzo na íntegra a entrevista do presidente que conseguiu tornar o Brasil a única economia das 35 que compõem a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) a ser menos afetada pela crise internacional.
As ilustrações foram acrescidas por mim e emprestadas de meu amigo Bira Dantas. Enjoy:

O primeiro e o terceiro poder
AZIA OU O DIA DA CAÇA

MARIO SERGIO CONTI

Criticado diariamente por jornalistas, o presidente fala que a imprensa lhe faz mal ao fígado e diz o que pensa de Janio de Freitas, Elio Gaspari, Diogo Mainardi, Ali Kamel, Luis Nassif, Merval Pereira e outros mensageiros e arautos.
A 176ª entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2008 estava marcada para as nove e meia da manhã da quinta-feira que antecedeu o Natal. Meia hora antes, Clara Ant deu um entusiasmado “bom-dia!” ao entrar na sua sala, no 3º andar do Palácio do Planalto, a 50 metros do gabinete de Lula. Apressada, queria repassar o pequeno texto informando ao presidente as características, a linha política e o número de leitores da revista que o entrevistaria. Da ficha, poderiam também constar números recentes do governo e um breve perfil do jornalista que faria a entrevista.

A jornada de trabalho de Clara Ant é regulada pela bandeira nacional na frente do palácio. Se estiver hasteada, é sinal de que Lula está presente. Se não, saiu. Todos os dias, ela chega ao Planalto antes da bandeira subir e só sai depois que ela desce – a não ser quando o presidente viaja.

Quando chefiou a equipe técnica do Planalto que fez uma visita de trabalho à Casa Branca, em maio de 2005, Clara Ant viu em Washington como o Departamento de Estado monitora os interesses americanos ao redor do mundo, e reforçou a convicção de que só deveria escrever sugestões curtas ao seu chefe, o presidente Lula.

“A Watch Room é imensa, funciona 24 horas por dia, e tem dezenas de funcionários, que acompanham estações de rádio e televisão, a internet, relatórios de embaixadas e consulados e juntam todas as informações que digam respeito aos Estados Unidos”, contou Clara Ant, há mais de dois anos. “Todos os dados são encaminhados à Analysis Room, onde outras dezenas de pessoas comparam, checam e consolidam o que foi coletado.”

O trabalho das duas salas dá origem, uma vez por semana, a um relatório, que é colocado na mesa da secretária de Estado Condoleezza Rice. “O relatório tem uns três ou quatro parágrafos, de três frases cada”, disse a assessora especial de Lula, e completou com veemência: “É por isso que fico uma arara quando jornalistas mal informados, ou de má-fé, dizem que o presidente lê coisas curtas porque é preguiçoso.”

Clara Ant tem 60 anos, é alta, abre com frequência um riso amplo e assume ares de mãezona judia quando dá broncas, o que também faz amiúde. Ela fechou o sorriso e ameaçou ficar brava quando pedi que deixasse ler o que havia escrito sobre piauí na ficha para Lula. Logo desistiu e, de bom humor (mas nem tanto), tocou-me da sala.

Ela nasceu em La Paz, na Bolívia, onde seus pais, judeus poloneses, foram parar no fim da Segunda Guerra, à espera de um visto para os Estados Unidos que nunca se materializou. Sua língua materna foi o iídiche, aprendeu hebraico na escola e espanhol na rua. Aos 10 anos, mudou com a família para o número 124 da José Paulino, a rua de adoção da comunidade judaica em São Paulo. Aprendeu a falar português sem sotaque, se casou, separou, viu suas irmãs e os pais se mudarem para Israel, se formou em arquitetura e urbanismo pela Universidade de São Paulo e ali descobriu sua vocação, a política.

No teatro clássico, observa Roland Barthes, a câmara onde fica o governante é secreta e misteriosa. Dela emana a aura da divindade que se encarna no soberano. É nas sombras, indevassável, que o poder trama em surdina o domínio dos súditos. Já a antecâmera é espaço de transição. Ali, o chefe supremo exerce o primeiro dos poderes, o de fazer esperar (o termo em português é exato: sala de espera).

Isso no teatro de Racine, nos versos firmemente alexandrinos de Fedra. Na prosa solta de uma manhã no Planalto, o visitante perambula à vontade, sem ser conduzido à antecâmara. Vê funcionários que passam aspirador de pó em carpetes esmaecidos. Cruza com um solitário Henrique Meirelles. Observa o capricho com que uma moça lava a janela. Contempla os mirrados Dragões da Independência no alto da rampa de entrada. Ouve três vezes em quinze minutos a mesma pergunta – “Com açúcar ou adoçante, doutor?” – feita por garçons que portam bandejas redondas e enormes.

O visitante fica assim, despoliciado, até topar com César Alvarez, o encarregado da organização da agenda de Lula. O gaúcho Alvarez trabalha no gabinete pessoal do presidente, chefiado por Gilberto Carvalho.

Num café da manhã, Carvalho explicou que define as audiências de Lula com base em três prioridades. Primeiro, ministros, secretários de Estado e assessores graduados. Em seguida, representantes de associações de classe, sindicatos e movimentos sociais. Em terceiro lugar, donos ou executivos de empresas.

“As multinacionais sempre querem trazer seus CEOs para visitar Lula”, disse Gilberto Carvalho. “Acho que para mostrar às matrizes que têm prestígio e acesso ao presidente.” Também para as reuniões com empresários, Clara Ant redige fichas com informações sobre as companhias e perfis sumários dos Chief Executive Officers, inclusive com fotos 3 x 4 deles, para que, como explicou Carvalho, “Lula reconheça logo e cumprimente o executivo certo”.

César Alvarez conhece Clara Ant há mais de trinta anos. Militaram juntos na Organização Socialista Internacionalista, a OSI, grupo trotskista que se tornou conhecido nos anos 70 pelo nome Liberdade e Luta, pelo qual passaram os ex-ministros Antonio Palocci e Luiz Gushiken. Clara foi vice-presidente da Federação Nacional de Arquitetos e Urbanistas, participou da fundação e dirigiu a Central Única dos Trabalhadores e se elegeu deputada estadual pelo PT. Nessas atividades, conheceu o presidente.

“Minhas relações com Lula eram as que podiam existir entre um líder metalúrgico de massa e a dirigente de um grupo clandestino de esquerda”, lembrou Clara Ant. “Que podiam existir” é eufemismo para “divergência frontal e azeda”, pois Lula tinha desprezo pelo que classificava de “esquerdismo de classe média”.

Ao romper com o trotskismo, em 1987, depois de dez anos no comitê central da OSI, ela se aproximou cada vez mais de Lula, que lhe passou responsabilidades cada vez maiores. Dirigiu o Instituto Cidadania, a ONG de Lula, cuidou das finanças da sua campanha presidencial de 1998 e, antes de Delúbio Soares, era tesoureira do Partido dos Trabalhadores.

Cinco dias depois da posse do primeiro mandato, em janeiro de 2003, Lula se reuniu com Clara Ant no Planalto e propôs que, junto com Frei Betto e Oded Grajew, ela organizasse o Fome Zero. O presidente saiu para posar para a foto oficial e na volta Clara lhe fez uma contraproposta: “Quero ser aquilo que no cinema se chama de continuísta.”

Explicou ao presidente que a continuísta evita incongruências ao longo de um filme. Se um personagem está de camisa azul ao sair de uma sala, por exemplo, a continuísta anota e providencia para que ele esteja vestido da mesma maneira ao entrar em seguida no quarto.

Lula aceitou a proposta e Clara Ant começou a pesquisar. Descobriu um software criado por técnicos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento chamado Sigov – Sistema de Acompanhamento de Ações Prioritárias do Governo Federal. Ela adaptou o Sigov às particularidades brasileiras, montou uma pequena equipe e passou a anotar o que o presidente determinava ou prometia.

Um dos membros da equipe de Clara Ant está presente em todas as reuniões de Lula no Planalto e anota num laptop as suas ordens e decisões. Eles assistem também a todas as gravações de discursos e entrevistas públicas de Lula, e anotam determinações e promessas práticas. Elas são cadastradas e em seguida encaminhadas aos ministérios e secretarias a que dizem respeito. Assim, se o presidente diz numa viagem que o governo inaugurará uma escola técnica numa cidade, numa data, a informação é registrada e enviada ao Ministério da Educação. Periodicamente, o sistema faz com que o ministério informe a quantas anda a tal obra e se será inaugurada na data prometida.

“O presidente já usou o sistema da Clara para fazer cobranças, precisas e enérgicas, de determinações que não foram cumpridas”, disse Luiz Dulci, o chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Ainda que as cobranças originárias do Sigov sejam impessoais, o fato de Clara Ant estar na origem delas não a torna, exatamente, a pessoa mais popular no Planalto. “Tem gente que acha a Clara uma chata, mas o que ela faz é essencial”, disse Dulci.

O que a faz, além de temida, respeitada, é a hora-Lula e o banco de dados ambulante. Hora-Lula foi um conceito criado pelo jornalista Eugênio Bucci quando presidiu a Radiobrás. “Assim como a experiência de um piloto é indicada pelas suas horas de vôo”, disse Bucci quando ainda era o responsável pelo programa de rádio Café com o Presidente, “a hora-Lula mede quem passa mais tempo perto do presidente e, portanto, tem mais poder.” Em matéria de horas-Lula, só Gilberto Carvalho ultrapassa Clara Ant.

Como o presidente Lula gosta de citar dados, cifras e projeções das ações de governo, a mania de números se espalhou pela Esplanada dos Ministérios. E é Clara quem sistematiza esses dados, providenciando súmulas que o presidente recebe diariamente, feitas sob encomenda para diferentes reuniões. Gente de todos os ministérios procura Clara Ant para obter dados confiáveis.

É por isso que, trabalhando em conjunto com a Secretaria de Comunicação, é ela quem escreve a ficha de informações que o presidente compulsa quando fala com repórteres. Uma dessas fichas fez com que Clara Ant pedisse demissão, em julho de 2006.

Ao preparar a ficha para uma entrevista de Lula ao Jornal Nacional, avaliou-se que haveria perguntas sobre segurança pública. Para exemplificar a dificuldade da Polícia Federal em impedir o tráfico de drogas e o contrabando, ela pediu a um subordinado a extensão em quilômetros da fronteira nacional e botou o dado na ficha. Mas botou o número errado, centenas de vezes menor que o verdadeiro. Lula usou a informação no Jornal Nacional, alguém em O Globo percebeu e o equívoco foi parar na primeira página do jornal. O presidente desconsiderou o pedido de demissão.

Nos dramas medievais, há dois personagens bem definidos para levar e trazer notícias da corte: o arauto e o mensageiro. O primeiro é funcionário graduado do governante. Ele pega as proclamações reais, seladas com cera, faz soar as trombetas e as lê para uma audiência selecionada. O arauto faz saber aos súditos o que o soberano determinou – do aumento de impostos a declarações de guerra. Já o mensageiro leva notícias do reino ao rei. Ele informa se os nobres conspiram, se os camponeses estão inquietos, se os vizinhos prepararam incursões.

Em sociedades modernas, a imprensa cumpre as funções de mensageiro e arauto. Ela informa o governante do que se passa no país e diz aos cidadãos o que o poder pretende fazer. Do primeiro para o segundo mandato, Lula pendeu nitidamente para o lado arauto da imprensa. “Logo depois das eleições de 2006, perguntaram numa coletiva se o presidente se arrependia de alguma coisa”, disse Nelson Breve, o secretário de Imprensa do Planalto, “e ele respondeu que se arrependia de não ter falado mais à imprensa.”

Nelson Breve me conduziu não à sala de espera, mas para a “de situação”, que tem uma longa mesa, paredes decoradas com mapas e um laptop, destinado aos funcionários da equipe de Clara Ant. Pelos dados que ele passou, em 2008 a imprensa bateu recordes de horas-Lula. Enquanto no primeiro mandato o presidente falou menos de cinquenta vezes à imprensa a cada ano – somando coletivas, individuais e respostas curtas a repórteres que o acompanham –, em 2008 ele deu 57 entrevistas apenas a órgãos de imprensa estrangeiros. No total, foram mais de três entrevistas por semana.

Segundo Nelson Breve, se a Secretaria de Imprensa aceitasse todos os pedidos de entrevista exclusiva (as mais solicitadas e prestigiadas), o presidente teria de conceder mais de uma por dia até o final do mandato.

Depois de ouvir o presidente, é Franklin Martins, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, quem escolhe quais órgãos de imprensa terão acesso a Lula. A escolha é feita com base no tempo disponível do presidente, das suas viagens, da repercussão do órgão e, é claro, em critérios políticos. Há publicações que, apesar de reiterados pedidos, não são recebidas há anos pelo presidente.

Lula entrou na sala de situação pouco antes das dez da manhã. A seu lado vinha Clara Ant, com suas fichas. Atrás, Franklin Martins. Lula estava animado e de bom humor. Ao sentar na cabeceira da mesa, folheou os papéis que ela lhe havia entregue. Pedi: “Presidente, deixa ver o que a Clara escreveu aí sobre a piauí.” Lula fez menção de me entregar as folhas, Clara e Franklin Martins gritaram “Não! Não!” e todos riram.

(Soube dias depois que a ficha recebida pelo presidente caracterizava a linha política da revista como “desencantada”: cética em relação ao alcance do progresso ocorrido no passado recente e descrente da política.)
Clara Ant saiu e a entrevista começou. Lula disse que sua opinião sobre a imprensa não mudou desde que se tornou presidente da República. “A imprensa brasileira tem um comportamento histórico em relação a mim”, respondeu. A grande mídia nunca lhe facilitou a vida, disse, e ele nunca se preocupou muito com isso “porque eu acredito na inteligência de quem assina uma revista ou um jornal, de quem vê televisão e escuta rádio”. Ou seja, aqueles que acompanham a política por meio da imprensa acabam por perceber o falso e o verdadeiro, o que é insinuação e o que é fato no noticiário.

Nesse aspecto, Lula acha que, desde que assumiu o cargo, a situação melhorou para o seu lado, em função do desenvolvimento tecnológico. “Hoje a informação é mais plural”, disse. “Não tem mais apenas a informação de tal revista ou de tal jornal. Quando o cidadão pega um jornal de manhã, ele já viu aquela notícia na televisão, na noite anterior, já ouviu no rádio, já leu em vários blogs. Há 300 blogs com comentários diferentes, blogs de gente importante. Está tudo na internet. Você quer ler o que o Estadão vai dar amanhã? Está no site de hoje do Estadão. Então, isso democratiza a imprensa, aumenta a capacidade do cidadão em interpretar o que lê.”

O presidente não lê blogs nem sites. Mais: não lê nem jornais nem revistas. E não é por falta de tempo. Simplesmente não quer ler. Por quê? “Porque eu tenho problema de azia”, respondeu. Mesmo afirmando que o jornalismo lhe faz mal ao fígado, o presidente repetiu duas vezes que a sua ascensão à presidência “é produto direto da liberdade de imprensa”.

No dia-a-dia, ele se informa em conversas de meia hora, no início da manhã, com o ministro Franklin Martins, que lhe conta o que foi noticiado. Perguntei se, para sentir o ambiente político, ou mesmo o humor de setores da população, não seria melhor ler diretamente no noticiário político. “Quando sai alguma coisa importante, a Clara ou o Franklin me trazem o artigo, ou mesmo o vídeo de uma reportagem de televisão”, disse.

Mesmo nos fins de semana, fica longe de revistas, jornais e noticiosos? Lula respondeu que a privação de notícias lhe é essencial: “Recomendaria a qualquer presidente que se afaste dos políticos e da imprensa nos fins de semana.” Nos dias de folga, o presidente pesca, joga cartas, conversa com os filhos e amigos – desde que não sejam políticos nem estejam no governo.

“Saio pouquíssimo”, disse. “Esse ano, só fui às festas de aniversário do Pão de Açúcar e da Andrade Gutierrez.” Perguntei se era amigo dos donos das empresas. “Não, fui porque completavam 60 anos, o que no Brasil é importante”. E por que então não foi ao aniversário de 40 anos de Veja? “Porque me dou ao respeito”, respondeu. “Aprendi que se alguém me xinga durante anos, não devo ir à sua casa.” (No site da revista, o presidente é chamado mais de 6 800 vezes de “apedeuta”, sinônimo de “ignorante” e “sem educação”.)

Sem a imprensa, o presidente se considera muitíssimo bem informado. “Um homem que conversa com o tanto de pessoas que eu converso por dia deve ter uns trinta jornais na cabeça todo santo dia”, disse. “Não há hipótese de eu estar desinformado.”

Mantendo-se longe da imprensa ele evita o que chama de “distorção”, sobre a qual deu o seguinte exemplo: “Quando lançamos o programa para o povo comprar material de construção com desconto, um jornal importante publicou a manchete ‘Lula faveliza o Brasil’. Quer dizer, é uma concepção distorcida de quem não tem a menor noção do que significa o pobre ter acesso a comprar material de construção e poder fazer a sua casa, reformar, fazer a sua garagem, fazer o seu puxadinho.”

Outro pecado da imprensa, na sua opinião é publicar notícias que “acabam com a vida do cidadão”, e depois não são comprovadas. Citou o caso da Escola Base (no qual jornais paulistas divulgaram como verdadeira a versão de um delegado que acusava os donos do colégio de pedofilia) e as acusações de corrupção feitas contra o então ministro Alceni Guerra (sobretudo pelos órgãos das Organizações Globo), no governo de Fernando Collor.

Nesses casos, ainda que sendo contra “a juridicialização da política”, como afirmou, defende que se processe o órgão de imprensa. Lula já processou a Folha de S. Paulo, que publicou em 1993 uma reportagem dizendo que a CUT desviava recursos para o PT. “Demorou dez anos, mas o jornal publicou na íntegra a sentença que me dava ganho de causa”, disse.

Processou também a Rede Bandeirantes, que difundiu reportagens, na véspera da eleição de 1998, apresentadas por Paulo Henrique Amorim, afirmando que Lula usara de uma tramóia para comprar seu apartamento em São Bernardo. A emissora pediu desculpas ao presidente.

Lula acredita que, boa parte das vezes, notícias equivocadas são divulgadas não por má-fé, “mas por questões mercadológicas”. Sensacionalismo, em suma. Esse foi um dos motivos que o levou a criar a TV Pública. “Queremos que ela informe e promova debates sobre temas que a televisão privada não tem interesse, porque está interessada no Ibope.”
Para o presidente, “com exceção do Roda Viva”, da Rede Cultura, “não há espaço para o debate político na televisão. Os grandes temas da sociedade não têm onde ser debatidos. Quando há uma discussão sobre economia, você vê lá quem? Um analista de mercado. Ou seja, pessoas como Maria da Conceição Tavares, como o Luiz Belluzzo, como o Delfim Netto não têm muito espaço na televisão. Então, espero que a TV Pública cumpra essa função de promover debates. Ela não pode ser chapa-branca”. O presidente disse que não vê a TV Pública. Nem a privada, aliás, “por falta de tempo”.

Pedi ao presidente que desse sua opinião sobre alguns jornalistas brasileiros. A cada nome, ele disse umas poucas frases.

Elio Gaspari, colunista da Folha e de O Globo: “Tenho um profundo respeito pelo Elio Gaspari. É um dos grandes jornalistas brasileiros, independente de eu concordar ou não com ele.”

Merval Pereira, colunista de O Globo e da GloboNews: “Acho o Merval, às vezes, um jornalista com um pensamento só: o pensamento contra o governo.”


Clóvis Rossi, repórter e colunista da Folha: “Sou muito amigo do Clóvis Rossi.”

Ali Kamel, editor-executivo da Central Globo de Jornalismo e colunista de O Globo: “O Ali já fez artigos me defendendo do preconceito. Mas tenho profundo ressentimento da cobertura da Globo na campanha de 2006. Não expresso esse ressentimento no meu comportamento, nas minhas atitudes, na minha relação com a imprensa e muito menos com a Globo. É uma coisa que está comigo.”

(Na véspera do primeiro turno, o Jornal Nacional exibiu imagens de montes de dinheiro apreendidos pela Polícia Federal, com petistas que tentavam comprar um dossiê falso contra José Serra, candidato do PSDB ao governo de São Paulo*. No governo e no PT, atribuiu-se a necessidade do segundo turno a essa reportagem.)

Janio de Freitas, colunista da Folha: “Sou um admirador do Janio de Freitas mesmo quando ele fala mal do governo.”

Diogo Mainardi, colunista de Veja e do programa Manhattan Connection, da GNT: “Confesso que não leio.”

Luis Nassif, blogueiro: “Gosto muito do Nassif, é um dos grandes analistas econômicos do país.”

Paulo Henrique Amorim, apresentador do Domingo Espetacular, da Rede Record, e blogueiro: “Sempre tive admiração pelo Paulo Henrique Amorim, desde o tempo em que ele era analista da Globo. Acho que, quando foi trabalhar na Bandeirantes, enveredou por um caminho errado, assessorado por um jornalista que não trabalha mais com ele, que cometeu erros crônicos. Mesmo quando ele critica, você percebe que tem fundamento. Isso é o importante: não quero que as pessoas falem bem de mim. Tenho 63 anos e nunca um jornalista ouviu da minha boca um pedido para que fizesse uma matéria favorável. Gostaria que ele noticiasse apenas o fato como ele é. E depois, se quiser fazer análise pessoal, que faça. Mas sou defensor de que o fato seja a razão de ser da imprensa.”

Na hora das despedidas, chegou Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais. “Como a Clara e você, o Marco Aurélio foi trotskista, mas ele nega”, disse Lula. Garcia tentou se explicar, e Lula o interrompeu, perguntando: “Sabe como chama o filho do Marco Aurélio? Chama Leon, e ele nega que é trotskista!”

*Correção da versão impressa.

Latuff explica porque há 9 anos se dedica à causa palestina

Em entrevista ao jornal El Mundo Espanha, o cartunista carioca Carlos Latuff explica como iniciou seu ativismo pró-Palestina.



El Mundo: 1.¿Cómo se te ocurrió hacer estas ilustraciones? ¿Todas las has hecho después de que comenzara el ataque de Israel?



Carlos Latuff: Fiz ilustrações durante o bloqueio a Gaza, no início dos ataques aéreos e continuarei fazendo até o fim desse massacre. Ou melhor, DESTE massacre, porque mesmo com o fim das ações militares, a ocupação de territórios palestinos por Israel vai continuar, e certamente teremos mais massacres de população civil com o apoio dos Estados Unidos e o silêncio das nações árabes.

El Mundo: 2. ¿Cuándo has viajado a Palestina? ¿qué significó ese viaje para ti?



Carlos Latuff: Estive na Cisjordânia em 1999. Tive oportunidade de conversar com israelenses num stand de tiro em Jerusalem, onde um deles me disse estar treinando para matar árabes.


Estive na Comunidade Hebraica de Hebron, conversei com colonos judeus e conheci uma jovem da Florida que me explicava sem hesitações como o Messias irá varrer os árabes da "Terra Prometida". Tambem em Hebron fui apresentado a familia do senhor Adris, um palestino que falava inglês carregado de sotaque, que me mostrou seus dentes quebrados a coronhadas por soldados israelenses, e sua filha, na época com uns 8 anos, que trazia no corpo cicatrizes de queimaduras causadas por coqueteis Molotov atirados contra sua residencia por colonos judeus. Prometi a Adris que ao voltar ao Brasil colocaria minha arte em favor do povo palestino, promovendo sua luta e denunciando os crimes de guerra de Israel.

El Mundo: 3. Has hecho caricaturas sobre el Holocáusto y parece que Irán le premió



Fonte: http://www.irancartoon.com/120/holocaust/

El Mundo: Puede parecer que tienes un sentimiento antisraelí... Harías dibujos sobre Mahoma?



Carlos Latuff: Certamente que não. Não tenho qualquer interesse em atacar a fé islâmica, e nem a judaica. Creio que o concurso de caricaturas iraniano serviu para provar a hipocrisia ocidental. Jornais europeus, utilizando o argumento da liberdade de expressão, reproduziram o desenho do profeta Maomé com uma bomba no turbante. Estes mesmos jornais no entanto, se recusaram a publicar os desenhos do concurso sobre o Holocausto. A imagem que produzi para o concurso traz um palestino vestido com uniforme de campo de concentração, nada tem a ver com ataques ao Judaismo e seus profetas.



El Mundo: 4. Pode me enviar também una breve biografia sua??

http://es.wikipedia.org/wiki/Carlos_Latuff





Atualizado em 17/01/2009



Latuff me mandou ontem o link da Al Jazeera em que durante um debate aparece uma de sua caricaturas durante alguns segundos, informando a autoria do cartun e a nacionalidade do cartunista. Ele realmente cumpriu a promessa que fez ao senhor Adris, seu ativismo está alcançando milhões.






Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

A água encontrou seu nível e o Lucas Mendes não entendeu nada

"A única lembrança que Obama tem do pai é daquele mês com o pai no Havaí. O encontro gerou tantas angústias quanto prazeres, mas o pai, apesar de ausente, pesava, e, de vez em quando, escrevia cartas com aforismos e conselhos e um que até hoje Obama não conseguiu decifrar.

"Um dia", escreveu ele, "como a água que encontra seu nível, você vai encontrar uma profissão adequada".

O pai não sabia de nada." (Lucas Mendes, "Obama, o negro e o sonho")


A citação acima é o final do texto do Lucas Mendes, publicado hoje pela BBC-Brasil, (clique aqui para lê-lo na íntegra).

Todas as vezes que esta tchurma, incluindo a BBC, toca a falar de racismo e relações étnico-raciais, invariavelmente, resvala em seus próprios preconceitos. E a frase enigmática escolhida para encerrar o final do texto de Mendes é um exemplo disso.

Durante todo o texto do jornalista do Manhattan Connection há a tentativa de nos convencer que Obama, embora tenha sido alvo de inúmeros preconceitos raciais, está em um nível pós-racial. Eu entendo a necessidade da tchurma da democracia racial de querer estabelecer a época da biopolítica pós-racial, mas estamos longe de as discussões se distanciarem da questão da raça, infelizmente.

É impossível para um negro, qualquer negro, esquecer-se de que é negro, pois a todo momento sempre terá alguém que o lembre de sua condição, como o faz Mendes, não entendendo o grau do nível esperado pelo pai de Obama para o futuro de seu filho.

Em suas análises, Mendes e outros se esquecem de separar Obama candidato/político e Obama sujeito de sua própria história.

Um negro com o projeto político e a visibilidade de Obama precisava deixar claro que seria um presidente para todos os Estados Unidos. Se não fizesse isso e colocasse no foco da campanha a questão racial ele não teria a menor chance.

Condição semelhante foi imposta a Lula na campanha de 2002: ele passou a afirmar que era candidato a governar um país cheio de diferenças raciais, sociais, econômicas, culturais, regionais e que para isso deveria ter um projeto político de governo para todos. Lula, diferente de três de seus principais pares na América Latina-- Chavez, Evo e Correa--, não se declara um presidente socialista, no máximo reafirma ser um presidente progressista.

Carataras do rio Iguaçu (montagem)

Voltando à fala final de Mendes, quando o pai de Obama refere-se em seus aforismos à imagem do nível da água jamais pensaria em um rio raso. Ele era orgulhoso e consciente demais de suas capacidades e habilidades, inclusive para governar, para achar que o filho não alçaria vôos altos.

O pai de Obama chegou a assumir cargos importantes na política queniana, mas sua personalidade forte e a crença na competência pessoal como pré requisito para administrar, passando ao largo das diferenças étnicas e seus recorrentes usos políticos, levaram sua carreira à ruína. Obama sabe que se desconsiderar a questão racial tão profundamente arraigada nas mentes do Ocidente pode ter um final ainda mais trágico que o do seu pai.

Talvez tanto tempo vivendo em Nova York tenha feito o jornalista brasileiro se esquecer das poderosas 275 quedas d'agua rio Iguaçu.

Um pouquinho de associação geográfica também lhe faria bem para refletir sobre a metáfora paterna do futuro presidente dos EUA. Mendes poderia, por exemplo, lembrar-se da geografia do país onde nasceu Obama pai e percorrer o território queniano de Mombassa, na costa oriental, banhada pelo Índico, até o lago Vitória. Lá encontraria as Nyahururu Falls que um explorador europeu do XIX tentou rebatizar com seu próprio nome: Thomson's Falls.

(Nyahururu Falls, Quênia)

Isso possibilitaria a Mendes não esquecer do poder que a água tem de ocupar e transpor todos espaços e barreiras, talvez até lhe permitiria aprender a lição importante que agricultores, engenheiros civis e profissionais da defesa civil sabem como ninguém: é a água que decide quando atingiu o seu nível.

O pai de Obama sabia tudo.


Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

Nem falei das férias....

Hoje uma enxaqueca braba me pegou de vez, espero realmente que ela vá embora.

Recuperei um dia especial (uma noite para ser mais precisa) como espécie de mantra para me lembrar que a vida pode e deve ser bela:

(A Mamá tirou a foto sem eu perceber, reparem na lua, fazia rastro no mar)

A lua e seu rastro

(o rastro)

(Rede e vista para a mata Atlântica)

Brasil de Fato traz a arte combativa de Latuff

Desculpem a recorrência ao tema, mas eu não conheço um artista mais comprometido com a causa que hoje mobiliza o planeta: o horror sionista em Gaza.

Ando pensando que maior crime hediondo Israel precisa ainda cometer para que os EUA e a falida ONU, assim com as lideranças mundiais (sic) façam algo de concreto para parar as ações criminosas deste Estado sionista, reconheça a causa palestina, respeite este povo que há 60 anos é oprimido pelo Sionismo e, finalmente, puna os principais responsáveis sionistas por crime de guerra.


Enquanto isso não acontece, o resto da humanidade que não endoidou de vez continua a blogar, continua a sair às ruas, continua a protestar contra tanto abuso e carnificina.

Latuff, ajuda-nos a exprimir esta revolta e esta dor, pois como todo artista comprometido com a causa da humanidade ele nos impede de enlouquecer, porque exprime nossa impotência e nos ajuda a mobilizar forças pra resistir.


Apreciem, pois a reportagem que vai as bancas logo, logo:
Para ver a imagem em pdf, clique aqui

ATO EM SAMPA, PRAÇA DA REPÚBLICA, SEXTA FEIRA

Ato pelo fim do massacre em Gaza acontece nesta sexta



A Frente de Defesa do Povo Palestino, que reúne mais de 50 instituições, entre centrais Sindicais, movimentos sociais e entidades árabe-brasileiras e islâmicas, além de indivíduos solidários à causa, convoca para o ato em defesa do povo palestino nesta sexta-feira, dia 16 de janeiro, em São Paulo.

A concentração será na Praça da República, a partir das 17 horas, com caminhada rumo à Praça da Sé, onde haverá um ato ecumênico, vigília e projeção de imagens do massacre.

Tragam suas velas para iluminar a vigília!

Por uma Palestina livre, independente!

Frente de Defesa do Povo Palestino

Latuff inspirando os manifestantes mundo afora contra os sionistas

Todas as imagens tem cartuns do Latuff, para saber mais deste cartunista brasileiro clique nos links abaixo:
Avenida Paulista, São Paulo, SP, 11 de janeiro de 2009


Gaza protest Toronto Canada Jan10 2009 Osmel Maynes




Gaza protest Stockholm Sweden Jan 10 2009

Gaza protest Seville Spain Jan 11 2009

Gaza protest Seville Spain Jan 11 2009

Gaza protest San Francisco US Jan 10 2009 Mona Kabbani A.

Gaza protest Roma Italy Jan 3 2009

Gaza protest Roma Italy Jan 3 2009

Gaza protest New Delhi India Jan 10 2009

Gaza protest Los Angeles US Jan 10 2009

Gaza protest Edinburgh Scotland Jan 10 2009 Gareth Timms


Gaza protest Dubai UAE Jan 9, 2009 Reuters

Gaza protest Bucharest Romania Jan 9 2009 AP Vadim Ghirda.

Gaza protest Bucharest Romania Jan 9 2009 AP Vadim Ghirda.

Gaza protest Brussels Belgium Jan11 2009 Ben Heine K.

Gaza protest Berna Switzerland Jan 10 2009 Reuters
Gaza protest Barcelona Spain Jan 10 2009

Gaza massacre demonstration NYC Jan 11 2009

Terça-feira, Janeiro 13, 2009

ato falho de O Globo?

A foto a seguir ilustrou uma notícia do Globo Online com o título "Fiscais da operação Barrabacana vão fotografar quem aborda prostitutas e travestis".

Prestem atenção no link da referida imagem e no seu respectivo título
http://oglobo.globo.com/fotos/2008/08/01/01_MHG_Rio_puta.jpg ( 01_MHG_Rio_puta)

Dá para acreditar? Coisas de O Globo...

fotos da mobilização contra israel e pró Palestina na Paulista, domingo






Algumas imagens do segundo protesto pró palestina, contra o horror provocado por Israel em Gaza ocorrido na paulista, domingo, dia 11/01/2009.


Vale a pena ver o restante das imagens da solidariedade, para isso, clique aqui

De volta à Gaza

Relato de Bei Dao ao visitar A Faixa de Gaza em 2002:

"Os israelenses tinham o controle do mar e os pescadores palestinos não tinham o direito de pescar, senão num perímetro de 6 quilometros da costa. Como a gente passava ao lado de um campo de morangos, Raji nos disse que vários europeus comiam morangos de Gaza sem saberem. De fato, eles eram primeiramente transportados para Israel para serem embalados e receber etiquetas antes de serem exportados. E o pior: até mesmo as águas subterrâneas de Gaza eram bombeadas pelos israelenses e depois trazidas em canalizações para serem vendidas aos palestinos. Esta exploração feita claramente, sem nenhum tipo de dissimulação, devia fazer babar os capitalistas do mundo inteiro, morrerem de inveja." Viagem à Palestina (vários autores), p. 53)

Um pouco da ironia de Latuff

Terça-feira, Janeiro 06, 2009

Uma semana sem rede para descansar e banners pra espalhar na blogosfera


Estou realmente ficando doente vendo a barbárie ao vivo e a cores.

Tenho uma filhotinha linda de de 12 anos e só esta semana pra ficar com ela durante as férias.

Aceitei o convite de um casal de amigos para zarpar uma semana para Ubachuva-praia vermelha, na mala alguns livros, note e um acesso sofrível à rede que não permite blogar.

A crônica que comecei a escrever hoje para explicar a dureza da vida da mulher blogueira não deu pra findar que aqui em casa foi 'dia de Maria'.

Bem, fica pra semana que vem, enquanto isso espalhem pela blogosfera os banners belíssimos emprestado da moçada do Pimenta negra:





Segunda-feira, Janeiro 05, 2009

Duas guerras, uma sandice

O termo monstruosidade usado pelo nicaraguense Miguel D'Escoto, presidente geral da Assembléia da ONU foi reproduzido pelo ministro das Relações Exteriores Celso Amorim para condenar o genocídio praticado por Israel contra o povo palestino ,confinado no maior campo de concentração a céu aberto do mundo: Gaza.

Toda gente de bem, independente da nacionalidade, etnia, religião sente sua humanidade um pouco assassinada quando vê o sofrimento de Gaza, mas há os loucos, cãos raivosos do grupo Veja sempre a postos pra inverter tudo e criar confusão.

Eu realmente não me dou o trabalho de acessar esses lunáticos, mas tem blogueiro com estômago para isso e para respondê-los.
Seleciono abaixo dois textos que retomam o termo monstruosidade em seus argumentos; o primeiro da médica Fátima de Oliveira, o segundo do jornalista Laerte Braga, fazendo a leitura a contrapelo do texto do cão raivoso que já está babando, como os lunáticos sionistas da extrema-direita no poder em Israel.
Entre o conflito linguístico e a barbárie na Faixa de Gaza

Urge não calar diante da crueldade que ceifa vidas


FÁTIMA OLIVEIRA
Médica - fatimaoliveira@ig.com.br

Planejei que meu primeiro artigo ou crônica de 2009 versaria sobre o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que unifica a ortografia da "última flor do Lácio, inculta e bela" [Olavo Bilac (1865-1918)], falada por 280 milhões de pessoas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), composta pelos oito países lusófonos (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste). Para gramáticos e linguistas (especialistas em linguagem verbal humana: estudos linguísticos), o acordo só atinge 0,5% do vocabulário, mas os impactos na escrita são de grande monta, mesmo não alterando o modo de falar de cada país. Timor Leste, Guiné-Bissau, Moçambique e Angola dizem ter intenção de aprová-lo, mas até agora nada! Fala-se que está em curso um conflito linguístico que eu estava disposta a analisar.

Entre o conflito linguístico e a barbárie produzida pelos bombardeios de Israel na Faixa de Gaza, a emblemática "Operação Chumbo Fundido", desde 27.12, complementada a partir de 3 de janeiro por ofensiva terrestre, urge não calar diante da crueldade que ceifa vidas inocentes e destruiu a Universidade Islâmica de Gaza, deixando explícito, sem rodeios, que o embate entre "a questão palestina & o Estado de Israel" não tem como eixo a questão religiosa. O motor do conflito é poder e petróleo.

Nem mais e nem menos, embora introduções de artigos sobre o tema, corretamente, em geral dizem que na essência "a questão palestina é uma luta nacionalista do povo árabe da antiga Palestina para assegurar as fronteiras de seu Estado nacional: o mesmo território disputado pelo povo judeu, sob a alegação de que seus patriarcas - Abrahão, Isaac e Jacó - já o habitavam há muitos séculos". E que o conflito continua insolúvel porque "Israel se recusa a aceitar as três exigências que palestinos fazem para encerrar a luta de resistência: desocupação dos territórios; direito de retorno; e Jerusalém como capital palestina".

São comuns diferenças substanciais entre o que pensa um povo e o que faz o seu governo, logo é irracional condenar um povo pelos desatinos de seu governo. Todavia, é um imperativo ético não compactuar com argumentos que tentam justificar a promoção de massacres humanos de qualquer dos lados, como na "maior operação na Faixa de Gaza em quatro décadas" e sobre a qual o nicaraguense Miguel D'Escoto, presidente geral da Assembléia da ONU, disse que é "uma monstruosidade" e que "mais uma vez, o mundo assiste consternado à disfuncionalidade do Conselho de Segurança da ONU", pois em sua terceira reunião, no último dia 3 de janeiro, após o início dos bombardeios, "não houve acordo formal entre os países membros, mas notamos bastante concordância quanto à preocupação sobre a escalada da violência e a deterioração da situação, além de forte consenso quanto a um cessar-fogo imediato, duradouro e respeitado", conforme declaração do embaixador francês, Jean-Maurice Ripert, que presidiu a reunião.

O povo judeu em bloco não concorda e nem assiste passivamente aos ataques bélicos do governo de Israel contra o povo palestino. E vice-versa. É expressivo o número de judeus e de palestinos que advogam pelo fim dos ataques a civis, palestinos ou israelenses, a exemplo do movimento "Vozes Judaicas pela Paz" através da campanha "Luzes apagadas em Gaza, blecaute midiático nos Estados Unidos". A minha solidariedade a judeus e palestinos que desejam e lutam pela paz.



Publicado em: 06/01/2009 em O tempo

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A GUERRA NA MÍDIA E NA REALIDADE

Laerte Braga


Reinaldo Azevedo, que não faço a menor idéia de quem seja, usou o genocídio contra o povo palestino para criticar o ministro das Relações Exteriores, defender o governo do narcotraficante Álvaro Uribe na Colômbia e falar da "dor e do sofrimento" do povo de Israel.

Os rótulos de sempre quando se trata dos adversários de norte-americanos e nazi/sionistas, na prática, empresas que financiam a grande mídia. "Terroristas", "criminosos", vai por aí afora.

A sensação que se tem é que os mais de 500 mortos são cidadãos de Israel. Que os mais de dois mil feridos são israelenses e que as terras invadidas e ocupadas são as de Israel.

A edição das 19 horas desta segunda-feira do EM CIMA DA HORA da GLOBO NEWS só fez corroborar o amontoado de sandices de Reinaldo Azevedo. Quem assistiu deve ter imaginado que Israel está debaixo de um fogo cerrado de palestinos.

O alvo de Reinaldo Azevedo foi o ministro Celso Amorim e a nota do Ministério das Relações Exteriores sobre a monstruosidade nazi/sionista contra palestinos. A expressão "monstruosidade" é do secretário geral dá ONU. O articulista misturou Evo Morales, fez um sanduíche desses que entra tudo e depois sai da pior maneira possível.

Padrão McDonalds.

O grande azar dessa gente toda é que hoje a comunicação é instantânea. Fica difícil esconder as imagens da barbárie nazi/sionista da nova suástica, a estrela de Davi.

Não dá para esconder o genocídio.

Dá para tentar esconder e confundir a opinião pública com mentiras, como aconteceu com as armas químicas e biológicas do Iraque. Nunca existiram, mas se prestaram como desculpa para Bush invadir, ocupar e saquear o petróleo iraquiano.

É o que israelenses fazem desde a resolução da ONU que criou, em 1947, a Palestina e Israel. O mapa divulgado pelo jornalista Luís Carlos Azenha é preciso sobre isso. A Palestina quer existir.

O acordo de paz firmado entre Yasser Arafat e o primeiro-ministro Rabin terminou com o assassinato de Rabin. Por quem? Um "terrorista" palestino? Não, por um fundamentalista judeu.

Palestinos foram aos locais sagrados dos judeus provocá-los? Não. O general Ariel Sharon, logo após a morte de Rabin, de quem era adversário e crítico do acordo de paz, foi ao bairro palestino de Jerusalém provocar muçulmanos. Os fatos são públicos, notórios.

O acordo que resultou em eleições na Palestina acabou dando a vitória ao Hamas em Gaza e maioria no Parlamento. Com isso não contavam nem norte-americanos e nem israelenses.

O cerco a Gaza começou quando o Hamas em comunicado oficial anunciou que aceitava a existência de Israel e estava pronto para negociar a paz.

Não interessa a Israel a paz.

O holocausto é usado como forma de colocar israelenses como vítimas eternas da maldade nazista, a mesma que pratica contra palestinos, sem diferença alguma. Ora, morreram negros, ciganos, prostitutas, homossexuais, lésbicas, tudo o que Hitler não considerava "superior", nos campos de concentração nazistas. Não foram só judeus.

Os países que formavam a antiga União Soviética destroçaram o exército nazista ao custo de milhões de mortos.

Dor e sofrimento na IIª Grande Guerra não foram privilégio dos judeus.

O que se está discutindo hoje não é o holocausto e nem o direito de Israel existir. Mas o direito da Palestina existir. Foi o que decidiu a ONU.

Há uma inversão dos fatos e é deliberada. Não se trata de "povo superior". Se trata de interesses econômicos de grupos nazi/sionistas (que controlam governo e boa parte da opinião pública dos EUA) e norte-americanos.

São banqueiros, grandes empresários e essa barbárie que envenena os povos chamada de agro negócio.

Todo esse conjunto de mentiras de armas químicas no Iraque e de fato usadas agora por Israel (balas de tungstênio, fósforo e urânio empobrecido). A denúncia não é de "terroristas" palestinos, mas de jornais dos EUA, da Inglaterra, da BBC, da França.

A GLOBO aqui, principal zoológico norte-americano no Brasil, fechou o tempo com o canal quatro da Inglaterra pelo simples fato desse canal ter transmitido o discurso de Natal do presidente do Irã, onde ele fala de Cristo e das "religiões abraâmicas" num tom de paz e respeito.

Por quê? É que o canal quatro fez faz algum tempo um documentário sobre a corrupção e a podridão da família Marinho.

A mídia, a grande mídia é isso. É braço desse amontoado de mentiras sobre Hamas, sobre palestinos.

Quem quer existir são os palestinos. E em suas terras tomadas e ocupadas por nazi/sionistas de Israel.

Israel é um braço do terrorismo neoliberal, capitalista no Oriente Médio. Cumpre esse papel.

Quando investe contra o Irã acusando-o de projetar a construção de uma bomba atômica, de armas nucleares, esquece-se que é o único país da região a dispor de armas nucleares a partir de apoio e financiamento dos EUA.

É preciso entender que a mídia é paga. Remunerada. Quem financia a GLOBO, VEJA, etc, são grupos econômicos e muitos deles nazi/sionistas. É uma praga espalhada pelo mundo.

Boa parte dos "comentaristas" e "especialistas" que essa gente escuta e apresenta para dizer que o Hamas é o culpado de tudo, recebe. São "consultores" de empresas nazi/sionistas. Diferentes da reação indignada dos quem não se curvaram e nem recebem para se indignar com a barbárie e a estupidez nazi/sionista.

Quem não aceita essa "realidade" foto montada e sorri no almoço com o algoz.

Há milhões em jogo nos "negócios". E na cabeça dessa gente o que vale é o que o livro caixa registra. Vidas palestinas? Meu caro, a GENERAL MOTORS/MORTOS está sendo condenada nos EUA, lá mesmo, por acidentes com o modelo VECTRA que já matou centenas de pessoas por defeito de fábrica.

A empresa quer bilhões para evitar a falência e "salvar os empregos".

O presidente da VALE, empresa brasileira doada por FHC a grupos estrangeiros a troco de propinas para tucanos, já disse que vivemos "um período de exceção e medidas de exceção se justificam para salvar a economia". Essas medidas de exceção são os direitos trabalhistas que o dito quer "flexibilizar".

A família dele, AGNELLI, foi parceira de Mussolini no período fascista na Itália.

Essa guerra estúpida e bárbara não diz respeito só a palestinos não. Os povos do mundo inteiro são vítimas desse genocídio.

O que a mídia faz é tentar transformar, cada vez mais, pessoas em objeto. Para que as mortes de palestinos, africanos, asiáticos, quem quer que seja no contexto dos "negócios" não atrapalhe os ditos "negócios".

Aí aparece um Reinaldo Azevedo e faz um tremendo dum "samba do crioulo doido", misturando Evo Morales com o narcotraficante Álvaro Uribe, criticando Celso Amorim (restabeleceu a dignidade do Itamaraty – o último ministro de FHC um tal Láfer, até sapato tirou para ser revistado nos EUA quando ia em missão oficial).

É óbvio. É hora dessa turma faturar e se os fatos que escrevem ou narram são reais ou não, isso é o de menos. Importa é o dia do pagamento.

Vestem roupa de bons moços, falam defendendo a "democracia", a "liberdade" e coisa e tal, mas e daí? O Hamas ganhou a eleição.

Cometeu o "crime" de ganhar as eleições.

As crianças palestinas mortas, as mulheres estupradas, os saques feitos por nazi/sionistas isso é bobagem para eles. É aí que entra o tal "povo superior". A mídia é mera empregada dos donos do mundo.

É proibido indignar-se com a boçalidade nazi/sionista de Israel. É permitido passar no caixa e apanhar o cachê/michê.

Já vivem de quatro mesmo. "Heróis" estão chegando com o BBB-9.



Gaza: o novo Gueto de Varsóvia

Flávio Aguiar, Carta Maior.



É necessário lembrar, não só aos judeus e aos israelenses, mas a todos os povos do mundo, que permitir que o governo israelense transforme a Faixa de Gaza numa espécie de Gueto de Varsóvia redivivo, é a pior afronta que se pode fazer à própria história do povo judeu que durante séculos foi um dos alvos da intolerância e da construção da desigualdade.


Nos comentários e análises que correm sobre a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza, fica mais ou menos claro o que está por trás dela. Aqueles e aquelas podem ser mais ou menos acendrados em defesa da causa palestina, do Hamás (podem até ser bem críticos em relação a esse agrupamento político), mas retira-se, mais ou menos por consenso, as seguintes motivações para a brutal carnificina aérea que vem se processando, agora desdobrada e agravada pela invasão por terra:

1) Há um claro intuito eleitoral, uma vez que a coalizão conservadora no poder, liderada por Tzipi Livin, está ameaçada pelos ultra-conservadores liderados por Benyamin Netanhyau, no pleito antecipado para o próximo 10 de fevereiro.

2) Para as intenções de voto é crucial cortejar os colonos israelenses assentados ao sul de Israel, na região próxima à Faixa de Gaza.

3) Para isso é necessário elevar o moral militar de Israel, combalido depois da fracassada campanha contra o Hizbollah no Líbano, em 2006.
4) Para esses objetivos, o Hamás é um alvo político conveniente, por várias razões: é fraco militarmente; não tem apoio no mundo árabe; não tem o apoio nem mesmo da Fatah, sua co-irmã e rival. Politicamente, embora tenha o apoio até agora da população de Gaza, a posição do Hamás também é frágil e padece de inconsistências, pois sua política de lançar foguetes sobre Israel, mesmo como retaliação pelo bloqueio econômico, político, social e cultural sobre a Faixa, aproxima-se da temeridade de “cutucar a onça com vara curta”. É evidente que o objetivo imediato dessa política é diferenciar-se da Fatah, não ameaçar de fato Israel.
5) Além disso, há um objetivo de ganhar tempo. Apesar de não se esperar mudanças significativas na política externa norte-americana em relação ao Oriente Médio com a posse próxima de Barack Obama, é evidente que o governo israelense se sentia muito mais confortável com a dupla Bush Filho – Condoleezza Rice no poder. Trata-se de agir agora, antes que qualquer surpresa, mesmo completamente inesperada, possa se armar.

A questão maior é o que está pela frente. Isto é, quais serão os desdobramentos desse gesto político-militar que parte de um governo fragilizado, assombrado por uma direita interna cada vez mais agressiva, e cada vez mais isolado diante da opinião pública mundial, pelo menos a melhor informada.

Dois cartuns de Carlos Latuff usados em uma manifestação em Konya, Turquia, ontra o massacre de Gaza, janeiro de 2009. Ao fundo um carro da polícia e policiais observam o protesto.

Uma coisa é certa: a causa de Israel está sendo perdida, e pelos próprios israelenses. Israel é uma criação da ONU (1948), e só assim, como uma causa mundial, o país fez e faz sentido. Houve muita controvérsia, inclusive entre os movimentos políticos judaicos, sobre se Israel deveria ou não ter sido criado. Mas ele foi; e agora, falar da destruição do Estado de Israel (como fazem o Hamás e o Irã) implica, mesmo que se pretenda que não, em destruir o povo judaico na região.
No entanto, progressiva e mesmo programaticamente, Israel vem se distanciando deste tipo de cobertura internacional, tendo optado por um jogo de alianças com as políticas imperialistas dos Estados Unidos de algumas das potências européias na região. A realpolitik de Israel, sua busca por um “lebensraum” para assentar colonos e assentar-se em sua política interna, vem destruindo sua possibilidade política de sobrevivência a longo prazo. Israel vem se transformando num fantasma de si mesmo. A política de Israel vem sendo engolfada pelo terror. Pelo seu próprio terrorismo de estado em relação à população palestina; pelo terrorismo contrário que sua política fomenta. É justo, apesar das negativas histéricas ou feéricas, dizer que em parte o Hamas é uma cria de Israel, pois os governos deste, enquanto puderam, humilharam e sufocaram a Fatah e a Autoridade Palestina, chegando ao ponto de transformar a casa de seu líder num monte de
escombros.
Mas há mais. Premido pelas circunstâncias ou forçando-as, Israel optou por desenvolver sua própria política de hegemonia regional, às vezes até confrontando os interesses e o jogo político de seu maior protetor, os Estados Unidos. Dois casos ilustram muito bem esse jogo em que às vezes o menor encurrala o maior, contando, é claro, com seu lobby eleitoral em estados-chave para as eleições norte-americanas.

Já a partir de 1948 Israel iniciou seu programa nuclear, e hoje ninguém de bom senso duvida que seja um dos países que detém o poder da bomba. Em segundo lugar, Israel aproximou-se, nessa mesma atitude “defensiva”, da África do Sul, no tempo do regime do apartheid, o que abalou o serviço de defesa norte-americano. Graças a essa aproximação criou-se, por exemplo, o controverso caso do “Incidente Vela”, de setembro de 1977, quando um satélite norte-americano com esse nome captou indícios bastante consistentes de uma explosão nuclear no Oceano Índico, e os serviços secretos de vários países, por sua vez, captaram sinais bastante convincentes de que essa possível explosão nuclear seria uma operação conjunta do regime sul-africano e do governo de Israel.
Até hoje se discute se houve ou não a explosão; mas a aproximação de Israel com o pior da direita africana, através do Mossad ou de quadros jubilados desse serviço secreto, é bastante evidente. Um dos casos mais escandalosos disso foi a sustentação do regime de Houphouet Boigny na Costa do Marfim e depois o apoio sub-reptício dado a grupos populistas de direita contra os governos social-democratas no país, grupos esses que, curiosamente, tinham como uma de suas bases a população muçulmana empobrecida no norte do país.

Nesse ponto Israel parece ter atravessado o Rubicão no sentido de uma política imperial de conquista de espaço político a qualquer custo. Qualquer aproximação com um regime como o do apartheid nega pela raiz qualquer das idéias que levou à fundamentação da própria criação de Israel. Esse é o nó maior do que está acontecendo agora.

O tipo de guerra que Israel vem desenvolvendo na Faixa de Gaza, da qual a atual ofensiva é apenas uma parte, leva um observador que queira um pouco pelo menos de objetividade a considerar que ela se enraíza na idéia de que não há uma guerra entre Estados. Não há um propriamente um Estado palestino; Israel nunca deixou que isso pudesse se armar. A guerra parece ser mesmo “entre povos”. Nesse tipo de lógica, a sobrevivência de um supõe a destruição do outro. Não do outro estado, mas do outro povo. Coisa de Roma contra Cartago, mais ou menos.

É impossível hoje fazer o que Roma fez com Cartago, o que equivaleria na atual situação a destruir o povo palestino fisicamente. Trata-se então de destruí-lo espiritualmente. Ou seja, se é verdade que o alvo presente e imediato da ofensiva é o Hamás, o alvo permanente da guerra é o próprio povo palestino: bombardeá-lo, isolá-lo, sufoca-lo, até que espiritualmente ele se renda.

É uma guerra louca, porque seu primeiro efeito é o efeito bumerangue: os sobreviventes alemães do nazismo sabem muito bem disso. A insensibilidade em relação ao outro leva à insensibilidade em relação aos seus. Parodiando o famoso poema de Brecht, começa-se matando comunistas, depois os judeus, depois os ciganos, depois os homossexuais, depois os deficientes, depois... o vizinho e assim por diante: a lista não tem fim. A presente guerra é o prenúncio de uma guerra completamente fratricida no interior mesmo de Israel, no momento em que qualquer dos seus pilares de sustentação, sejam os econômicos ou as alianças políticas em escala mundial, fraquejarem. De certo modo isto já está acontecendo, pois arrastar um país inteiro numa guerra a longo prazo suicida, à beira de uma eleição é mais ou menos desenhar a perspectiva de ganhar ambas semeando minas para os próprios pés. Os pés do próprio povo, quero dizer.

É verdade que desafios análogos se colocam para a causa palestina. Não adianta clamar pela obediência às resoluções da ONU sobre fronteiras em 1967 se não se aceitar a resolução da mesma ONU de 1948. Não adianta clamar por um Estado palestino com reconhecimento internacional se os movimentos políticos palestinos não reconhecem sequer mutuamente a sua legitimidade. Antes de negociar com Israel ou outros é necessário que Hamás e Fatah negociem entre si.

Mais do que nunca, portanto, é necessário concertar duas coisas:

1) A causa da solidariedade internacional, em todos os níveis. Somente uma pressão internacional vigorosa poderá demover Israel de sua “guerra louca”; somente a idéia de que é possível, mesmo que no horizonte distante, concertar uma idéia de convivência soberana entre povos e nações, poderá neutralizar, mesmo que devagar, as políticas de aniquilamento mútuo que levam, no fundo, ao próprio aniquilamento moral.

2) É necessário mais do que nunca se solidarizar com a história do povo palestino e também com a história do povo judeu. É necessário lembrar, não só aos judeus e aos israelenses, mas a todos os povos do mundo, que permitir que o governo israelense, seja por que razões geo ou intra-políticas for, transforme a Faixa de Gaza numa espécie de Gueto de Varsóvia redivivo, é a pior afronta que se pode fazer à própria história do povo judeu, que durante séculos foi um dos alvos e bodes expiatórios da intolerância e da construção da desigualdade. Até por que o anti-semitismo, depois de séculos de construção, não vai desaparecer de uma hora para outra. Ao contrário, ele está apenas adormecido no fundo da gaveta, pronto para o bote. E se nada mudar, esse bote virá. Em que parte do mundo? Não se sabe, o que só aumenta a sensação de terror e o desarme da política.

Penso que uma maneira prática de enfrentar, a partir da cidadania comum, esses dilemas dramáticos, pode se assentar nas universidades, lugar de reflexão e que deveria ser instrumento de construção de uma cultura da paz em qualquer lugar do mundo. O ataque da aviação israelense contra a Universidade de Gaza é um bom motivo para se empreender uma tal reflexão e uma tal ação. Os departamentos e programas universitários – TODOS, não apenas os de hebraico e árabe, deveriam se comprometer com reflexões públicas sobre as possibilidades de paz na região e no mundo, diante dessa situação patética que só interessa a falcões. Seria um passo, pequeno, mas certamente adiante.

A Rosa da Palestina

Por Uraniano Mota em seu blog

Um poema de Vinícius ordena, suplica que "Pensem nas crianças mudas telepáticas. Pensem nas meninas cegas inexatas. Pensem nas mulheres rotas alteradas. Pensem nas feridas como rosas cálidas...". É esse poema, A Rosa de Hiroxima, é essa talha em versos que ordena, que resiste e insiste em nossa memória, quando vemos a foto de Somaeah Hassan, de 6 anos, abatida na faixa de Gaza. Essa flor fuzilada, entre gazes, olhinhos semicerrados, é a própria Rosa da Palestina.

Contenhamos a velocidade da mão, refreemos a velocidade da escrita, represemos o fluxo da leitura. Pedimos uma pausa no caleidoscópio, nas luzes fugazes, frívolas, vulgares do incessante ir e vir do noticiário de todos os dias. Somaeah Hassan está morta. Calma, buldogues, fechem suas bocas, canos quentes de balas, suspendam a digitação, noticiaristas, segurem por um instante a divulgação do mais quente e recente escândalo. Porque o escândalo já está feito: Somaeah Hassan está morta. Na foto, seus olhinhos se negam a compreender o horror das balas que a levantaram do chão de refugiados de Rafah. Negaram-se é maneira de dizer. São incapazes, nos seus 6 anos. Mais tempo houvesse, mais vida, outra vida tivesse, Somaeah compreenderia e se negaria a compreender o horror maior do seu povo cercado como cães raivosos. E a raiva, em cães, se abate. Mas a raiva, em gente feita cão, não se abate - apenas cresce, quando a crianças como Hassan abatem.

Refreemos a mão. É difícil. Mas tentemos.

Era bom, assim pede a paz que nosso peito deseja, era bom um lugar-comum que nos ajudasse, que nos socorresse. Dizer, por exemplo, que assim é a guerra, cruel como todas as outras, que nela não existem santos e demônios, que a guerra nos transforma a todos em anjos das trevas. Dito isto, seria melhor dizer que o terror feito pelo Estado de Israel apenas é uma resposta ao terror sofrido antes por sua gente. Dito isto, podemos afinal dizer que o mal e o mau têm que ser destruídos, para que só então a paz volte. Mas, ao chegarmos a este passo, perguntamos: mas de que mal e maus vocês falam, caras-pálidas? Pois será que ninguém ainda notou que a nossa cara tem a cara e o sangue da gente palestina? Que eles, os palestinos, são a nossa própria cara? Será que ninguém ainda percebeu que o desespero dos povos palestinos é o nosso próprio desespero em outras terras e em outras circunstâncias? Aquele mesmo desespero que acomete a gente em situações-limite? Ainda que os Estados Unidos mandem fazer a volta ao mundo uma negra para consumo externo, ela apenas nos aparece como um novo Al Jolson, com a cara tisnada. Os interesses de que ela fala não são os nossos. Servem à mesma rosa atômica que se fez cair em Hiroxima e Nagasáqui.

Então voltemos, mais serenos. Mas, desgraça, descobrimos: serenos, não temos mais mãos. Temos somente uma grande letargia. Então quebremos o torpor, voltemos ao princípio.

"A rosa hereditária, a rosa radioativa, estúpida e inválida. A rosa com cirrose, a anti-rosa atômica" sofreu uma tradução no campo de refugiados da faixa de Gaza. Ela se fez uma rosa fuzilada, a Rosa da Palestina, no corpinho frágil de Somaeah Hassan. Essa menina nos fere como uma filhinha morta. Ela, em árabe, em dialeto, em outra língua, nos fala e a compreendemos como compreendemos e amamos uma própria filha que o nosso sêmen esculpiu. Mais: como um serzinho esculpido por nós por um nosso irmão. Mais: irmão com um sentido de irmão mais fundo que o genético. Mais: com um sentido de irmão mais fundo que o racial. Mais: com um sentido de irmão mais fundo que o nacional. Mais, finalmente: com um sentido de irmão que é o próprio sentido de humanidade. Hassan é a nossa própria humanidade abatida. Ela se abre em outras rosas que se despedaçam em Jerusalém. Rosas que em vez de pétalas jogam carnes, fígado, coração e intestinos.

Já secamos as lágrimas. Não nos perguntem portanto por que vomitamos. Nós não queríamos ter essas Rosas da Palestina.
******************************

Não sei o motivo da escolha de Urariano, pois Somaeah Hassan foi morta em 2002 como informa a legenda da foto de seu funeral reproduzida abaixo. De todo modo, há 60 anos o sionismo produz muitas rosas da palestina:
Meninas palestinas ao redor do corpo de Somaeah Hassan, de seis anos de idade, morta por soldados israelenses em 6 de abril de 2002, no sul da Faixa de Gaza, no acampamento de refugiados de Rafah. (Foto por Abid Katib / Getty Images)

Domingo, Janeiro 04, 2009

Cenas de protestos de judeus ortodoxos no mundo contra o Estado sionista de Israel

Repare bem, você tem visto cenas como esta na imprensa brasileira? Possivelmente não, mas no mundo todo os judeus não sionistas (como o resto da humanidade) condenam o Estado Sionista de Israel e ocupam as ruas para condenar e protestar contra o massacre em Gaza.

Em junho do ano passado eles também sairam às ruas para protestar contra as celebrações dos 60 anos do Estado de Israel. Para os judeus ortodoxos o Estado de Israel é ilegal e imoral, a Torá e o Talmud condenam a formação de um estado judeu, assim como reconhece o direito dos palestinos de viverem em sua própria terra.


As fotos a seguir mostram-nos (como inúmeros textos de lideranças judias que publicamos aqui), que a resistência dos judeus não sionistas no mundo todo contra as inúmeras violências de Israel também é cotidiana.


Observação: todas as imagens foram recolhidas de
Neturei Karta International: Judeus Unidos contra o sionismo


Judeus ortodoxos anti-sionistas de Jerusalém reúnem-se com lideranças árabes em protesto contra a demolição de lares palestinos, 28 de julho de 2008

O que será que a imprensa brasileira diria se um palestino ou qualquer outro que não fosse judeu portasse um cartaz com esta mensagem? Certamente seria acusado de anti-semita. Será que é por isso que não vemos essas demonstrações na imprensa? Jerusalém, 28 de julho de 2008. O cartaz prega o fim do Estado de Israel o fim da brutalidade sionista de árabes e judeus!

O cartaz convoca as organizações de direitos humanos para intervir imediatamente e socorrer os irmãos palestinos do cativeiro dos sionistas. Protesto com a demolição de lares palestinos em Jerusalém, 28 de julho de 2008.
O cartaz afirma: sionistas não são judeus!

22 de setembro em Nova York: apelo ao presidente iraniano que respeito o judaísmo e condene o sionismo.

Este cartaz radicaliza, segundo os judeus ortodoxos de Nova York a solução para a paz é o desmantelamento do Estado de Israel. Atentem que sempre usam Israel entre aspas, numa clara demonstração que este não é um Estado legítimo para os judeus.

Em Toronto, Canadá, os judeus ortodoxos condenam o Estado de Israel denominando-o de assassino e ladrão, que a formação deste estado é um desastre contra a humanidade; o outro cartaz afirma que o judaísmo rejeita o Estado Sionista de Israel e suas atrocidades.

Em Durban, África do Sul, rabino explica para uma platéia a diferença entre judaísmo e sionismo condenando o segundo e afirmando que os sionistas não são judeus.

O protesto em Durban foi ecumênico lideranças religiosas judias e muçulmanas discursaram conjuntamente mostrando que é uma falácia que essas religiões não podem conviver pacificamente.

Vários rabinos ortodoxos condenam o uso que os sionistas fazem do Holocausto para justificarem suas atrocidades contra os palestinos e acusarem todos que condenam as ações de Israel como anti-semitas. A manchete em espanhol afirma: O Estado de Israel explora o holocausto.


Dia 29 de dezembro 2008, na Trafalgar square, em Londres, judeus seguram a bandeira da Palestina e afirmam nos cartazes que Israel é um Estado de terror.

Londres: os judeus autênticos não celebram os 60 anos da criação do Estado de Israel ao contrário, para eles são 60 anos de ocupação/invasão sionista da terra sagrada.


Lembrem-se da vergonha de Israel: isolamento dos palestinos que tornam crianças inocentes prisoneiras, fazem de Gaza a maior prisão a céu aberto.

Nova York, 28 de dezembro de 2008: Israel não tem o direito de falar pelos judeus


Em Nova York, 28/12/2008, ao lado do mapa da Palestina (pintado com as cores da bandeira Palestina) hoje Estado de Israel, o cartaz afirma que judeus autênticos jamais reconhecem a legitimidade do Estado de Israel.

Também em Nova Iork o cartaz afirma: Judaimos e sionismos são extremos opostos.

Nova York: o cartaz afirma que é mandamento da Torá que os palestinos tenham direito a autodeterminação de seu povo, governo, terra e país.

Nova York: Estado de israel não representa o mundo judaico

Nova York: Nós somos contra o Estado de Israel, porque nós somos judeus

Nova York: Palestinos e judeus são povos irmãos

Manifestação em Washington DC: um dos cartazes diz: Leiam o Taldmud, segundo suas leis os judeus são proibidos de criarem um Estado próprio

Sábado, Janeiro 03, 2009

O sionismo de Israel vai provocar a Terceira Guerra Mundial?

Que cinismo tomou conta dos líderes (sic) mundiais, do mundo árabe, dos EUA de Obama? O que estão esperando para tomarem uma atitude efetiva de bloqueio econômico a Israel, de rompimento de relações diplomáticas para que pare este ataque insano que mata dezenas de pessoas por dia e no curso de uma semana já matou mais de 500 pessoas inocentes e feriu mais de 3 mil pessoas?

Todos parecem a Liga das Nações de 1938 diante do avanço de Hitler sobre o território europeu, concessão atrás de concessão, silêncio conivente, omissão. Quantas crianças, mulheres, jovens palestinos mais deverão morrer para que esses fantoches do imperialismo tomem providências concretas?

Neste sábado, milhares de pessoas saíram em passeata em cidades de vários países da Europa para exigir o fim dos bombardeios israelenses na Faixa de Gaza, só em Londres 12 mil pessoas saíram às ruas contra o genocídio sionista em Gaza; em Paris 20 mil pessoas e em resposta Israel convoca 10.000 reservistas e inicia sua invasão por terra!

Carros foram incendiados durante protesto em Paris/Thibault Camus/AP (uol)

Em Paris, manifestantes a favor dos palestinos derrubam carro durante protesto; segundo a polícia da cidade, mais de 20.000 manifestantes, muitos vestindo keffiyeh (lenço de cabeça palestino ), caminharam pelas ruas gritando slogans como ''Israel assassino!'' e levando faixas que exigiam o fim dos ataques. Thibault Camus/AP (uol)

Manifestantes rezam diante de placas pedindo liberdade para o povo palestino durante protesto em frente a embaixada de Israel em Atenas. Louisa Gouliamaki/AFP (uol)

Manifestante ateniense em protesto hoje, cerca de 5 mil sairam às ruas contra o sionismo de Israel em Gaza. Simela Pantzartzi/EFE (uol)

Milhares de manifestantes foram às ruas de Amsterdã, na Holanda, a favor da população palestina; em muitas cidades européias as pessoas acenavam com sapatos —relembrando o ato do jornalista iraquiano Muntazar al-Zaidi que lançou seu calçado contra o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em Bagdá, no mês passado. Robin Utrecht/EFE (uol)

Cenas do protesto da invasão de israel em Gaza também em Roma, Itália. Andreas Solaro/AFP (uol)
Roma, Itália.

Na Espanha, manifestantes pisoteiam bandeira israelense contra ofensiva em Gaza. Daniel Ochoa de Olza/AP (uol)

Protestantes entram em choque com a polícia de Londres em frente a embaixada de Israel na cidade. Ben Stansall/AFP

Menina saudita deposita dinheiro em caixa para campanha a favor dos palestinos na Faixa de Gaza, em Riyadh, na Arábia Saudita. Reuters

A Segunda Revolução Verde, meu quiabo e a promiscuidade do poder público

Acordei decidida a não comer trash food: no natal, ano novo, nos encontros de fim de ano com os amigos costumamos exagerar na dose e fugir do bom e velho feijão com arroz.


Na quinta, almoçando uma moqueca capixaba maravilhosa com casais amigos, Raquel, a anfitriã, conta-nos sobre seu um curso de culinária e nos mostra suas recentes aquisições: revistas e livros sobre a literatura culinária. Uma receita chamou-me a atenção: um prato mineiro - angu como base para apoiar o músculo refogado, decorado com quiabos.


Visualmente o prato era lindo e como boa filha de nordestina que sou, adoro quiabo e acho a carne de músculo, quando bem limpa, saborosíssima. Decidi que me aventuraria a fazer o prato de cabeça, rememorando a fotografia atraente da revista de culinária.


Enquanto andava alguns metros para ir à banca do seu Francisco que acorda cedinho lá no Embu pra ir ao CEASA e trazer a seus fregueses, aqui no Rio Pequeno, produtos frescos, dei graças aos deuses pela Monsanto ainda não ter deteriorado a semente do quiabo.


Há pelo menos uma década a Monsanto vem mudando meus hábitos alimentares: eu que sempre gostei de soja, cortei todo o consumo desta leguminosa ou ao menos tento cortar. Mas, segundo o Greenpeace nem todas as indústrias alimentícias respeitam a lei que exige o símbolo do T no triângulo amarelo para indicar que o produto é transgênico. Assim, desavisados, corremos o risco de consumir transgênicos sem saber. Há ainda deputados gaúchos que acham muito ‘agressivo’ o símbolo que informa ao consumidor a origem transgênica do produto (uma das poucas vitórias dos ambientalistas brasileiros) e querem eliminá-lo da legislação. Decididamente é melhor não arriscar e talvez rezar.


Rezar ou começar a apoiar seriamente os grupos e iniciativas que desejam e lutam pelo estabelecimento de uma agricultura limpa, porque com esta política insana do agronegócio comandando todas as decisões de como, o que, e onde plantar nós estamos realmente fritos.


Segundo agrônomos do MST que, por sua vez, baseiam-se em pesquisas acadêmicas, a polinização de milho e soja transgênicos, por exemplo, é capaz de atingir uma distância de 500 metros, ou seja, se você é produtor de soja orgânica ou não transgênica e está perto de algum plantio de produtos transgênicos, esqueça, sua plantação vai se contaminar. Agora, imagine isso no esquema atual dos latifúndios monucultores em escala global. Imaginou? Vento, passarinho e outros insetos polinizadores estão pouco se lixando com as cercas das fazendas ou outras fronteiras geopolíticas. Vocês se lembram como a soja transgênica chegou ao Brasil? Foi via Argentina, que em meados da década de 1990 liberou o seu plantio.


Essa praga geneticamente modificada é tão potente que é capaz de alcançar os vales isolados mexicanos onde há dez mil anos os astecas, mexicas e outros povos cultivam dezenas de espécies diferentes de milho. No México não se planta milho transgênico, mas ele chega ao território do povo do milho, exportado dos Estados Unidos via o NAFTA.

Pesquisadores mexicanos renomados, casualmente, descobrirem que já está nascendo milho geneticamente modificado em território mexicano. Corremos o risco de perder a maior diversidade de sementes de milho do planeta e se esta variedade de milhos mexicanos for contaminada estamos fritos. O documentário da Marie-Monique mostra essas plantas nascidas de uma polinização sem controle. Elas são deformadas, completamente esquisitas, milhos com orelhas, folhas retorcidas, flores com folha misturada ao miolo, um pequeno exemplo da visão fantasmagórica da natureza em um futuro próximo, caso o projeto criminoso da Monsanto não seja detido.


Tenho uma amiga geógrafa, especialista em solo, que diz que esta política destrutiva é toda ela feita por velhacos sovinas, avarentos, ávidos pelo lucro, que não viverão pra ver o resultado dos estragos que provocam ao meio ambiente. Vocês já viram a decrepitude do diretor geral da Monsanto? Seja como for, eu queria que minha filha e meus netos e todos que ainda estão por vir tivessem direito a uma terra sem envenenamento, à água potável, a um lugar ao sol.


E por falar em água e solo, como esses recursos ficam depois da passagem da Monsanto? Perguntemos a uma comunidade do Alabama, majoritariamente formada por população negra e pobre. Foi o que Marie-Monique Robin fez em seu documentário ao visitar Anniston, a cidade onde nasceu a Monsanto. Lá, um prefeito energúmeno permitiu que o solo da cidade servisse de descarte para os tanques de PCBs (bifenila policloradas) - líquidos para refrigerar transformadores de eletricidade. Na fabricação deste produto a Monsanto utilizava grandes quantidades de dioxina e sem conhecimento e, portanto, sem consentimento da população a terra de Anniston virou cenário de ficção científica: um cemitério de mortos vivos no qual 50% da população apresenta níveis altíssimos dessa substância no organismo e que provoca os mais pavorosos tipos de câncer. A Monsanto foi criminalmente responsabilizada, obrigada a construir um hospital especializado pra atender a população contaminada em um custo de cerca de 750 milhões de dólares, café pequeno para o lucro que ela tem provocado com a sua indústria da morte.


Um agricultor paraguaio que também depõe no documentário de Marie-Monique sabe bem o que é ser vizinho da Monsanto: depois de uma chuva perdeu todos os seus patos que foram nadar no rio que passa por sua pequena chácara e que foi contaminado pelos defensivos agrícolas utilizados nas lavouras de soja transgênica. Ele e sua família são obrigados a caminhar horas em busca de água não contaminada, mesmo assim, seu filho menor que é obrigado a circular nas cercanias da área agrícola transgênica tem uma doença de pele esquisitíssima, desenvolvida depois da chegada do cultivo transgênicos e seus defensivos agrícolas.


Sempre tive uma desconfiança instintiva dos transgênicos, por achar que não se brinca de mãe natureza impunemente, mas como todo leitor do livro O mundo segundo a Monsanto e expectador do documentário que deu origem ao livro eu, realmente, não tinha idéia da dimensão global do estrago.


Nos EUA famílias inteiras de agricultores, plantando ou não milho ou soja transgênica, são depauperadas em processos sem fim movidos na Justiça pela Monsanto e isto também está ocorrendo no Brasil. O esquema é de espionagem e intimidação mafiosa. Há agricultores brasileiros que plantam soja orgânica e estão sendo obrigados judicialmente a pagar royalties para a Monsanto, mesmo sendo eles os maiores prejudicados pela contaminação de suas terras.


Quanto à promessa vendida pela Monsanto em caríssimas peças publicitárias de que o produto transgênico é mais resistente às pragas, necessita de menos defensivos agrícolas e produz mais, é pura balela que os agricultores só vão descobrir quando já se tornaram reféns da Monsanto. Os produtores de algodão da Índia que estão ampliando em números alarmantes as estatísticas de suicídio no meio rural que o digam. Quase 700 se mataram nos últimos anos, após verem as promessas de lucro de suas lavouras de algodão se transformarem em comida de praga e suas dívidas junto à Monsanto tornarem-se impagáveis.


A Monsanto hoje detém o monopólio das sementes no mundo: tem 600 patentes sobre organismos vivos o que lhe permite cobrar o preço sobre as sementes que lhe der na telha, encarecer os alimentos com a cobrança dos royalties e pôr em risco a segurança alimentar mundial. Há uma pesquisadora indiana, Vandana Shiva, que vem estudando os terríveis efeitos da Segunda Revolução Verde (transnacionais, agronegócio, monocultura, produção para exportação, exclusão social, busca incessante por lucro) e tem muito a nos dizer sobre o que restará para pôr nos nossos pratos e alimentar nossos corpos.


Quando Marie- Monique esteve aqui no Brasil, no início de dezembro do ano passado, eu fiz um apanhado para ela de como as coisas funcionam em nosso país. Relatei-lhe resumidamente como se estabelecem as relações entre o agronegócio e o poder público, como elas estão escandalosamente misturadas: contei-lhe um pouco sobre a atuação de Quartiero em Roraima; sobre a perseguição implacável do Ministério Público gaúcho ao MST, especialmente, porque, em nosso país, este é o único movimento social que peita a Monsanto, a Bunge e as demais transnacionais do agronegócio. Forneci outros exemplos desta relação suspeita, porque sabia que ela iria à Brasília falar ao Congresso Nacional. Eu gostaria de saber quais eram as expectativas dela em relação aquele encontro, visto que nossa realidade não era nada diferente do quadro promíscuo de relações entre poder público e poder econômico estabelecido nos diversos países retratados no seu documentário.


Ela, como toda pessoa de bem que investe em informação e educação, seguia para lá com esperanças de despertar em nossos homens públicos o interesse para as graves conseqüências ambientais, econômicas e sociais provocadas pelo agronegócio, especialmente pelos transgênicos. Sua resposta para minha questão foi a de que se ao menos um político procurasse se informar mais sobre o assunto antes de legislar seria uma vitória.


Tomara que ela tenha tido sucesso. Eu, infelizmente, quando vejo um presidente proveniente dos estratos populares, de origem operária e de esquerda, escorregar feito quiabo e ceder ao projeto de desenvolver o país a qualquer custo (e sabemos que o desenvolvimentismo é mais discurso que realidade), não tenho grandes esperanças. Cedo ou tarde Lula também terá de pagar a sua fatura por fazer tantas concessões ao agronegócio, Marina Silva que o diga e meu quiabo que se cuide.

Sexta-feira, Janeiro 02, 2009

O mundo se levanta contra o genocídio em Gaza

Vão do Masp, São Paulo, SP, Brasil

Vão do Masp, São Paulo, SP, Brasil

Vão do Masp, São Paulo, SP, Brasil

Vão do Masp, São Paulo, SP, Brasil


Vão do Masp, São Paulo, SP, Brasil



Sidney, Austrália


Nova York, EUA

Madrid, Espanha


Londres, Reino Unido

Londres, Reino Unido
Londres, Reino Unido

Lahore, Paquistão

Jordânia

Jacarta, Indonésia

Istambul, Turquia

Hesbollah, Dahiyeh, Líbano

Damasco, Síria

Cairo, Egito

Beirute, Líbano

Bagdá, Iraque

Ankara, Turquia

Amã, Jordânia

Afeganistão

Israel

Israel

By José Saramago

Não é do melhor augúrio que o futuro presidente dos Estados Unidos venha repetindo uma e outra vez, sem lhe tremer a voz, que manterá com Israel a “relação especial” que liga os dois países, em particular o apoio incondicional que a Casa Branca tem dispensado à política repressiva (repressiva é dizer pouco) com que os governantes (e porque não também os governados?) israelitas não têm feito outra coisa senão martirizar por todos os modos e meios o povo palestino. Se a Barack Obama não lhe repugna tomar o seu chá com verdugos e criminosos de guerra, bom proveito lhe faça, mas não conte com a aprovação da gente honesta. Outros presidentes colegas seus o fizeram antes sem precisarem de outra justificação que a tal “relação especial” com a qual se deu cobertura a quantas ignomínias foram tramadas pelos dois países contra os direitos nacionais dos palestinos.

Ao longo da campanha eleitoral Barack Obama, fosse por vivência pessoal ou por estratégia política, soube dar de si mesmo a imagem de um pai estremoso. Isso me leva a sugerir-lhe que conte esta noite uma história às suas filhas antes de adormecerem, a história de um barco que transportava quatro toneladas de medicamentos para acudir à terrível situação sanitária da população de Gaza e que esse barco, Dignidade era o seu nome, foi destruído por um ataque de forças navais israelitas sob o pretexto de que não tinha autorização para atracar nas suas costas (julgava eu, afinal ignorante, que as costas de Gaza eram palestinas…) E não se surpreenda se uma das suas filhas, ou as duas em coro, lhe disserem: “Não te canses, papá, já sabemos o que é uma relação especial, chama-se cumplicidade no crime”.


Extraído do blog do Saramago "O Caderno de Saramago"

Operação "cast lead"

Uri Avnery (distribuído por e-mail, traduzido por Carla Fittipaldi)

Pouco depois da meia-noite, o canal árabe Aljazeera exibia matéria sobre os eventos em Gaza. De repente, a câmera apontou para o céu escuro. Tela negra. Não se via coisa alguma. Mas ouvia-se o ruído dos aviões, assustador, um rugido apavorante.

Impossível não pensar nas dezenas de milhares de crianças de Gaza que ouviam aquele ruído naquele momento, encolhidas, paralisadas de medo, à espera da explosão das bombas.

"Israel tem de defender-se contra os foguetes que aterrorizam as cidades do sul do país", explicou o porta-voz israelense. "Os palestinenses têm de reagir contra o assassinato de seus combatentes na Faixa de Gaza", declarou o porta-voz do Hamás.

De fato, não se pode dizer que o cessar-fogo foi rompido, porque nem chegou a haver cessar-fogo, para começar. A principal exigência, para que haja qualquer cessar-fogo na Faixa de Gaza é que se libere a passagem nos postos de fronteira. Não há vida possível em Gaza sem um fluxo regular de suprimentos. E os postos não foram abertos, senão apenas por algumas horas, esporadicamente. O bloqueio por terra, mar e ar contra 1,5 milhão de seres humanos é ato de guerra, tanto quanto lançar bombas ou lançar rojões. O bloqueio paralisa a vida na Faixa de Gaza: extingue fontes de trabalho e emprego, limita oportunidades onde já praticamente não há oportunidade alguma, leva centenas de milhares de pessoas à fome, impede que os hospitais funcionem, corta o suprimento de eletricidade e água.

Os que decidiram fechar os postos de passagem - seja qual tenha sido o pretexto - sabem que nunca haveria e não houve efetivo cessar-fogo, nessas condições.

Isso é o principal. Depois, vieram as provocações menores, planejadas para obrigar o Hamás a reagir. Depois de vários meses, durante os quais praticamente não foram lançados rojões Qassam, uma unidade do exército foi mandada à Faixa, para "destruir um túnel localizado muito próximo da cerca de fronteira". De um ponto de vista estritamente militar, faria mais sentido montar uma emboscada dos dois lados da cerca. Mas o objetivo era criar um pretexto para pôr fim ao cessar-fogo, de modo que parecesse plausível culpar os palestinenses. Afinal, depois de várias pequenas ações, nas quais foram assassinados combatentes do Hamás, o Hamás retaliou com lançamento massivo de rojões, e - abracadabra - acabou o cessar-fogo. Todos culparam o Hamás.

Para quê? Tzipi Livni disse abertamente: para derrubar o governo do Hamás em Gaza. Os rojões Qassam foram o pretexto.

Derrubar o governo do Hamás? Soa como capítulo de "A Marcha da Insensatez". Afinal de contas, todo mundo sabe que, para começar, o governo de Israel praticamente criou o Hamás. Uma vez, perguntei a um ex-chefe do Shin-Bet, Yaakov Peri, sobre isso, e ele respondeu-me com ar enigmático: "Não criamos, mas tampouco dificultamos."

Durante anos, as autoridades da ocupação estimularam o movimento islâmico nos territórios ocupados. Quaisquer outras atividades políticas foram rigorosamente suprimidas, mas a atividade dos movimentos islâmicos nas mesquitas continuou liberada. O cálculo foi tão simples quanto ingênuo: a OLP era considerada o principal inimigo de Israel, Yasser Arafat era o demônio da hora. O movimento islâmico combatia a OLP e Arafat. 'Então'... foi tratado como aliado de Israel.

Na primeira intifada, em 1987, o movimento islâmico oficialmente se rebatizou: passou a chamar-se Hamás (sigla, em árabe, de "Movimento da Resistência Islâmica") e mergulhou na luta. Mesmo então, o Shin-Bet nada fez contra o Hamás durante quase um ano, enquanto os membros do Fatah eram executados ou presos aos magotes. Israel só reagiu depois de um ano, e prendeu também Sheikh Ahmed Yassin e seus seguidores.

Depois disso, as coisas mudaram. Hoje, o demônio da hora é o Hamás, e a OLP é vista por muitos em Israel quase como um braço do movimento sionista. A conclusão lógica, se o governo de Israel quisesse a paz, seria aceder ao que pedem as lideranças do Fatah: fim da ocupação, assinar um tratado de paz, instituir um Estado da Palestina, retorno às fronteiras de 1967, solução razoável para o problema dos refugiados, libertação de todos os prisioneiros palestinenses. Com isso, com certeza, o crescimento do Hamás teria sido contido.

Mas lógica e política não se dão bem. Nada daquilo aconteceu. Aconteceu o contrário. Depois do assassinato de Arafat, Ariel Sharon declarou que Máhmude Abbas, que sucedeu Arafat, era "galinha depenada". Não permitiram que Abbas contabilizasse a seu favor nenhum feito político, por pequeno que fosse. As negociações, patrocinadas pelos EUA, viraram piada. O mais autêntico dos líderes do Fatah, Marwan Barghouti, foi preso, com sentença de prisão perpétua. Em vez de libertação de prisioneiros, só "gestos" estreitos e insultantes.

Abbas passou a ser sistematicamente humilhado, o Fatah virou saco vazio e o Hamás obteve retumbante vitória eleitoral nas eleições na Palestina - as eleições mais democráticas que jamais houve no mundo árabe. Israel imediatamente pôs-se a boicotar o governo eleito. Na luta interna que se seguiu, o Hamás obteve controle direto sobre a Faixa de Gaza.

Agora, depois de tudo isso, o governo de Israel decidiu "liquidar o poder do Hamás em Gaza" - com sangue, fogo e colunas de fumaça.

O NOME OFICIAL da guerra é "Cast Lead" [provavelmente, "soldadinho de chumbo", dentre outras traduções possíveis], duas palavras tiradas de uma canção infantil sobre um brinquedo do Hanukkah.

Mais adequado seria que a chamassem "Guerra das Urnas".

Já outras vezes, no passado, também houve guerra durante campanhas eleitorais. Menachem Begin bombardeou o reator nuclear do Iraque durante a campanha eleitoral em 1981. Quando Shimon Peres reclamou que seria golpe eleitoral, Begin esbravejou, logo no comício seguinte: "Judeus! Crêem que eu mandaria nossos valentes rapazes para a morte ou, pior, para cair prisioneiros nas mãos de animais, só para vencer uma eleição?" Begin venceu.

Peres não é Begin. Quando, durante a campanha de 1996, ordenou a invasão do Líbano (operação "Vinhas da Ira"), todos sabiam que o fizera por puro cálculo eleitoral. A guerra foi um fracasso para Israel, Peres perdeu e Binyamin Netanyahu chegou ao poder.

Barak e Tzipi Livni recorrem agora ao mesmo velho golpe. Segundo as pesquisas, só nas últimas 48 horas, Barak já conquistou mais cinco cadeiras no Parlamento. Cerca de 80 cadáveres de palestinos por voto eleitoral.

Fato é que é muito difícil caminhar sobre uma pilha de cadáveres. Os ganhos eleitorais podem evaporar. Basta, para que evaporem, que a opinião pública em Israel passe a ver a guerra como um fracasso. Por exemplo, se os Qassams continuarem a atingir Beersheba, ou se a invasão por terra levar a muitas mortes de soldados israelenses.

O timing foi cuidadosamente escolhido, também por outro critério. Os ataques começaram dois dias depois do Natal, quando os líderes europeus e norte-americanos estão em férias, até o Ano Novo. A idéia brilhante: ainda que alguém sinta algum ímpeto de deter a guerra, ninguém desistirá do feriado. Assim, Israel ganhou vários dias sem qualquer pressão do exterior.

Mais uma razão para a ocasião escolhida: são os últimos dias de George Bush na Casa Branca. Cabia esperar que esse tolo encharcado de sangue apoiasse entusiasticamente a chacina, o que, de fato, ele fez. Barack Obama ainda não tomou posse e encontraria pretexto perfeito, pronto, para não interferir: "só há um presidente". O silêncio nada acrescenta, de positivo, à história do governo Obama.

A IDÉIA CENTRAL foi: não repetiremos os erros da Segunda Guerra do Líbano. Essa fala foi incansavelmente repetida em todos os jornais, nas entrevistas e noticiários de televisão. O que não altera o fato: a Guerra de Gaza é réplica quase idêntica da Segunda Guerra do Líbano.

O conceito estratégico é o mesmo: aterrorizar a população civil, com ataques implacáveis por ar, semeando a maior quantidade possível de morte e destruição. Esse tipo de estratégia não implica risco para os pilotos israelenses, porque os palestinenses não têm qualquer armamento de defesa anti-aérea. O plano: se a infra-estrutura de manutenção da vida diária das populações que vivem na Faixa for completamente destruída e se se implantar total anarquia... a população se levantará e derrubará o regime do Hamás. Então, Máhmude Abbas voltará para Gaza montado nos tanques de Israel.

No Líbano, o mesmo plano deu errado. A população chacinada, inclusive cristãos, reuniu-se em torno do Hizbóllah, e Hassan Nasrallah tornou-se herói do mundo árabe. O mesmo, provavelmente, acontecerá agora. Generais entendem de matar e movimentar tropas, não de psicologia de massas.

Há algum tempo escrevi que o bloqueio de Gaza é experimento científico, para determinar o quanto agüenta uma população privada de tudo, antes de que a espinha dorsal se parta. É experimento conduzido com o generoso apoio da Europa e dos EUA. Até agora, deu em nada. O Hamás tornou-se mais forte e os Qassam alcançam alvos cada vez mais distantes. A guerra, hoje, é a continuação do mesmo experimento, por outros meios.

É possível que não tenha restado "outra alternativa" ao exército, além de tentar reocupar a Faixa de Gaza, porque não há outro meio de deter os Qassams - exceto um acordo com o Hamás, o que contraria a política do governo. Quando começar o avanço por terra, tudo dependerá da motivação e da capacidade de combate dos soldados do Hamás, contra os soldados israelenses. Ninguém sabe o que acontecerá.

DIA A DIA, noite após noite, o canal árabe Al-Jazeera exibe imagens atrozes: corpos mutilados, velhos e crianças chorando, à procura dos seus, nas dezenas de cadáveres espalhados no chão, uma mulher puxando de uma pilha de cadáveres o cadáver de uma menina, médicos exauridos, sem remédios e sem gaze, tentando salvar a vida dos feridos. (O canal Aljazeera que transmite em inglês, diferente do canal que transmite em árabe, tem exibido imagens saneadas e repetido a incansável propaganda do governo de Israel. Seria interessante descobrir o que houve por lá.)

Milhões de pessoas estão vendo aquelas imagens terríveis, tela após tela, dia e noite. São imagens que ficam gravadas na memória para sempre: Israel, a horrível. Israel, a abominável. Israel, a desumana. Cria-se hoje mais uma geração que odeia. É erro horrendo, pelo qual Israel continuará a pagar, até muito depois de todos esquecerem quaisquer outros resultados dessa guerra.

Mas outra coisa está também sendo inscrita para sempre, na mente de milhões: o retrato dos miseráveis, corruptos, passivos regimes árabes. Do ponto de vista dos árabes, um fato é hoje visível, inescapável: que governos vergonhosos!

Para o milhão e meio de árabes em Gaza, que sofrem tão terrivelmente, a única abertura para o mundo, não controlada por Israel, é a fronteira com o Egito. Só por ali podem chegar comida para matar a fome, ou medicamentos para os feridos. Essa fronteira permanece fechada, no momento do terror máximo. O exército egípcio bloqueou a única via possível para que cheguem remédios, em momento em que os feridos estão sendo operados sem anestésicos.

Por todo o mundo árabe, de um extremo a outro, ecoaram as palavras de Hassan Nasrallah: Os líderes egípcios são cúmplices do crime. Estão colaborando com o "inimigo sionista" na tentativa de dobrar o povo da Palestina. Evidentemente, não se referia apenas a Mubarak, mas a todos os demais, do rei da Arábia Saudita ao presidente palestino. Quem assista às manifestações que estão acontecendo em todo o mundo árabe e ouça seus slogans terá a impressão de que, para muitos árabes, os políticos parecem patéticos, no melhor dos casos; ou criminosos colaboracionistas, no pior.

Tudo isso terá consequências históricas. Uma geração inteira de líderes árabes, uma geração imbuída da ideologia secular do nacionalismo árabe, os sucessores de Gamal Abd-al-Nasser, Hafez al-Assad e Yasser Arafat, pode estar sendo varrida do cenário. Podem estar dando lugar, no mundo árabe, à única alternativa que ainda parece viável: a ideologia do fundamentalismo islâmico.

Essa guerra é como um graffiti no muro: Israel está perdendo a chance histórica de fazer paz com o nacionalismo árabe secular. Amanhã talvez seja obrigada e enfrentar um mundo uniformemente árabe fundamentalista, o Hamás multiplicado por mil.

MEU MOTORISTA DE TÁXI, em Telavive, dia desses, pensou em voz alta: Por que não convocam os filhos dos ministros e dos deputados, organizam batalhões e os mandam invadir Gaza por terra?