Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

ATO PÚBLICO: PAREM O GENOCÍDIO E A LIMPEZA ÉTNICA EM GAZA!


"Remember the solidarity shown to Palestine here and everywhere... and remember also that there is a cause to which many people have committed themselves, difficulties and terrible obstacles notwithstanding. Why? Because it is a just cause, a noble ideal, a moral quest for equality and human rights." Prof. Edward W. Said (1935-2003)
"Lembremos a solidariedade que devemos à Palestina aqui e em todo o mundo... e lembremos também que é causa com a qual muitos povos comprometeram-se, apesar das dificuldades e dos obstáculos terríveis.
Por quê? Porque é causa justa, é ideal nobre, um anseio moral por igualdade e direitos humanos para todos." Prof. Edward W. Said (1935 - 2003)

Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras

".....Conclamamos todas as entidades, partidos, organizações da sociedade brasileira a organizarem protestos e declararem seu repudio a essa política genocida de Israel contra o povo palestino da Faixa de Gaza.

Conclamamos o governo brasileiro para que tome medidas mais enérgicas contra a política genocida de Israel e reveja o Tratado de Livre Comercio entre Israel e MERCOSUL e todos os acordos e convênios acadêmicos, culturais e comerciais...."

Elayyan T. Alladdin


Presidente da FEPAL

FEPAL - FEDERAÇÃO ÁRABE PALESTINA DO BRASIL

Gestão 2007-2009

FORTALECENDO DEMOCRATICAMENTE AS COMUNIDADES PALESTINAS NA DIÁSPORA

ATOS PÚBLICOS:

PAREM O MASSACRE ISRAELENSE CONTRA O POVO PALESTINO!!



Porto Alegre (RS)

Dia 31/12/2008 (quarta-feira) - 10h


Voluntários da Pátria

(esquina com a Senhor dos Passos)

Bairro Centro - Porto Alegre/RS



São Paulo

DIA 02/01/2009 - SEXTA FEIRA - 15 HS


VÃO LIVRE DO MASP

AV. PAULISTA - SÃO PAULO

Florianópolis

DIA 02/01/2009 - SEXTA FEIRA - 14 HS


Rua Conselheiro Mafra em frente à Galeria ARS - Centro - Florianópolis

1. Federação Palestina do Brasil - FEPAL;
2. Federação das Entidades Árabe-Brasileiras - Fearab;
3. Partido Comunista do Brasil - PCdoB;
4. Partido dos Trabalhadores - PT;
5. Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados - PSTU;
6. Central Única dos Trabalhadores - CUT;
7. Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB;
8. Conselho Mundial da Paz;
9. Centro Brasileiro de Solidariedade e Luta pela Paz - Cebrapaz;
10. Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo - Apeoesp;
11. Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo - Sinsesp;
12. Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra - MST;
13. Instituto Jerusalém;
14. Instituto de cultura Árabe - ICAarabe;
15. Jornal "Hora do Povo";
16. Juventude do Partido dos Trabalhadores;
17. Juventude revolução;
18. Movimento "Mulheres pela P@Z!";
19. Fearab/Américas;
20. Intersindical;
21. Conlutas;
22. ABIB - Associação Beneficente Islâmica do Brasil
23. Liga da Juventude Islâmica;
24. União Nacional Islâmica;
25. Partido Socialista árabe Sírio - Baath.
26. Movimento Palestina para Todos
27- LER -QI
28 - Corrente O Trabalho / PT
29 - Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino
30- Comitê de Solidariedade aos Povos Árabes


DEVIDO AS CIRCUNSTÂNCIAS E DA EMERGÊNCIA, DESCULPE-NOS POR QUALQUER FALHA NA CITAÇÃO DE ENTIDADES, PARTIDOS E MOVIMENTOS QUE PARTICIPARAM NA ORGANIZAÇÃO DESSAS ATIVIDADES.

TODOS OS AMANTES DA PAZ E DA LIBERDADE, SOLIDÁRIOS COM O POVO PALESTINO, SINTAM-SE REPRESENTADOS NA ORGANIZAÇÃO DESSAS ATIVIDADES.

TODOS JUNTOS LEVANTANDO A BANDEIRA DA CAUSA PALESTINA EM NOME DA DIGNIDADE E JUSTIÇA PARA TODA A HUMANIDADE!

Porto Alegre, 30 de dezembro de 2008.


O mundo assiste passivo aos bombardeios israelenses na faixa de gaza. São mais de 400 mortos e mais de 1700 feridos desde o início dos bombardeios em 27 de dezembro.

Jovens, idosos, e principalmente mulheres e crianças estão sendo vitimas de mais um massacre executado por Israel.

O holocausto palestino é produto de uma sistemática execução de limpeza étnica da Palestina planejada pelos sucessivos governos israelenses desde 1948 de acordo com as bases ideológicas do movimento sionista que comanda a política israelense desde então.

A comunidade internacional é cúmplice de mais esse massacre cometido por Israel contra o povo palestino da Faixa de Gaza.
As nações ocidentais e ditas civilizadas nada fazem que possa deter o cerne da política sionista: eliminar a existência nacional, cultural e histórica do povo palestino sobre o território da Palestina.

A ocupação israelense dos territórios palestinos e árabes são a causa de toda a violência na região. Dezenas de resoluções da ONU exigem a retirada israelense desses territórios. Israel, um estado fora da lei, não pode ser detido e punido, está acima de todos e de tudo.

Conclamamos todas as entidades, partidos, organizações da sociedade brasileira a organizarem protestos e declararem seu repudio a essa política genocida de Israel contra o povo palestino da Faixa de Gaza.

Conclamamos o governo brasileiro para que tome medidas mais enérgicas contra a política genocida de Israel e reveja o Tratado de Livre Comercio entre Israel e MERCOSUL e todos os acordos e convênios acadêmicos, culturais e comerciais.

A prioridade nesse momento é CESSAR OS BOMBARDEIOS, CESSAR O GENOCÍDIO CONTRA O POVO PALESTINO.

PAREM O GENOCÍDIO E A LIMPEZA ÉTNICA EM GAZA!

DIGNIDADE E JUSTIÇA PARA O POVO PALESTINO!

Elayyan T. Alladdin

Meus segundos votos de ano novo pelo olhar de dois poetas

Os primeiros votos, você encontra aqui. o segundo vem em dose dupla, dois poemas prosaicos bem ao estilo da Frô.

Feliz ano novo de verdade a todos.

NOVOS DIAS

Sérgio Vaz

"Este ano vai ser pior...
Pior para quem estiver no nosso caminho".

Então que venham os dias.
Um sorriso no rosto e os punhos cerrados que a luta não pára.
Um brilho nos olhos que é para rastrear os inimigos (mesmo com medo,
enfrente-os!).
É necessário o coração em chamas para manter os sonhos aquecidos.
Acenda fogueiras.
Não aceite nada de graça, nada. Até o beijo só é bom quando conquistado.
Escreva poemas, mas se te insultarem, recite palavrões.
Cuidado, o acaso é traiçoeiro e o tempo é cruel, tome as rédeas do teu
próprio destino.
Outra coisa, pior que a arrogância é a falsa humildade.
As pessoas boazinhas também são perigosas, sugam energia e não dão
nada em troca.
Fique esperto, amar o próximo não é abandonar a si mesmo.
Para alcançar utopias é preciso enfrentar a realidade.
Quer saber quem são os outros? Pergunte quem é você.
Se não ama a tua causa, não alimente o ódio.
Por favor, gentileza gera gentileza. Obrigado!
Os Erros são teus, assuma-os. Os Acertos Também são teus, divida-os.
Ser forte não é apanhar todo dia, nem bater de vez em quando, é
perdoar e pedir perdão, sempre.
Tenho más notícias: quando o bicho pegar, você vai estar sozinho. Não
cultive multidões.
Qual a tua verdade ? Qual a tua mentira? Teu travesseiro vai te dizer.
Prepare-se!
Se quiser realmente saber se está bonito ou bonita, pergunte aos teus
inimigos, nesta hora eles serão honestos.
Quando estiver fazendo planos, não esqueça de avisar aos teus pés, são
eles que caminham.
Se vai pular sete ondinhas, recomendo que mergulhe de cabeça.
Muito amor, mas raiva é fundamental.
Quando não tiver palavras belas, improvise. Diga a verdade.
As Manhãs de sol são lindas, mas é preciso trabalhar também nos dias de
chuva.
Abra os braços. Segure na mão de quem está na frente e puxe a mão de
quem estiver atrás.
Não confunda briga com luta. Briga tem hora para acabar, a luta é para
uma vida inteira.
O Ano novo tem cara de gente boa, mas não acredite nele. Acredite em você.
Feliz todo dia!




Receita de Ano Novo


Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

O massacre de Gazza por Latuff


A foto, com a charge de Latuff nos cartazes dos manifestantes ,foi tirada ontem em um protesto na Indonésia.


Esta é a mais recente charge do cartunista Latuff sobre o genocídio em Gaza empreendido pela política sionista de Israel.

Terça-feira, Dezembro 30, 2008

Quase quatrocentos mortos e mais de mil feridos, 1,5 milhão expostos à fome e às condições submanas

Perdoem-me os leitores dos meus dois blogs por repetir alguns artigos, mas o genocídio empreendido pelos sionistas israelenses estão mobilizando-me e creio que é necessário divulgar o máximo possível, já que a imprensa tradicional é "cachorrinho de madame" como diria o grande judeu Uri Avnery.

Quem vai parar Israel?


O ano está termiando mas o terrorismo de estado segue vivo e forte. É o que se pode ver nos ataques de Israel aos palestinos da Faixa de Gaza. Com a mesma velha e já não mais crível história de combater o terror, Israel vai ampliando suas fronteira sob o fogo dos canhões. [www.iela.ufsc.br]

(Fonte: blog da Tita)


GAZA

por José Saramago

A sigla ONU, toda a gente o sabe, significa Organização das Nações Unidas, isto é, à luz da realidade, nada ou muito pouco. Que o digam os palestinos de Gaza a quem se lhes estão esgotando os alimentos, ou que se esgotaram já, porque assim o impôs o bloqueio israelita, decidido, pelos vistos, a condenar à fome as 750 mil pessoas ali registadas como refugiados. Nem pão têm já, a farinha acabou, e o azeite, as lentilhas e o açúcar vão pelo mesmo caminho.

Desde o dia 9 de Dezembro os camiões da agência das Nações Unidas, carregados de alimentos, aguardam que o exército israelita lhes permita a entrada na faixa de Gaza, uma autorização uma vez mais negada ou que será retardada até ao último desespero e à última exasperação dos palestinos famintos. Nações Unidas? Unidas? Contando com a cumplicidade ou a cobardia internacional, Israel ri-se de recomendações, decisões e protestos, faz o que entende, quando o entende e como o entende.

Vai ao ponto de impedir a entrada de livros e instrumentos musicais como se se tratasse de produtos que iriam pôr em risco a segurança de Israel. Se o ridículo matasse não restaria de pé um único político ou um único soldado israelita, esses especialistas em crueldade, esses doutorados em desprezo que olham o mundo do alto da insolência que é a base da sua educação. Compreendemos melhor o deus bíblico quando conhecemos os seus seguidores. Jeová, ou Javé, ou como se lhe chame, é um deus rancoroso e feroz que os israelitas mantêm permanentemente actualizado.

Cinco crianças da mesma família mortas pelo ataque israelense à Gaza nesta última semana. Fonte Vi o mundo.

Por que Israel bombardeia uma universidade?

Dr. Akram Habeeb, da Faixa de Gaza ocupada, da Palestina, 29/12/2008
(em http://electronicintifada.net/v2/article10069.shtml)


Sou bolsista da Fundação Fulbright e professor de literatura norte-americana na Universidade Islâmica de Gaza. Nessa condição, sempre preferi manter-me afastado do conflito Israel-Palestina. Sempre entendi que meu dever é ensinar os valores da paz e da convivência pacífica.

Mas o ataque massivo de Israel contra a Faixa de Gaza obriga-me a manifestar-me.

Ontem à noite, durante a segunda noite de ataques de Israel a Gaza, os mais violentos de que há notícia por aqui, fui acordado pelo ruído ensurdecedor de bombardeio continuado, cerrado. Quando me dei conta de que Israel bombardeava a minha universidade, com F-16s fabricados nos EUA, vi que os "ataques seletivos" já nada tinham de seletivos.

Políticos e generais israelenses têm dito que a Universidade Islâmica de Gaza seria 'aparelho' do Hamás e que forma terroristas. É mentira.

Como professor independente, não filiado a partido político, afirmo que a Universidade Islâmica de Gaza – como as Universidades Católicas e as Universidades Pontifícias, que há no Brasil e em todo o mundo – é instituição acadêmica que abarca um larguíssimo espectro de tendências políticas. Conheço-a bem, como universidade de prestígio em todo o mundo, que estimula o liberalismo e a livre exposição e circulação de idéias.

Se meu depoimento parecer excessivamente pessoal e comprometido, convido todos a visitarem a página da UIG, na Internet (em inglês Islamic University of Gaza website), e pesquisarem sua história, seus departamentos, os estudos que se desenvolvem ali.

Lá se informarão sobre a participação da Universidade Islâmica de Gaza em inúmeras instituições acadêmicas em todo o mundo, o trabalho de pesquisa de seus professores, prêmios e bolsas de estudo e pesquisa que recebem de instituições de todo o mundo.

Por que Israel bombardearia uma universidade? Não sei.

Mas Israel ontem não bombardeou apenas minha universidade: bombardeou mesquitas, farmácias e casas de família. No campo de refugiados em Jabaliya, o bombardeio matou quatro meninas pequenas, todas da família Balousha. Em Rafah, mataram três irmãos, de 6, 12 e 14 anos. Também mataram mãe e filho, um menino de um ano, da família Kishko, na cidade de Gaza.

São atos que nada justifica, em nenhum caso. Penso no que Deus ordenou ao Povo Eleito: Não matarás. Não invadirás a casa de teu vizinho. Deus não elegeria seu povo, nem povo algum, para matar os vizinhos e roubar a terra em que todos plantam o que todos comem. As escolhas que Israel está fazendo são escolhas do governo de Israel. O governo de Israel escolheu matar palestinenses. Pratica aqui genocídio semelhante ao que outros impérios invasores e ocupantes praticaram em outras partes do mundo, contra populações autóctones. Nenhum genocídio é admissível.

O Dr. Akram Habeeb é professor assistente de Literatura Norte-americana na Universidade Islâmica em Gaza.

Carta aberta de Uri Avnery a Barack Obama sobre a paz no Oriente Médio

Reproduzo do blog do professor Idelber Avelar a carta aberta de Uri Avnery militante judeu pela paz.

terça-feira, 30 de dezembro 2008

Carta aberta de Uri Avnery a Barack Obama

avnery-arafat.jpg As humildes sugestões que se seguem são baseadas nos meus 70 anos de experiência como combatente de trincheiras, soldado das forças especiais na guerra de 1948, editor-em-chefe de uma revista de notícias, membro do parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz:

1)No que se refere à paz israelense-árabe, o Sr. deve agir a partir do primeiro dia.

2)As eleições em Israel acontecerão em fevereiro de 2009. O Sr. pode ter um impacto indireto, mas importante e construtivo já no começo, anunciando sua determinação inequívoca de conseguir paz israelo-palestina, israelo-síria e israelo-pan-árabe em 2009.

3)Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de que falaram sobre paz da boca para fora, e às vezes realizaram gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço.

Particularmente, deram aprovação tácita à construção e ao crescimento dos assentamentos colonizadores de Israel nos territórios ocupados da Palestina e da Síria, cada um dos quais é uma mina subterrânea na estrada da paz.

4)Todos os assentamentos colonizadores são ilegais segundo a lei internacional. A distinção, às vezes feita, entre postos “ilegais” e os outros assentamentos colonizadores é pura propaganda feita para mascarar essa simples verdade.

5)Todos os assentamentos colonizadores desde 1967 foram construídos com o objetivo expresso de tornar um estado palestino – e portanto a paz – impossível, ao picotar em faixas o possível projetado Estado Palestino. Praticamente todos os departamentos de governo e o exército têm ajudado, aberta ou secretamente, a construir, consolidar e aumentar os assentamentos, como confirma o relatório preparado para o governo pela advogada Talia Sasson.

6)A estas alturas, o número de colonos na Cisjordânia já chegou a uns 250.000 (além dos 200.000 colonos da Grande Jerusalém, cujo estatuto é um pouco diferente). Eles estão politicamente isolados e são às vezes detestados pela maioria do público israelense, mas desfrutam de apoio significativo nos ministérios de governo e no exército.

7)Nenhum governo israelense ousaria confrontar a força material e política concentrada dos colonos. Esse confronto exigiria uma liderança muito forte e o apoio generoso do Presidente dos Estados Unidos para que tivesse qualquer chance de sucesso.

8)Na ausência de tudo isso, todas as “negociações de paz” são uma farsa. O governo israelense e seus apoiadores nos Estados Unidos já fizeram tudo o que é possível para impedir que as negociações com os palestinos ou com os sírios cheguem a qualquer conclusão, por causa do medo de enfrentar os colonos e seus apoiadores. As atuais negociações de “Annapolis” são tão vazias como as precedentes, com cada lado mantendo o fingimento por interesses politicos próprios.

9)A administração Clinton, e ainda mais a administração Bush, permitiram que o governo israelense mantivesse o fingimento. É, portanto, imperativo que se impeça que os membros dessas administrações desviem a política que terá o Sr. para o Oriente Médio na direção dos velhos canais.

10)É importante que o Sr. comece de novo e diga-o publicamente. Idéias desacreditadas e iniciativas falidas – como a “visão” de Bush, o “mapa do caminho”, Anápolis e coisas do tipo – devem ser lançadas à lata de lixo da história.

11)Para começar de novo, o alvo da política americana deve ser dito clara e sucintamente: atingir uma paz baseada numa solução biestatal dentro de um prazo de tempo (digamos, o fim de 2009).

12)Deve-se assinalar que este objetivo se baseia numa reavaliação do interesse nacional americano, de remover o veneno das relações muçulmano-americanas e árabe-americanas, fortalecer os regimes dedicados à paz, derrotar o terrorismo da Al-Qaeda, terminar as guerras do Iraque e do Afeganistão e atingir uma acomodação viável com o Irã.

13)Os termos da paz israelo-palestina são claros. Já foram cristalizados em milhares de horas de negociações, colóquios, encontros e conversas. São eles:

a) estabelecer-se-á um Estado da Palestina soberano e viável lado a lado com o Estado de Israel.
b) A fronteira entre os dois estados se baseará na linha de armistício de 1967 (a “Linha verde”). Alterações não substanciais poderão ser feitas por concordância mútua numa troca de territórios em base 1: 1.
c) Jerusalém Oriental, incluindo-se o Haram-al-Sharif (o “Monte do Templo”) e todos os bairros árabes servirão como Capital da Palestina. Jerusalém Ocidental, incluindo-se o Muro Ocidental e todos os bairros judeus, servirão como Capital de Israel. Uma autoridade municipal conjunta, baseada na igualdade, poderia se estabelecer por aceitação mútua, para administrar a cidade como uma unidade territorial.
d) Todos os assentamentos colonizadores de Israel – exceto aqueles que possam ser anexados no marco de uma troca consensual – serão esvaziados (veja-se o 15 abaixo)
e) Israel reconhecerá o princípio do direito de retorno dos refugiados. Uma Comissão Conjunta de Verdade e Reconciliação, composta por palestinos, israelesnses e historiadores internacionais estudará os fatos de 1948 e 1967 e determinará quem foi responsável por cada coisa. O refugiado, individualmente, terá a escolha de 1) repatriação para o Estado da Palestina; 2) permanência onde estiver agora, com compensação generosa; 3) retorno e reassentamento em Israel; 4) migração a outro país, com compensação generosa. O número de refugiados que retornarão ao território de Israel será fixado por acordo mútuo, entendendo-se que não se fará nada para materialmente alterar a composição demográfica da população de Israel. As polpuldas verbas necessárias para a implementação desta solução devem ser fornecidas pela comunidade internacional, no interesse da paz planetária. Isto economizaria muito do dinheiro gasto hoje militarmente e a partir de presentes dos EUA.
f) A Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza constituirão uma unidade nacional. Um vínculo extra-territorial (estrada, trilho, túnel ou ponte) ligará a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.
g) Israel e Síria assinarão um acordo de paz. Israel recuará até a linha de 1967 e todos os assentamentos colonizadores das Colinas de Golã serão desmantelados. A Síria interromperá todas as atividades anti-Israel, conduzidas direta ou vicariamente. Os dois lados estabelecerão relações normais.
h) De acordo com a Iniciativa Saudita de Paz, todos os membros da Liga Árabe reconhecerão Israel, e terão com Israel relações normais. Poder-se-á considerar conversações sobre uma futura União do Oriente Médio, no modelo da União Européia, possivelmente incluindo a Turquia e o Irã.

14)A unidade palestina é essencial. A paz feita só com um naco da população de nada vale. Os Estados Unidos facilitarão a reconciliação palestina e a unificação das estruturas palestinas. Para isso, os EUA terminarão com o seu boicote ao Hamas (que ganhou as últimas eleições), começarão um diálogo político com o movimento e sugerirão que Israel faça o mesmo. Os EUA respeitarão quaisquer resultados de eleições palestinas.

15)O governo dos EUA ajudará o governo de Israel a enfrentar-se com o problema dos assentamentos colonizadores. A partir de agora, os colonos terão um ano para deixar os territórios ocupados e voluntariamente voltar em troca de compensação que lhes permitirá construir seus lares dentro de Israel. Depois disso, todos os assentamentos serão esvaziados, exceto aqueles em quaisquer áreas anexadas a Israel sob o acordo de paz.

16)Eu sugiro ao Sr., como Presidente dos Estados Unidos, que venha a Israel e se dirija ao povo israelense pessoalmente, não só no pódio do parlamento, mas também num comício de massas na Praça Rabin em Tel-Aviv. O Presidente Anwar Sadat, do Egito, veio a Israel em 1977 e, ao se dirigir ao povo de Israel diretamente, mudou em tudo a atitude deles em relação à paz com o Egito. No momento, a maioria dos israelenses se sente insegura, incerta e temerosa de qualquer iniciativa ousada de paz, em parte graças a uma desconfiança de qualquer coisa que venha do lado árabe. A intervenção do Sr., neste momento crítico, poderia, literalmente, fazer milagres, ao criar a base psicológica para a paz.


(esta é uma carta aberta escrita por Uri Avnery, 85 anos, ex-deputado do Knesset, soldado que ajudou a fundar Israel em 1948 e que há décadas milita pela paz. A tradução ao português é de Idelber Avelar. O obrigado pelo envio do link vai ao Daniel do Amálgama. O pedido de divulgação vai a todos os que desejam uma paz duradoura, nos termos já reconhecidos pela comunidade internacional).

Domingo, Dezembro 28, 2008

Existe outro termo que não o Genocídio para denominar as ações de Israel contra os palestinos?

Imagem capturada do site da Al Jazeera. No centro a foto tirada pela Al Jazeera de protesto de palestinos em frente a embaixada dos EUA em Berlim contra o cerco a Gaza empreendido pela política segregacionista de Israel. O garotinho palestino segura uma charge de Carlos Latuff.

O professor de Direito internacional da Universidade de Princeton e relator especial da ONU sobre os territórios palestinos, Richard Falk, tem acusado Israel de violar o direito internacional, as leis humanitárias internacionais e a Convenção de Genebra. Ele descreve as políticas de Israel contra os palestinos e seu cerco de Gaza como "crimes de guerra", "tendências" genocidas, e "holocausto-in-the-making". Ele instou o Tribunal Penal Internacional para estudar a possibilidade de acusar de crimes de guerra os dirigentes israelitas.

Quando Latuff recria a clássica foto do menino judeu diante das armas nazistas em uma de suas charges mais contundentes, a comunidade sionista o discrimina e o acusa de anti-semita, mas como ficarmos de olhos fechados diante das ações genocidas de Israel??????????????



Como ficar impassível diante de caça israelense F16 que sobrevoa a região da Faixa de Gaza e a bombardeia indiscriminadamente; como ficar impassível diante do lançamento de mais de 20 mísseis contra cidades da região? Como ficar impassível diante do assassinato de mais de quase 400 pessoas em dois dias de ataques e mais de mil feridos?????????????



Sáb, 27 Dez, 05h06

Por Nidal al-Mughrabi

GAZA (Reuters) - Aviões e helicópteros de combate israelenses bombardearam a Faixa de Gaza neste sábado, deixando pelo menos 208 mortos no território controlado pelo Hamas, num dos dias mais sangrentos para os palestinos em 60 anos de conflito com Israel.

Militantes palestinos responderam lançando foguetes que mataram um israelense e feriram muitos outros, de acordo com médicos da região.

"Há sangue por todo lugar, há feridos e mártires em todas as casas e em todas as ruas. Gaza hoje foi decorada de sangue... Pode haver mais mártires e pode haver mais feridos, mas Gaza nunca será destruída e nunca vamos nos render", acrescentou Haniyeh. [Ismail Haniyeh, líder do governo do Hamas na Faixa de Gaza]

Os militares israelenses disseram que os alvos dos ataques eram "infra-estrutura terrorista". O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que a operação militar "pode levar tempo" e uma fonte militar israelense afirmou que a campanha pode ser ampliada e incluir forças terrestres.

"Não temos limite de tempo e estamos determinados a fazer o que for preciso, incluindo todas as nossas opções, por ar ou por terra", disse o militar israelense a repórteres.

O Hamas informou que pelo menos 100 membros das forças de segurança do grupo foram mortas, além de pelo menos 15 mulheres e crianças, e prometeu vingar o que chamou de "carnificina israelense".


Corpos de palestinos mortos do lado de fora do escritóro de segurança do grupo islâmico Hamas, um dos alvos do ataque aéreo com mísseis feitos por Israel contra a Faixa de Gaza. Mohammed Abded/AFP

"Não vamos deixar nossa terra, não vamos levantar bandeiras brancas e não vamos ficar de joelhos, exceto diante de Deus", disse Ismail Haniyeh, líder do governo do Hamas na Faixa de Gaza, a um site da Internet.

"Há sangue por todo lugar, há feridos e mártires em todas as casas e em todas as ruas. Gaza hoje foi decorada de sangue... Pode haver mais mártires e pode haver mais feridos, mas Gaza nunca será destruída e nunca vamos nos render", acrescentou Haniyeh.

Uma fumaça negra e espessa tomou o céu sobre a Cidade de Gaza, onde mais de 30 ataques foram realizados, destruindo várias instalações policiais do Hamas, incluindo duas onde aconteciam cerimônias de formatura de novos recrutas.

Imagens de TV mostravam corpos no chão, e mortos e feridos sendo carregados do local. Vários edifícios foram atingidos.

Entre os mortos estavam o chefe de polícia nomeado pelo Hamas, Tawfiq Jabber, o chefe de segurança do Hamas e o governador da região central de Gaza, de acordo com funcionários dos serviços médicos. Segundo médicos de Gaza, o número de palestinos mortos chega a pelo menos 205.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse que a ofensiva aérea israelense era "criminosa" e pediu intervenção da comunidade internacional. A Liga Árabe informou que ministros das Relações Exteriores árabes se encontrarão no Cairo, domingo ou segunda-feira, para tomar uma posição comum sobre os ataques israelenses.

A União Européia fez um apelo por um cessar-fogo imediato em Gaza: "Estamos muito preocupados com os eventos em Gaza... pedimos que todos mostrem máxima moderação", afirmou o porta-voz para do chefe de Política Externa da União Européia, Javier Solana.

Já a Casa Branca pediu que Israel evite baixas civis em seus ataques aéreos e afirmou que o Hamas precisa interromper os ataques de morteiros a Israel para cessar a violência. No entanto, Washington não pediu para que Israel interrompa os ataques aéreos.

"Os contínuos ataques de morteiros do Hamas em Israel precisam parar para interromper a violência. O Hamas precisa acabar com suas atividades terroristas se quiser ter um papel no futuro do povo palestino", afirmou o porta-voz da Casa Branca Gordon Johndroe.


Após bateria aéres de mísseis atingir a Faixa de Gaza, palestinos observam área atingida ao sul da cidade de Rafh, dezenas de pessoas morreram. Said Khatib/AFP

A chanceler israelense Tzipi Livni, uma das líderes das pesquisas para o pleito de fevereiro que escolherá o novo primeiro-ministro do país, pediu apoio internacional contra o Hamas, considerado por ela "uma organização extremista islâmica... que tem o apoio do Irã", arquiinimigo de Israel.

"CARNIFICINA ISRAELENSE"

Os ataques aéreos aconteceram após o fim, há uma semana, de uma trégua de seis meses em Gaza. Na quinta-feira, o premiê de Israel, Ehud Olmert, alertou o Hamas para que parasse de disparar foguetes contra alvos israelenses ou então que enfrentasse as consequências.

Uma dezena de foguetes foi disparada de Gaza na sexta-feira. Um matou de forma acidental, no norte de Gaza, duas crianças palestinas, segundo médicos.

Neste sábado, corpos eram empilhados, e feridos se contorciam em dor. Os que mostravam sinais de vida eram levados para carros e ambulâncias.

Alguns dos que faziam o resgate batiam na própria cabeça e gritavam: "Allahu akbar" (Deus é grande). Testemunhas disseram que os ataques foram realizados por aviões e helicópteros de combate.

Mais de 700 palestinos ficaram feridos, de acordo com os médicos.

"Todos os combatentes têm a ordem de responder à carnificina israelense", afirmou um comunicado do Jihad Islâmico. O Hamas e outros grupos armados se pronunciaram no mesmo sentido.


Região atingida por ataque de mísseis israelenses na Faixa de Gaza; número de mortos já passa de 150, segundo fontes do grupo islâmico Hamas. Mohammed Abded/AFP

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, afirmou que a operação militar em Gaza terá longa duração e será ampliada se necessário. "Não será fácil e não será curta", disse Barak a jornalistas.

Em março, uma ofensiva israelense de cinco dias matou mais de 120 pessoas.

(Reportagem adicional de Dan Williams, em Jerusalém)

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Atendendo ao apelo do artista Carlos Latuff faço uso do blog para difundir suas charges-denúncia deste brutal ataque israelense, segue seu texto e suas charges:

"Como se não fosse suficiente expor 1,5 milhões de pessoas ao risco da fome, Israel realizou hoje um brutal ataque Gaza, matando mais de 200 pessoas, com 750 feridos, incluindo mulheres e crianças. Mais uma vez, peço que você leitor, meus irmãos e irmãs-em-artes, que difundam estas caricaturas. Reproduzam-nas em cartazes, jornais, revistas, zines, blogs, por todo o lado. Vamos fazer a voz do povo de Gaza ser ouvida em todo o mundo. Obrigado, em nome dos palestinos de Gaza."



Quarta-feira, Dezembro 24, 2008

CONTO DE NATAL



Tinha 4 anos em 1968 e as coisas não andavam bem: milicos, estudantes nas ruas, repressão braba, Costa e Silva e coisa e tal...

Ela acreditava em papai Noel. Falou com o avô, pessoa ilustre em uma época em que os senhores de respeito, gravata e casa própria eram chefes de torcidas e levavam os netos para estádio.

A netinha tinha um orgulho tamanho do seu avô, adotou o Corinthians por causa do amor pelo avô. Ela lhe fazia confidências. Contou-lhe que queria ganhar uma boneca que andava.

A netinha acreditava em ovos fritos que já vinham temperados com cebola, em papel higiênico que vinha com um gatinho de brinde, porque via os gatinhos rolarem nos outdoors sobre macios papéis da cidade grande e jamais descobrira como a mãe escondia as cebolas dentro dos ovos fritos...

Ela acreditava em tudo que via e ouvia. O avô lhe disse que ia avisar papai Noel sobre a sua boneca, disse que era amigo dele e coisa e tal... Ela ficou feliz...

No dia 20 de dezembro o avô partiu para uma viagem. Não se sabe como, mas a família inteira, de todos os cantos do Estado tivera que sair às pressas, pegar trem para chegar a tempo.

Ela dormia no trem, bateu a cabeça e acordou pensando que estava bem perto do natal e logo, logo papai Noel iria trazer sua Andinha....

Quando, ainda sonolenta, viu o avô cheio de algodão no nariz, quis tirar. A tia velha e rabugenta não deixou, ralhou com a menina. Ela não entendia, mas sabia que aquelas flores, o algodão estavam sufocando seu avô.

As crianças foram obrigadas a sair da sala e ela nem havia conversado com o avô Teodoro, Teo como ela sempre pensava.

Sem remédio, sem escolha foi para o grande quintal que hoje abriga as catracas da estação do metrô Conceição.

Entre as ameixas e jabuticabas que apreciava, viu todos saírem carregando aquela cama esquisita. A menina até hoje detesta a cor roxa.

"Onde foram todos?" Ela perguntava aos primos já maiores e enfadados. Foi então que a tia mais nova, a tia Lu, falou que o avô Teo havia partido ao encontro do papai do céu.

A menina entristecida perguntou se demoraria, se viria antes do natal...

Quando soube que quando se visita Deus não se volta mais, ela achou ruim e disse que não queria ir, jamais, visitar esse tal de Deus e o achou prepotente, embora não conhecesse a palavra..... E refletia, embora digam que isso não é coisa de criança:

"Quem Deus pensava que era? Segurar uma visita assim? O avô era especial! Tinha de voltar, ela iria sentir saudades... Quem, afinal, ouviria suas histórias? Quem contaria histórias para ela? Quem gritaria gol com tamanha propriedade?"

A menina estava confusa. Tinha dúvidas e como já sentia saudades!

Papai Noel lembrar-se-ia do que o avô dissera? Afinal, o amigo do avô havia recebido o recado? Vai trazer ou não a sua Andinha?

Voltam todos pra casa... manhã do dia 25, a mãe pede para buscar os chinelos, dizia que estavam na sala. A menina não queria ir, tinha ciúmes do pai que agora estava em dengos com a mãe. Não queria, foi obrigada, mas foi... Topou com uma caixa embrulhada num cintilante papel de presente. O pacote era enorme, gigante mesmo... maior que ela, mal conseguia carregar...

Saiu correndo gritando, caindo, tropeçando, mãeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!! O vô não esqueceu! Mãeeeeeeeeeeeeeeeeee papai Noel lembrou!!!!!!!!!!!!!!! Mãeeeeeeeeeeeeeeeeeee vô Teo falou com ele!!!!!!!!!!!!

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Vinte anos depois, envolta em surpreendentes descobertas, fuçando documentos, fuçando memórias, descobrindo dores... encontrou um carnê de um crediário assumido em uma loja na Lapa: uma compra no dia 22 de dezembro de 1968, 12 prestações, todas pagas em dia, uma mercadoria: Andinha.

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1998, os tempos também não estavam nada fáceis. Entretanto, a menina estava feliz. Seu pai era um passageiro, velho e cansado, não dispunha mais do trem que carregava passageiros do litoral para a capital. A irmã mais nova e mais irritadiça fez uma concessão nesse dia, afinal é tempo de esquecer as mágoas. A irmã mais nova e impaciente dirige, carregando uma família em pedaços.

A menina de 1968 estava feliz. Seu pai vinha ao seu encontro, vinha cear com a menina, relembrar tempos de Andinha.

Beijos pai querido, beijos vovô querido.

A menina acaba de descobrir que Papai Noel existe.

25/12/1998 Frô

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2008, fazendo a viagem de volta a menina, ainda viva, continua acreditando na existência do bom velhinho.

Segunda-feira, Dezembro 22, 2008

Rodrigo Vianna anda imperdível


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AMÉRICA LATINA DÁ UMA "SAPATADA" NOS EUA: IMPRENSA "DÉMODÉ" NÃO QUER ENXERGAR

(Rodrigo Vianna)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008 às 10:06

O que você acha de jornalistas que usam a expressão "démodé" para se referir a algo fora de moda?
Pra mim, é como chamar vocalista de "crooner", e banda de "conjunto". Ou, então, tratar médio-volante de "center-half" - como costumava dizer meu avô ao lembrar as escalações do Palestra Itália nos anos 40.

Aquela jornalista (Eliane C.) que escreve na página 2 da "Folha" resolveu classificar de "lero-lero demodé" as críticas que Venezuela e Bolívia costumam fazer a Washington. Isso bem na semana em que a América Latina resolve dar uma "sapatada" definitiva em dois séculos de doutrina Monroe - aquela que pregava "América para os americanos" (do norte).

(Aliás, a "Folha" tá ficando a cara do "Estadão" de três décadas atrás. Quando comecei a ler jornal, lá pelos anos 70, o "Estadão" trazia artigos que pareciam escritos por padres do século XIX. Uma desconexão absoluta com a linguagem e os temas cotidianos.)

Agora, a "Folha" tem uma colunista (?) que usa esse tipo de expressão para se referir aos países vizinhos que, legitimamente, procuram sair da órbita dos Estados Unidos: "lero-lero démodé".

Mas, eu entendo a colunista. Ela deve estar se sentindo órfã (mais ou menos como o Alan Greenspan quando descobriu que a auto-regulamentação não era suficiente para conter os mercados). O mundo em que Eliane C e quase toda a imprensa brasileira acreditavam ruiu nos últimos meses.

Como se não bastasse a quebra de bancos e empresas que passaram anos mandando a gente fazer a "lição-de casa" liberal, agora os Estados Unidos levam "sapatada" até no velho quintal da América Latina.

Esta semana, nos primeiros dias de cobertura em Salvador, a chamada "grande imprensa" brasileira tratou o histórico encontro de chefes de Estado na Bahia como se fosse um estranho festival esquerdista, sem objetivo nenhum.

Um dos principais jornais brasileiros chegou a destacar declaração do secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, que decretava com ceticismo: o encontro da Bahia não pode ser comparado com uma reunião da OEA, porque esta última é uma instituição formal enquanto o encontro é algo sem regras definidas.

A frase de Insulza e a cobertura inicial dos principais (?) jornais brasileiros davam a impressão de que o encontro capitaneado por Lula não tinha importância alguma, a não ser pelas boas fotos do brasileiro ao lado de Raul Castro.
Miopia completa. O encontro marcou uma virada sem precedentes na política das Américas.


A hegemonia dos Estados Unidos nas Américas foi rompida. Morreu de morte matada. A OEA, coitada, vai ficar "démodé" - como o Greenspan, o Bush, a General Motors e (se continuar desse jeito) a própria "Folha".

Líderes de 33 países lançaram oficialmente a OEALC - que reúne todos os países das Américas, com exceção de Canadá e EUA.

Se na OEA Cuba não entra (por pressão dos EUA), na nova OEALC a ilha governada por Raul Castro terá lugar garantido.

Mas, esse é apenas o aspecto simbólico. Na prática, a América do Sul prepara-se para ter estratégia própria de defesa, sem ingerência de Washington. Estratégia própria de comércio e de desenvolvimento. Deixamos de ser colônias. Isso é muito mais importante do que a eleição do Obama, que emocionou tanta gente por aí.

O Brasil - com Lula e Celso Amorim - ajudou a costurar o novo desenho político das Américas. Retornamos, assim, à melhor tradição de independência e arrojo na política externa, marcas do Itamaraty.
Durante o governo FHC, este país aceitou tirar os sapatos para os Estados Unidos. Agora, voltamos à velha trilha de autonomia diplomática.

Aliás, Almino Affonso relembra hoje, num importante artigo também na "Folha", as cartas escritas por John Kennedy a João Goulart, em 1962, pedindo que o Brasil ajudasse os EUA a invadir Cuba durante a chamada crise dos mísseis (quando a União Soviética tentou instalar armas poderosas na ilha de Fidel).
Jango, claro, deu a resposta altiva e digna que se esperava: negou apoio para uma intervenção em Cuba. Seria derrubado dois anos depois, com apoio de Washington.

Durante o regime militar que se seguiu , aceitamos o papel de satélites de Washington (excetuando-se alguns momentos durante o governo Geisel).

FHC caiu no colo de Clinton, que foi quem evitou a quebra do Brasil quando os tucanos mantiveram o câmbio fixo até o limite da irresponsabilidade em 1998 - tudo pra garantir a reeleição.

No momento em que a era Bush termina com uma sapatada do repórter iraquiano, os Estados Unidos levam uma bela "sapatada" na Bahia. Desferida com classe, sem arroubos "démodé", mas mesmo assim trata-se de uma "sapatada" incontestável.

No mesmo dia, aliás, a Câmara dos Deputados do Brasil (com votos contrários dos tucanos, claro) aprovou a entrada da Venezuela no Mercosul.

Algo se moveu no Continente.
Eliane C. e tantos outros preferem não enxergar. É uma gente completamente "démodé", eu diria.
Mas, tenho que parar de escrever pra ouvir uma fita de meu "crooner" predileto.



Domingo, Dezembro 21, 2008

Stand up com Graziella Moretto

Às vezes o diálogo escorrega no preconceito, mas as paródias que Graziella Moretto faz de Ana Maria Braga e da cultura carcamana paulistana, assim como de Solange Frazão e do cotidiano de qualquer grande cidade são bem engraçadas:






Quinta-feira, Dezembro 18, 2008

Faltou um divã para FHC?

Só a pequena síntese (que, na verdade , é a conclusão provocativa do sociólogo Gilson Caroni ) em destaque na abertura deste artigo mereceria a postagem.

Indico a leitura de todo o texto, pois com todas as críticas que podemos e devemos ter ao governo Lula, ele é quase um paraíso se comparado ao demotucanato (antes pefelê-tucanato dos anos anteriores).

abraços

Frô

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DEBATE ABERTO, da Agência Carta Maior

Deve ter sido muito doloroso para o “príncipe uspiano” descobrir que a sociedade nova não só estava com Lula como, após seis anos de governo, continua a apoiá-lo. Como nunca antes na história desse país.

No dia em que saem mais duas pesquisas dando conta da aprovação recorde do governo e do aumento da popularidade do presidente, o que deve calar mais fundo na oposição é a lembrança do passado recente. E o quanto os seis anos de governo petista representaram de ruptura com ele. Das prioridades internas, com ênfase no mercado interno e nas políticas redestributivas, à inserção externa soberana e bem orientada, as mudanças foram por demais substantivas para serem ignoradas. Assim, é hora de, no final de 2008, relembrarmos o ocaso de um governo que levou o país à bancarrota.

Vivíamos o ano de 1999. Num quadro de crise de ideologias, de fim de utopias, de aumento de desemprego, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deitava falação sobre as mudanças ocorridas no Brasil. Detectava o surgimento de uma nova sociedade e acreditava que a parte moderna dela iria aderir ao projeto neoliberal. Aquele em que a arquitetura política era vista como defeituosa e as virtudes deveriam ser creditadas aos agentes do mercado, os empreendedores, “heróis” do capitalismo de massa, que deixariam perplexos tanto a esquerda quanto a direita conservadora. Seriam eles "os heróis de nossa gente", filhos do "silêncio" e do "medo da noite".

Correto ao diagnosticar as transformações em curso no país, FHC se equivocava em acreditar que os novos e emergentes setores da sociedade, quando se organizassem efetivamente, apoiariam seu projeto de reformas. Como bem destacou, na época, a cientista política Maria Vitória Benevides, as afirmações de que a crise de representação era algo novo no país e a de que os movimentos sociais, em especial o MST, estavam
enfraquecidos eram falácias tão gritantes que deixavam no ar uma impressão de bonapartismo sugerido. O que o ex-presidente insinuava era que o velho não estava com ele, mas o novo só não o apoiava por falta de organicidade. A incapacidade de pensar o país foi a marca do governo tucano.

O cenário era desolador. O ambiente pós-desvalorização ficou confuso. Sem crescimento, não se recuperava o nível de emprego. O desemprego que explodiu em janeiro de 1998 por causa da crise asiática, não dava sinais de reversão. A combinação de queda na renda e desemprego atingia o setor produtivo. O comércio registrava perdas expressivas durante 18 meses. Com vendas fracas, indústria e comércio tendiam a segurar os preços, deixando claro que só com ambiente recessivo o governo tucano conseguia reduzir a taxa de inflação. Diante disso, é possível falar em continuidade de modelo?

Nesse quadro, os partidos de apoio ao Governo-PSDB, PFL (DEM) e parte expressiva do PMDB - atribuíam à falta de comando do então presidente as disputas e brigas na base aliada. O distanciamento de Fernando Henrique do dia-a-dia da política e a crise econômica minaram sua autoridade, e resultado foi um verdadeiro tiroteio entre os principais políticos desses partidos. Aécio Neves, lembram disso?, se dizia inconformado com o processo de privatização de Furnas. No PFL, a comoção se dava por conta da não nomeação do ex-ministro Luiz Carlos Santos para nenhum cargo, depois de lhe terem prometido a presidência da BR Distribuidora. No PMDB, o desconforto foi causado por uma promessa não cumprida de FHC a Michel Temer de nomear um amigo do ex-presidente da Câmara para a direção da Petrobrás. O acúmulo de ressentimentos sinalizava para uma conclusão melancólica de governo.

As digressões de Fernando Henrique soavam a alheamento da realidade. Pior, uma fuga dela pelo discurso diletante. A situação se apresentava como nunca antes navegada: a impopularidade do presidente era maior que a do seu Governo, o real se contaminava com tudo isso e a bloco de poder contemplava a rota de afastamento. E nenhum jornal pensou em chamar um psicanalista para analisar um presidente em seu ocaso. Ou ouvir a população que, ao reprová-lo, mostrava não fugir da realidade. Um Jacob Pinheiro Goldberg para falar em “mecanismos de negação freqüente quando se enfrenta uma situação de impotência".
Afinal, deve ter sido muito doloroso para o “príncipe uspiano” descobrir que a sociedade nova não só estava com Lula como, após seis anos de governo, continua a apoiá-lo. Como nunca antes na história desse país.

(...)

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa.

Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

Uma denúncia importada do blog Cidadania. com

Reproduzo a denúncia abaixo e aproveito para indicar a leitura cotidiana do blog do Eduardo Guimarães, o Cidadania.com. Este é um dos melhores blogs da rede, Eduardo Guimarães tem uma clareza do quadro político brasileiro que, infelizmente, não vemos em muitos dos bons jornalistas deste país, quem dirá na grande imprensa.

17/12/2008

Denúncia

Crime de lesa-pátria
Eduardo Guimarães


Vocês viram, não é? Mesmo depois de as pesquisas Datafolha, Sensus e Ibope mostrarem insucesso da mídia em convencer a população de que sua vida irá piorar dramaticamente por conta da crise internacional, a campanha de tevês, rádios, jornais e grandes portais de internet de venda da chegada da ruína econômica do país continua na mesma toada ou até mais intensa.

A cada indicador que mostra alguma mera desaceleração do ritmo de atividade de nossa economia, ritmo que já era considerado insustentável por economistas de todas as tendências, a mídia trata essas reduções de indicadores como “prova” cabal de que ela está certa ao pregar a chegada do desastre e de que o governo Lula está errado ao pregar o contrário.

Nas ruas de comércio e nos shoppings, porém, falar de crise não é apenas proibido, é ridículo. Ontem, minha mulher foi pagar uma conta perto de uma das ruas de comércio mais significativas do país, a rua 25 de março, em São Paulo, e se espantou não apenas com a massa humana que se espremia nas lojas para comprar e pagar, mas com a própria dificuldade que encontrou na rua para se locomover devido às centenas de milhares que ali se espremiam para consumir de tudo e mais um pouco.

Segundo a mídia, a opinião majoritária em todas as classes sociais, em todas as faixas etárias, em todos os níveis de escolaridade e em todas as regiões do país de que estamos resistindo muito bem à crise, melhor do que qualquer outro país, conforme diz Lula, é produto de auto-engano da população, que, sempre segundo a mídia, não quer enxergar o desastre iminente, e produto, também, de mentiras do governo, que estaria induzindo as pessoas a manterem essa “ilusão”.

Claro está que há uma fé meio cega da mídia no desastre. Essa fé deriva de economistas ligados ao PSDB e ao PFL e que têm grande trânsito junto aos meios de comunicação. Eles se acham mais bem informados do que os técnicos do governo que fundamentam o discurso de Lula, ainda que alguns tarados acreditem que ele diz o que diz sobre a crise sem ter base em nada, apenas calcado nos próprios desejos e na ignorância da qual a elite acredita que o presidente sofre.

A sucessão de números da economia que desautorizam a afirmação de que a crise terá efeitos maiores no Brasil, segundo a mídia, não significaria nada, pois a crise teria chegado “agora” e, portanto, os números que têm sido divulgados seriam produto do momento pré-crise, há dois meses e pouco. Esse discurso, no entanto, ignora que o único país do mundo em que a crise chegou tão atrasada teria sido o Brasil, porque em todos os outros países de porte igual ou parecido a crise já chegou faz tempo.

É possível perceber a teoria que a mídia vendeu a uma pequena parcela dos brasileiros que, a despeito dos fatos do mundo ao seu redor, continua pregando a chegada do apocalipse econômico. No último domingo, participei da festa de despedida de minha filha que irá estudar na Austrália. Ali, comecei a conversar sobre a crise e sobre o governo Lula com pessoas da classe média paulistana, talvez a classe social mais refratária ao governo.

O discurso dessas pessoas diante da questão da crise envergonharia a mídia. O discurso do conservador paulistano de classe média é de desqualificar estatísticas de todo tipo, desde a popularidade de Lula até a medição do PIB. Todas as estatísticas seriam forjadas em prol do governo “comunista” que teria o país. Essas pessoas acreditam nos boatos que recitam entre elas como se fossem fatos amplamente conhecidos e inegáveis. Lula é popular em 70%? Ah, eles nunca foram pesquisados por nenhum instituto e, portanto, dizem que a pesquisa é falsa e pronto. Assim não têm que refletir por que a popularidade do presidente é tão alta.

O racismo também está em alta entre a classe média paulistana, a exemplo do que acontece na classe alta. Cheguei a ouvir de duas pessoas da minha idade e do meu bairro que elas se consideram racistas, sim. E “com orgulho”.

Foi-me doloroso ouvir o que ouvi. Confrontadas com a afirmação que lhes fiz no âmbito de uma discussão da política de cotas para negros nas universidades, com a afirmação de que, num futuro próximo, veremos médicos e dentistas negros também em São Paulo, onde não existem esses tipos de profissionais com pele escura, aquelas pessoas afirmaram, sem hesitação ou vergonha, que jamais se submeteriam a um médico ou a um dentista negros.

É chocante o nível de reacionarismo que persiste nas camadas mais altas da sociedade. Preconceitos que eu pensava enterrados afloraram com toda força a partir do governo Lula. A impressão que tenho é a de que tanto preconceito sempre ficou submerso por não haver “necessidade” de externá-lo, já que, neste país, estava tudo dominado. Mas, a partir da reviravolta social promovida por este governo, a elite branca voltou a mostrar suas garras.

A aposta da direita brasileira no potencial da crise para lhe conceder um passaporte de volta ao poder continua forte e, até certo ponto, parece justificada, pois o mundo piora a cada dia. Apesar de, aqui no Brasil, os indicadores mostrarem uma marolinha, com poucas dispensas de trabalhadores – e absolutamente localizadas – e dados sobre atividade econômica que não revelam nenhuma queda considerável, o mundo, por sua vez, mergulha em um abismo do qual ainda não se vê o fundo.

Essa hipótese de o Brasil, sendo governado por alguém como Lula – um ex-operário e retirante nordestino –, ficar imune a uma crise que pegou o mundo inteiro de jeito é inaceitável para a elite branca paulista-paulistana, para os conservadores de direita do quartel-general do atraso social no país (São Paulo), para aqueles que pregam o racismo em pleno século XXI, para essas pessoas que qualquer um que reside num bairro “nobre” da capital paulista conhece às pencas.

Os conservadores paulistas são piores do que os gaúchos, do que os catarinenses ou do que os cariocas. Na verdade, o dinheiro da nação está aqui em São Paulo. É aqui que se encastela a quase totalidade dos bilionários brasileiros, que são os que mandam – ou que pensam que ainda mandam – no país, aqueles que estão – ou que estavam? – acima das leis e das convenções todas da sociedade, sendo-lhes permitido até delinqüir, matar, roubar, estuprar, enfim, fazer qualquer coisa sem medo de responder por tais crimes.

Sinceramente, dá medo. Eu até estava meio inseguro quanto à possibilidade de a mídia e a oposição quererem que o país afunde na crise para terem mais chance de eleger José Serra presidente em 2010, mas depois que, numa conversa com o jornalista Luiz Carlos Azenha, ele me revelou que, tanto quanto eu, não tem dúvida nenhuma de que essa gente afundaria o país para retomar o Estado, tive que me conformar com essa desgraça.

Vocês conseguem mensurar a quantidade de desgraças que se abateria sobre o país se a crise se tornasse o que o PSDB, o PFL, a família Marinho, a família Frias ou a família Civita, entre outros, querem que se torne por aqui? Quantos dramas? Quanto sofrimento haveria? Para essa gente, quanto mais sofrimento houver melhores serão suas chances de voltar ao poder. Vejam só!

Agora, eu lhes pergunto: para alguém que despreza outro ser humano apenas porque sua pele tem mais pigmentação, dessa pessoa pode-se esperar o que? E não duvidem, meus amigos, de que é o racismo, nu e cru, o que está na essência da mentalidade dessa elite doente, dessas pobres pessoas degeneradas pela mentalidade vigente numa classe social que inclusive integro.

A venda da crise econômica pela mídia é hoje a maior ameaça que o Brasil enfrenta. José Serra, os Marinho, os Frias, os Mesquita, os Civita e tantos outros integrantes desse grupo político que ameaça o país com sabotagem de sua economia, visando dividendos políticos, são hoje os grandes inimigos da nação, aqueles que tentam incessantemente induzir as pessoas a pararem de consumir na esperança de que a indústria e o comércio parem e o desemprego aumente, o que provocaria quebras de empresas e mais demissões.

O que José Serra e seu grupo político-midiático (supra mencionado) estão fazendo tem até nome: crime de lesa-pátria. E o pior é que a única punição que se pode imaginar viável para essa gente é a derrota nas urnas, quando, na verdade, a punição mais justa para crime dessa magnitude seria nada mais, na menos do que esses criminosos passarem uma bela temporada na cadeia.

Terça-feira, Dezembro 16, 2008

AS COTAS PARA NEGROS: POR QUE MUDEI DE OPINIÃO

O texto abaixo foi me enviado por Frei David, vale a pena a leitura

William Douglas*



Roberto Lyra, Promotor de Justiça, um dos autores do Código Penal de 1940, ao lado de Alcântara Machado e Nelson Hungria, recomendava aos colegas de Ministério Público que "antes de se pedir a prisão de alguém deveria se passar um dia na cadeia". Gênio, visionário e à frente de seu tempo, Lyra informava que apenas a experiência viva permite compreender bem uma situação.


Quem procurar meus artigos, verá que no início era contra as cotas para negros, defendendo – com boas razões, eu creio – que seria mais razoável e menos complicado reservá-las apenas para os oriundos de escolas públicas. Escrevo hoje para dizer que não penso mais assim. As cotas para negros também devem existir. E digo mais: a urgência de sua consolidação e aperfeiçoamento é extraordinária.

Embora juiz federal, não me valerei de argumentos jurídicos. A Constituição da República é pródiga em planos de igualdade, de correção de injustiças, de construção de uma sociedade mais justa. Quem quiser, nela encontrará todos os fundamentos que precisa. A Constituição de 1988 pode ser usada como se queira, mas me parece evidente que a sua intenção é, de fato, tornar esse país melhor e mais decente. Desde sempre as leis reservaram privilégios para os abastados, não sendo de se exasperarem as classes dominantes se, umas poucas vezes ao menos, sesmarias, capitanias hereditárias, cartórios e financiamentos se dirigirem aos mais necessitados.

Não me valerei de argumentos técnicos nem jurídicos dado que ambos os lados os têm em boa monta, e o valor pessoal e a competência dos contendores desse assunto comprovam que há gente de bem, capaz, bem intencionada, honesta e com bons fundamentos dos dois lados da cerca: os que querem as cotas para negros, e os que a rejeitam, todos com bons argumentos.


Por isso, em texto simples, quero deixar clara minha posição como homem, cristão, cidadão, juiz, professor, "guru dos concursos" e qualquer outro adjetivo a que me proponha: as cotas para negros devem ser mantidas e aperfeiçoadas. E meu melhor argumento para isso é o aquele que me convenceu a trocar de lado: "passar um dia na cadeia". Professor de técnicas de estudo, há nove anos venho fazendo palestras gratuitas sobre como passar no vestibular para a EDUCAFRO, pré-vestibular para negros e carentes.


Mesmo sendo, por ideologia, contra um pré-vestibular "para negros", aceitei convite para aulas como voluntário naquela ONG por entender que isso seria uma contribuição que poderia ajudar, ou seja, aulas, doação de livros, incentivo. Sempre foi complicado chegar lá e dizer minha antiga opinião contra cotas para negros, mas fazia minha parte com as aulas e livros. E nessa convivência fui descobrindo que se ser pobre é um problema, ser pobre e negro é um problema maior ainda.


Meu pai foi lavrador até seus 19 anos, minha mãe operária de "chão de fábrica", fui pobre quando menino, remediado quando adolescente. Nada foi fácil, e não cheguei a juiz federal, a 350.000 livros vendidos e a fazer palestras para mais de 750.000 pessoas por um caminho curto, nem fácil. Sei o que é não ter dinheiro, nem portas, nem espaço. Mas tive heróis que me abriram a picada nesse matagal onde passei. E conheço outros heróis, negros, que chegaram longe, como Benedito Gonçalves, Ministro do STJ, Angelina Siqueira, juíza federal. Conheço vários heróis, negros, do Supremo à portaria de meu prédio.


Apenas não acho que temos que exigir heroísmo de cada menino pobre e negro desse país. Minha filha, loura e de olhos claros, estuda há três anos num colégio onde não há um aluno negro sequer, onde há brinquedos, professores bem remunerados, aulas de tudo; sua similar negra, filha de minha empregada, e com a mesma idade, entrou na escola esse ano, escola sem professores, sem carteiras, com banheiro quebrado. Minha filha tem psicóloga para ajudar a lidar com a separação dos pais, foi à Disney, tem aulas de Ballet. A outra, nada, tem um quintal de barro, viagens mais curtas. A filha da empregada, que ajudo quanto posso, visitou minha casa e saiu com o sonho de ter seu próprio quarto, coisa que lhe passou na cabeça quando viu o quarto de minha filha, lindo, decorado, com armário inundado de roupas de princesa. Toda menina é uma princesa, mas há poucas das princesas negras com vestidos compatíveis, e armários, e escolas compatíveis, nesse país imenso. A princesa negra disse para sua mãe que iria orar para Deus pedindo um quarto só para ela, e eu me incomodei por lembrar que Deus ainda insiste em que usemos nossas mãos humanas para fazer Sua Justiça. Sei que Deus espera que eu, seu filho, ajude nesse assunto. E se não cresse em Deus como creio, saberia que com ou sem um ser divino nessa história, esse assunto não está bem resolvido. O assunto demanda de todos nós uma posição consistente, uma que não se prenda apenas à teorias e comece a resolver logo os fatos do cotidiano: faltam quartos e escolas boas para as princesas negras, e também para os príncipes dessa cor de pele.


Não que tenha nada contra o bem estar da minha menina: os avós e os pais dela deram (e dão) muito duro para ela ter isso. Apenas não acho justo nem honesto que lá na frente, daqui a uma década de desigualdade, ambas sejam exigidas da mesma forma. Eu direi para minha filha que a sua similar mais pobre deve ter alguma contrapartida para entrar na faculdade. Não seria igualdade nem honesto tratar as duas da mesma forma só ao completarem quinze anos, mas sim uma desmesurada e cruel maldade, para não escolher palavras mais adequadas.

Não se diga que possamos deixar isso para ser resolvido só no ensino fundamental e médio. É quase como não fazer nada e dizer que tudo se resolverá um dia, aos poucos. Já estamos com duzentos anos de espera por dias mais igualitários. Os pobres sempre foram tratados à margem. O caso é urgente: vamos enfrentar o problema no ensino fundamental, médio, cotas, universidade, distribuição de renda, tributação mais justa e assim por diante. Não podemos adiar nada, nem aguardar nem um pouco.


Foi vendo meninos e meninas negros, e negros e pobres, tentando uma chance, sofrendo, brilhando nos olhos uma esperança incômoda diante de tantas agruras, que fui mudando minha opinião. Não foram argumentos jurídicos, embora eu os conheça, foi passar não um, mas vários "dias na cadeia". Na cadeia deles, os pobres, lugar de onde vieram meus pais, de um lugar que experimentei um pouco só quando mais moço. De onde eles vêm, as cotas fazem todo sentido.

Se alguém discorda das cotas, me perdoe, mas não devem faze-lo olhando os livros e teses, ou seus temores. Livros, teses, doutrinas e leis servem a qualquer coisa, até ao nazismo. Temores apenas toldam a visão serena. Para quem é contra, com respeito, recomendo um dia "na cadeia". Um dia de palestra para quatro mil pobres, brancos e negros, onde se vê a esperança tomar forma e precisar de ajuda. Convido todos que são contra as cotas a passar conosco, brancos e negros, uma tarde num cursinho pré-vestibular para quem não tem pão, passagem, escola, psicólogo, cursinho de inglês, ballet, nem coisa parecida, inclusive professores de todas as matérias no ensino médio.


Se você é contra as cotas para negros, eu o respeito. Aliás, também fui contra por muito tempo. Mas peço uma reflexão nessa semana: na escola, no bairro, no restaurante, nos lugares que freqüenta, repare quantos negros existem ao seu lado, em condições de igualdade (não vale porteiro, motorista, servente ou coisa parecida). Se há poucos negros ao seu redor, me perdoe, mas você precisa "passar um dia na cadeia" antes de firmar uma posição coerente não com as teorias (elas servem pra tudo), mas com a realidade desse país. Com nossa realidade urgente. Nada me convenceu, amigos, senão a realidade, senão os meninos e meninas querendo estudar ao invés de qualquer outra coisa, querendo vencer, querendo uma chance.


Ah, sim, "os negros vão atrapalhar a universidade, baixar seu nível", conheço esse argumento e ele sempre me preocupou, confesso. Mas os cotistas já mostraram que sua média de notas é maior, e menor a média de faltas do que as de quem nunca precisou das cotas. Curiosamente, negros ricos e não cotistas faltam mais às aulas do que negros pobres que precisaram das cotas. A explicação é simples: apesar de tudo a menos por tanto tempo, e talvez por isso, eles se agarram com tanta fé e garra ao pouco que lhe dão, que suas notas são melhores do que a média de quem não teve tanta dificuldade para pavimentar seu chão. Somos todos humanos, e todos frágeis e toscos: apenas precisamos dar chance para todos.


Precisamos confirmar as cotas para negros e para os oriundos da escola pública. Temos que podemos considerar não apenas os deficientes físicos (o que todo mundo aceita), mas também os econômicos, e dar a eles uma oportunidade de igualdade, uma contrapartida para caminharem com seus co-irmãos de raça (humana) e seus concidadãos, de um país que se quer solidário, igualitário, plural e democrático. Não podemos ter tanta paciência para resolver a discriminação racial que existe na prática: vamos dar saltos ao invés de rastejar em direção a políticas afirmativas de uma nova realidade.


Se você não concorda, respeito, mas só se você passar um dia conosco "na cadeia". Vendo e sentindo o que você verá e sentirá naquele meio, ou você sairá concordando conosco, ou ao menos sem tanta convicção contra o que estamos querendo: igualdade de oportunidades, ou ao menos uma chance. Não para minha filha, ou a sua, elas não precisarão ser heroínas e nós já conseguimos para elas uma estrada. Queremos um caminho para passar quem não está tendo chance alguma, ao menos chance honesta. Daqui a alguns poucos anos, se vierem as cotas, a realidade será outra. Uma melhor. E queremos você conosco nessa história.


Não creio que esse mundo seja seguro para minha filha, que tem tudo, se ele não for ao menos um pouco mais justo para com os filhos dos outros, que talvez não tenham tido minha sorte. Talvez seus filhos tenham tudo, mas tudo não basta se os filhos dos outros não tiverem alguma coisa. Seja como for, por ideal, egoísmo (de proteger o mundo onde vão morar nossos filhos), ou por passar alguns dias por ano "na cadeia" com meninos pobres, negros, amarelos, pardos, brancos, é que aposto meus olhos azuis dizendo que precisamos das cotas, agora.


E, claro, financiar os meninos pobres, negros, pardos, amarelos e brancos, para que estudem e pelo conhecimento mudem sua história, e a do nosso país comum pois, afinal de contas, moraremos todos naquilo que estamos construindo.

Então, como diria Roberto Lyra, em uma de suas falas, "O sol nascerá para todos. Todos dirão – nós – e não – eu. E amarão ao próximo por amor próprio. Cada um repetirá: possuo o que dei. Curvemo-nos ante a aurora da verdade dita pela beleza, da justiça expressa pelo amor."


Justiça expressa pelo amor e pela experiência, não pelas teses. As cotas são justas, honestas, solidárias, necessárias. E, mais que tudo, urgentes. Ou fique a favor, ou pelo menos visite a cadeia.

*juiz federal (RJ), mestre em Direito (UGF), especialista em Políticas Públicas e Governo (EPPG/UFRJ), professor e escritor, caucasiano e de olhos azuis.
Site do autor: (http://www.williamdouglas.com.br/)

Segunda-feira, Dezembro 15, 2008

O que desejo aos amigos em 2009

A gente anda tão blasé...

Eu desejo que tenhamos possibilidades de sentir mais, nos emocionar mais, nos indignar mais e também sorrir mais.


Pode parecer pouco, mas faça um balanço de 2008, quantas vezes vc experimentou de modo genuíno essas sensações?

Que sejamos assim, um pouco como esses bebês e seus sorrisos contagiantes.

Que tenhamos muitos e muitos motivos pra sorrir abertamente, despudoradamente.

Beijos, abraços, boas festas, um ano novo bem bacana
Frô


video

A média da mídia sem compromissos: TV Cultura arma palco para o Gilmar Mendes no Roda Viva de Hoje

Desde quando soubemos pelo Mello qual era a escalação do time de jornalistas (sic) que entrevistará o Gilmar "Dantas" Mendes hoje no Roda Viva, o mais divertido está sendo ler as cartas enviadas ao Markun.

Abaixo reproduzi algumas delas e se você como nós também se indigna com a dita escalação, faça o que sugere o povo do sem-midia e o André Lux: proteste! Escreva para a Cultura e mande sua mensagem:

Gilmar "Dantas" Mendes no "Puleiro dos Tucanos"

Leiam o texto abaixo do blogueiro Idelber Avelar e vejam a que ponto chega o jornalismo de esgoto praticado atualmente no Brasil - mais especificamente na TV Cultura, cujo outrora glorioso programa de entrevistas Roda Vida transformou-se num ridículo "Puleiro de Tucanos".

Leiam tudo, pois vale a pena e não deixem de protestar:

Escreva para o ombudsman da TV Cultura você também. Faz diferença. E entre no site do Roda Viva para postar perguntas: Vai lá.

Gilmar Mendes entrevistado na TV Dantas

Os escalados para entrevistar Gilmar Mendes são Eliane “vacinem-se contra a febre amarela!” Cantanhêde, Reinaldo Azevedo, cuja ignorância, truculência e hidrofobia dispensam comentários, Carlos Marchi, do Estadão e Márcio Chaer, editor do site Consultor Jurídico, de conhecidas ligações com Gilmar Dantas Mendes.

- por Idelber Avelar (http://www.idelberavelar.com/)

Como já sabem a torcida do Corinthians e os leitores do Mello, do Luiz Nassif e do Paulo Henrique Amorim, o Roda Viva, da TV Cultura, vai ao ar nesta segunda com uma entrevista a Gilmar Dantas Mendes, o presidente do Supremo Tribunal Federal. Até mesmo para os padrões do horrendo jornalismo que se pratica no Brasil, é vergonhosa a operação realizada pela TV Cultura com o Roda Viva desta segunda.

Os escalados para entrevistar Gilmar Mendes são Eliane “vacinem-se contra a febre amarela!” Cantanhêde, Reinaldo Azevedo, cuja ignorância, truculência e hidrofobia dispensam comentários, Carlos Marchi, do Estadão e Márcio Chaer, editor do site Consultor Jurídico, de conhecidas ligações com Gilmar Dantas Mendes.
O Roda Viva escalou quatro levantadores de fazer inveja a Ricardinho. A TV Cultura realizaria algo mais próximo do jornalismo se escalasse como entrevistadores quatro capangas ou funcionários de Mendes. A obviedade da manobra terminou, pelo que parece, saindo pela culatra. Uma enxurrada de protestos chegou ao site da TV Cultura.

Mas a coisa ainda piora. O ombudsman – cargo que Houaiss define como jornalista que, de maneira independente, critica o material publicado e responde às queixas dos leitores – resolveu tecer suas próprias teorias sobre a avalanche de protestos que lhe chegaram. Num texto em que abdica completamente da função para a qual foi contratado, Ernesto Rodrigues afirma, sobre os emails, que em todos eles, exatas 10380 palavras, independentemente se eram de remetentes simpáticos ou não à bancada escolhida de entrevistadores, não houve uma única linha com sugestões de perguntas, cobranças ou acusações específicas a serem feitas ao ministro Gilmar Mendes na entrevista. O que só reforça a sensação de que esses telespectadores remetentes, em especial, não pareciam muito interessados no conteúdo da entrevista. Parece brincadeira, mas essas são as palavras de um ombudsman -- um sujeito que é pago para te representar, leitor.

Tendo acompanhado a reação na internet, fica difícil acreditar que nem um único email contivesse sugestões de perguntas a serem feitas a Gilmar Dantas Mendes. No espírito, então, de colaborar com o ombudsman da TV Cultura, enviei-lhe o seguinte email:

Prezado Jornalista Ernesto Rodrigues:

No texto em que Sr. comenta a indignação que tomou conta dos telespectadores da TV Cultura ante a escalação da bancada que entrevistará Gilmar Mendes nesta segunda-feira no Roda Viva, o Sr. afirma que nem um único email continha sugestões de perguntas a serem feitas ao entrevistado. Confesso que não entendi a frase acerca dos emails conterem 10380 palavras, talvez por deficiência minha na descifração de anacolutos. Confio que este email não repetirá o cabalístico número.

No espírito de corrigir o que certamente terá sido uma indesculpável desatenção dos missivistas, incluo aqui 25 perguntas que eu – e, tenho certeza, muita gente mais – gostaria que fossem feitas ao Presidente Gilmar Mendes.

1.O sr. sabe algo sobre o assassinato de Andréa Paula Pedroso Wonsoski, jornalista que denunciou o seu irmão, Chico Mendes, por compra de votos em Diamantino, no Mato Grosso?

2.Qual a natureza da sua participação na campanha eleitoral de Chico Mendes em 2000, quando o sr. era advogado-geral da União?

3.Qual a natureza da sua participação na campanha eleitoral de Chico Mendes em 2004, quando o sr. já era ministro do Supremo Tribunal Federal?

4.Quantas vezes o sr. acompanhou ministros de Fernando Henrique Cardoso a Diamantino, para inauguração de obras?

5.O sr. tem relações com o Grupo Bertin, condenado em novembro de 2007 por formação de cartel? Qual a natureza dessa relação?

6.Quantos contratos sem licitação recebeu o Instituto Brasiliense de Direito Público, do qual o sr. é acionista, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso?

7.O sr. considera ética a sanção, em primeiro de abril de 2002, de lei que autorizava a prefeitura de Diamantino a reverter o dinheiro pago em tributos pela Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Diamantino, da qual o sr. é um dos donos, em descontos para os alunos?

8.O sr. tem alguma idéia do porquê das mais de 30 ações impetradas contra o seu irmão ao longo dos anos jamais terem chegado sequer à primeira instância?

9.O sr. tem algo a dizer acerca da afirmação de Daniel Dantas, de que só o preocupavam as primeiras instâncias da justiça, já que no STF ele teria “facilidades”?

10.O segundo habeas corpus que o sr. concedeu a Daniel Dantas foi posterior à apresentação de um vídeo que documentava uma tentativa de suborno a um policial federal. O sr. não considera uma ação continuada de flagrante de suborno uma obstrução de justiça que requer prisão preventiva?

11.Sendo negativa a resposta, para que serve o artigo 312 do Código de Processo Penal segundo a opinião do sr.?

12.Por que o sr. se empenhou no afastamento do Dr. Paulo Lacerda da ABIN?

13.Por que o sr. acusou a ABIN de grampeá-lo e até hoje não apresentou uma única prova? A presunção de inocência só vale em certos casos?

14.Qual a resposta do sr. à objeção de que o seu tratamento do caso Dantas contraria claramente a súmula 691 do próprio STF?

15.O sr. conhece alguma democracia no mundo em que a Suprema Corte legisle sobre o uso de algemas?

16.O sr. conhece alguma Suprema Corte do planeta que haja concedido à mesma pessoa dois habeas corpus em menos de 48 horas?

17.Por que o sr. disse que o deputado Raul Jungmann foi acusado “escandalosamente” antes de que qualquer documentação fosse apresentada?

18.O sr. afirmou que iria chamar Lula “às falas”. O sr. acredita que essa é uma forma adequada de se dirigir ao Presidente da República? O sr. conhece alguma democracia onde o Presidente da Suprema Corte chame o Presidente da República “às falas”?

19.O sr. tem alguma idéia de por que a Desembargadora Suzana Camargo, depois de fazer uma acusação gravíssima – e sem provas – ao Juiz Fausto de Sanctis, pediu que a "esquecessem"?

20.É verdade que o sr., quando era Advogado-Geral da União, depois de derrotado no Judiciário na questão da demarcação das terras indígenas, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem as decisões judiciais?

21.Quais são as suas relações com o site Consultor Jurídico? O sr. tem ciência das relações entre a empresa de consultoria Dublê, de propriedade de Márcio Chaer, com a BrT?

22.É correta a informação publicada pela Revista Época no dia 22/04/2002, na página 40, de que a chefia da então Advocacia Geral da União, ou seja, o sr., pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público - do qual o sr. mesmo é um dos proprietários - para que seus subordinados lá fizessem cursos? O sr. considera isso ético?

23.O sr. mantém a afirmação de que o sistema judiciário brasileiro é um “manicômio”?

24.Por que o sr. se opôs à investigação das contas de Paulo Maluf no exterior?

25.Já apareceu alguma prova do grampo que o sr. e o Senador Demóstenes denunciaram? Não há nenhum áudio, nada?

Se pelo menos duas ou três dessas perguntas forem feitas ao entrevistado nesta segunda-feira, caro jornalista, eu me juntarei a V. Sra. na avaliação de que a revolta que se viu na internet não é representativa do pensamento da maioria dos telespectadores do Roda Viva.

Atenciosamente, me despeço, desejando boa sorte à sua credibilidade,

Idelber Avelar

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Caro Markun
Fiquei estupefacto ao saber da rigorosa seleção de expertises para participarem do Roda Viva de hoje . Reinaldo Azevedo , para fazer média com a Veja ?, poderia ter convidado o Mainardi , com uma história de vida menos espalhafatosa... Ou o garoto de ouro da Veja , que até o sobrenome é nome de banco..., é verdade ele está em período sabático! Fina estampa!
Que tal o José Simão ? Pelo menos poderia ser um programa humorístico...e não estaríamos sendo partícipes de uma farsa.
Cá entre nós , sua história de vida não merece esse improviso , pano rápido para o burlesco.
Professor Segis

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Caro Markun,

Sem extremismos. Não ponho em dúvida a qualidade de seu currículo e o programa Roda Viva que você durante anos esteve à frente.

Mas é impossível ficar impassível diante de escolha tão duvidosa dos entrevistadores que sabatinarão Gilmar Mendes no próximo Roda Viva.

Vocês têm uma chance única de fazer boas perguntas a um ministro que dá serão para soltar (mesmo que seja um pedido de prisão preventiva e que nunca antes na história o STF tenha feito algo do gênero) um bandido escroque como Daniel Dantas; um ministro que inventa um grampo que nunca ninguém ouviu o audio e que com sua boca grande vive pondo em risco as instituições que deveria preservar; um coronel que junto com seu irmão governam um interior do Centro-Oeste que faz inveja a longa tradição de ACM (incluindo aí nomear ruas do município com o seu nome) isso sem falar nas graves acusações feitas a Gilmar Mendes em 2002 e refeitas em 2008 pelo impoluto Dalmo Dallari.

Temos brilhantes jornalistas cuja presença de qualquer um deles no programa já serviria para balizar essa trupe de 'pau mandado' (perdoe-me a expressão, mas chamar Cantanhede e Reinado de Azevedo de jornalistas é ofender aqueles que ainda honram o ofício), só faltou um certo sociólogo global que ousa aparecer na tv e falar de tudo e todos.
Mas entre os jornalistas que ainda honram a pena temos, Bob Fernandes (que fez a melhor cobertura do caso Daniel Dantas), Mino Carta, Luiz Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorin, Luis Nassif, . Rodrigo Vianna. Será que a presença de algum desses jornalistas intimida tanto o ministro sr. Gilmar Mendes? Foi ele que escolheu a lista de entrevistadores?

Onde está a autonomia de uma rede de televisão que há pouco tempo produziu o maravilhoso e premiado Luta na terra de Makunaima?

Conceição Oliveira

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Caro Markun, durante muitos anos fui um telespectador do programa Roda Viva, tivemos momentos históricos na década de 80 sendo entrevistados Elis Regina, Lula e outras per-
sonades, mas para a minha surpresa e estarrecimento a bancada de entrevistadores do Roda Viva que irá ao ar na segunda-feira:
Márcio Chaer, editor do site Consultor Jurídico; Reinaldo Azevedo, articulista da revista Veja e do blog Reinaldo Azevedo; Eliane Cantanhêde, colunista do jornal Folha de S. Paulo; e Carlos Marchi, repórter e analista de política do jornal O Estado de S. Paulo.,
Todos os profissionais comprometidos com o ministro, nenhum jornalista que poderia contestá-lo, inclusive no blog do Nassif, informa que o ministro o vetou , bem como a Revista Carta Capital, justamente os que poderiam provocar um debate esclarecedor sobre a péssima atuação do presidente do STF.
O seu subordinado Marcelo Bairão, informa que o senhor não teve nenhuma participação na escolha dos entrevistadores, mas lamentavelmente o minímo o que o sr. Bairão poderia fazer é
consultá-lo, assim poderia aprender um pouco mais sobre o jornalismo ético, que com certeza ouviria os dois lados do fato, no caso a entrevista que com certeza já nasce polêmica do Ministro Gilmar Dantas ( ops. Mendes, mas quem falou sobre: Em um texto postado em seu blog, no dia 14 de novembro, Ricardo Noblat chamou o presidente do STF de "Gilmar Dantas".
Espero que a TV Cultura repense, ainda temos tempo e mude esta bancada de entrevistados do ministro.
Abraços
Aparecido Araujo Lima

*******************

Prezado Markun,
Gilmar Mendes será entrevistado por uma Roda de Vivos, se é que você me entende...
Atenciosamente,
Eduardo Guimarães

*******************

Caro Markun,

Sou do Rio de Janeiro e teoricamente não sou "proprietário" da TV Cultura, uma vez que ela pertence aos cidadãos paulistas, contribuintes e que mantém a Fundação Padre Anchieta (em péssimas condições, devido à política dos últimos governos de desprestígio dessa emissora tão premiada e fundamental em tempos passados para a democracia brasileira).

O sinal da TV Cultura chega na minha casa através de um canal UHF que retransmite, a partir da cidade vizinha de São Gonçalo, um sinal fraquinho e em muitos momentos ininteligível.

Porém, soube, através de meus amigos de São Paulo, que o Roda Viva, programa com história indiscutível na TV brasileira, manchará seu currículo com uma "entrevista" ao Ministro Gilmar Mendes, efetuada por 4 jornalistas sabidamente simpáticos ao mesmo, sendo o possível debate e questionamento de pontos extremamente polêmicos deixados de lado. Ainda mais, que teria ocorrido veto de importantes órgãos e nomes da imprensa capazes de tornar o momento mais legítimo, os quais o economista Luís Nassif e a Revista Carta Capital.

Apesar de não ser paulista, de sequer receber com qualidade o sinal da TV Cultura, muito me decepciona que um programa com toda essa história se preste a esse serviço, de ser "chapa branca" de um entrevistado, independente de quem seja. Inclusive, pode desconsiderar meus questionamentos, todo o direito, uma vez que não sou seu "chefe".

Mas imagino que os mais de 40 milhões de "chefes" não estariam nem um pouco satisfeitos com essa conduta, caso lhes fosse possível compreender a dimensão do fato. Uma pena que poucas pessoas ainda são esclarecidas o suficiente para questionar esse tipo de acontecimento, exatamente porque nossa grande mídia não possui o mínimo interesse que elas se tornem esclarecidas, mas sim meros rebanhos de manipulação.

Mas felizmente o uso da internet tornará cada vez maior essa consciência e cairão em descrédito todos que faltarem com a ética e a legitimidade. E é por isso que a TV cada vez mais perde a sua força como veículo de comunicação principal e meio de informação de referência, por exatamente não ser confiável, ser altamente questionável em seu papel de informar.

Decepciona muito que uma TV pública como a TV Cultura mais uma vez esteja envolvida em um caso desse, fugindo da transparência e da verdade, em função de interesses. E ainda mais envolvendo o nome de um programa tão fundamental no processo de democratização brasileira, o Roda Viva.

Espero que os profissionais envolvidos tenham a sensibilidade de se retratar junto a seus "chefes" e pela responsabilidade que possuem em manter uma instituição, que é a TV pública, com o seu devido crédito. Ou então o descrédito e desconfiança serão definitivos.

Respeitosamente,
Sergio Telles

Não adianta, nada abala a popularidade do presidente Lula, é a CNT/Sensus que diz, não sou eu

A popularidade de Lula ainda mata Serra e FHC do coração, bem se as pessoas morressem de inveja eles e mais Artur Virgílio e toda a trupe do demo-tucanato estaria morta.

É simplesmente impressionante como a popularidade do presidente popular que fala 'sifu' cresce em períodos críticos e com toda a imprensa conservadora e carcomida querendo destruí-lo.

15/12/2008 - 11h42

Aprovação do governo Lula aumenta e bate novo recorde, aponta CNT/Sensus

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou em dezembro deste ano a melhor avaliação positiva na história da pesquisa CNT/Sensus, que começou a ser divulgada em 1998. Segundo o levantamento, o governo do petista recebeu avaliação positiva de 71,1% dos entrevistados, contra 6,4% que avaliam negativamente o governo. Entre os entrevistados, 21,6% avaliaram o governo Lula como regular.

A avaliação pessoal do presidente Lula também obteve o a segunda melhor avaliação histórica da pesquisa, subindo de 77,7% em setembro para 80,3% em dezembro. Somente 15,2% dos entrevistados desaprovaram o presidente, enquanto 4,6% não responderam.

Alan Marques/Folha Imagem
Aprovação do governo Lula aumenta e bate novo recorde, aponta CNT/Sensus
Aprovação do governo Lula aumenta e bate novo recorde, aponta CNT/Sensus

Os índices de popularidade de Lula só perderam para as avaliações de sua popularidade registradas em janeiro de 2003 --o ano em que foi empossado no cargo-- quando obteve 83,6% de aprovação.

O diretor do Instituto Sensus, Ricardo Guedes, disse que a popularidade recorde do governo Lula é conseqüência do discurso adotado pelo presidente para tranqüilizar a população em meio à crise econômica.

"Em verdade, o país ainda colhe os resultados econômicos do último trimestre. O país começa a se sentir atingido pela crise financeira e começa a demonstrar preocupações em relação a isto. Junto com isso, o discurso forte do Lula em termos do preparo do país para a crise faz com que o eleitor lhe dê um voto de crédito", disse.

Guedes disse que, embora a avaliação de índices econômicos tenha caído, a imagem de Lula se mantém distante da crise. "Ao mesmo tempo que há avaliação mais negativa de indicadores sócio-econômicos e expectativa em relação a esses indicadores, a popularidade de Lula sobe e a aprovação pessoal também", afirmou.

Na última edição da pesquisa CNT/Sensus, em setembro deste ano, a avaliação positiva do governo era de 68,8% --um crescimento de três pontos percentuais. Desde fevereiro deste ano, o governo Lula vem obtendo recordes sucessivos de popularidade a cada edição da pesquisa.

Em janeiro de 2003, a avaliação do governo chegou a 56,6%, depois registrou queda. Mas voltou a crescer desde o início deste ano, já em seu segundo mandato.

A pesquisa CNT/Sensus foi realizada entre os dias 8 e 12 de dezembro, em 136 municípios de 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas, e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou menos.

Avaliação

A pesquisa ainda mostra que o governo Lula atendeu às expectativas de 42,9% dos entrevistados, enquanto outros 35,6% avaliam que superou as expectativas dos brasileiros.

Somente 18,4% dos entrevistados acreditam que o governo Lula ficou, até agora, abaixo das expectativas da população, e outros 3,1% não responderam.

A maioria dos entrevistados (41,1%) também avalia que Lula está com mais disposição em seu segundo mandato, enquanto 40,3% acham sua disposição similar. Outros 15,4% acreditam que Lula tem menos disposição nos últimos anos do seu governo.

Sexta-feira, Dezembro 12, 2008

Do blog do Mello: Protógenes conta na Caros Amigos como Fernando Henrique enriqueceu

Blog do Mello 11 Dec 2008 07:40

O delegado Protógenes Queiroz deu uma longa entrevista à revista Caros Amigos que está nas bancas agora. Nela, o delegado fala de sua carreira, da Satiagraha, mas também do passado – do seu passado e do de outras personalidades de nossa história, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que estaria envolvido em um caso escabroso de corrupção.

Abaixo, reproduzo trecho da revista que trata desse caso de FHC, mas você deve ir a uma banca de jornal e comprar seu exemplar, porque a entrevista é longa, há denúncias contra um neto de Jorge “Essa Raça” Bornhausem, Paulo Maluf, Pitta etc., além de outros artigos que valem a leitura.

MYLTON SEVERIANO - Fim da ditadura.

PROTÓGENES - E transição para o regime civil. José Sarney pega o país em frangalhos, devendo até a alma, sem dinheiro para financiar as contas públicas, muito menos honrar compromissos, a famige­rada dívida com o FMI. Havia até o "decrete-se a moratória". Era o papo nosso, da esquerda, dos estudantes, "não vamos pagar, já levaram tudo". E o Sarney, o que faz? Bota a mão na ma­nivela e nossos títulos da dívida externa valiam, no mercado internacional, no máximo 20% do valor de face, era negociado na bolsa de Nova York. No paralelo valiam 1%. O que significa? Não passa pela bolsa. Comprei, quero me livrar, então 1% do valor de face, título de um país "à beira de uma convulsão social, ninguém sabe o que vai acontecer com aquele país, um conjunto de raças da pior espécie": essa, a visão primeiro­mundista, o que representávamos para os ban­queiros. Escória. E aqui estávamos, discutindo a reconstrução do país. Vamos dialogar, botar os partidos para funcionar, eleições, e o Sar­ney tendo que dar uma solução. Fecha a mani­vela e toca a jogar título no mercado de Nova York. Cada título que valia 10%, 15%, mandava dinheiro aqui para dentro. Seis anos depois, o mercado financeiro internacional detectou que no Brasil haveria desordem, até guerra civil, e eles não iam receber o que tinham colocado aqui com a compra dos papéis podres, queriam receber mesmo os 15%. E fazem uma regrinha de três e colocam para o Banco Central: "Você vai instituir uma norma, os títulos da dívida ex­terna brasileira adquiridos no mercado finan­ceiro internacional, no nacional poderão ser convertidos junto ao Banco Central pelo valor de face desde que esse dinheiro seja investido em empresas brasileiras." Bacana, não? Se fun­cionasse como ficou estabelecido, nosso país se­ria uma potência, não? Ainda que uma norma perfeita, acho um critério não normal, não é? Não é moralmente ético eu comprar um título por 15% e ter um lucro de 100%, em tão pou­co tempo. Mas enquanto regra de mercado fi­nanceiro tenho de admitir que sou devedor. Se vendi a 15%, na bolsa, assumi o risco de, no fu­turo, o lucro ser maior para o credor. Tenho que pagar. Foi assim que foi feito? Não. Será que o grupo Votorantim recebeu algum dinhei­ro convertido? Alguma outra empresa nacional do porte recebeu? Não. O que o sistema mon­tou? Uma grande operação em determi­nado período para sangrar as reservas do país, e ainda tinha as cartas de inten­ção, que diziam "se você não me pagar posso explorar o subsolo de 50 mil qui­lômetros da Amazônia".

WAGNER NABUCO - Era a fiança?

PROTÓGENES - Sim. Então me deparo com um ban­co, o Paribas, hoje BNP-Paribas que se uniu ao National de Paris. Com três diretores, em São Paulo, e dois outros, mais um contador que foi assassinado e um laranja que se chamava Alberto. O banco adquire esses títulos, no va­lor de 20 milhões de dólares, não é? E converte no Banco Central e aplica em empresas brasileiras, empresas-laran­ja. Comprou no paralelo a 1 %, eram 200 mil dólares, e converteu a 20 mi­lhões de dólares aqui no Brasil e colo­cou nessa empresa-laranja...

MYLTON SEVERIANO Empresa de quê?

PROTÓGENES - De participações. Chamava-se Al­berto Participações, com capital so­cial de 10 mil reais. Já tem coisa erra­da. Como uma empresa com capital de 10 mil reais pode receber um investi­mento estrangeiro da ordem de 20 mi­lhões? Cadê o patrimônio da empresa? Como é que o Banco Central aprova? Mando pegar o processo. Ela investiu, vamos ver aon­de o dinheiro vai. Converteu os 20 milhões e ao longo de doze meses o dinheiro é sacado mensalmente na boca do caixa em uma conta e convertido no dólar paralelo e enviado para a matriz em Paris. Eu digo "Banco Central, me dá o processo do Paribas". Aí não consi­go, quem consegue é o procurador que tra­balhava comigo, Luiz Francisco. Consegue e remete pra mim em São Paulo. Vejo que no Banco Central houve uma briga interna pela conversão. Os técnicos se indignaram, e inde­feriram. Aí houve uma gestão forte para que houvesse a conversão. De quem? Do ministro da fazenda. Que era quem?

MYLTON SEVERIANO - Fernando.

MARCOS ZIBORDI - Henrique.

MYLTON SEVERIANO - Cardoso.

PROTÓGENES - Tento localizar os banqueiros. Todos fugi­ram. Os franceses todos. O contador, assassina­do. O laranja Alberto morreu de morte natural, enquanto nós estudantes lutávamos, dizíamos que a dívida externa não existia, e, de fato, par­te dela era artificial. A coisa é grave, vamos fa­zer uma continha, nós contribuintes, que cre­mos que existe uma ordem no país. Títulos que adquiri por 200 mil, converti no Brasil os 20 milhões de dólares, quanto tive de lucro? 19 milhões e 800 mil. Vamos fazer essa continha para vocês dormirem direito hoje. Esses 19 mi­lhões mandei para minha matriz, o papel está na minha mão ainda, porque dizia o seguinte a norma do Banco Central: ao converter esse tí­tulo, invista em empresa brasileira, e ao final de doze anos "Brasil, mostre a sua cara e me pague aqui, você me deve, pois sou credor des­sa nota promissória chamada título da dívida externa brasileira". Está na lei. Bota aí. Soma 20 milhões com 19 milhões e 800 mil: 39 mi­lhões e 800 mil. Nós devemos isso aí? E mais, o que pedi? Que o juiz bloqueasse o título do Paribas, não pagasse, indiciei os diretores. Por quê? Porque estava se aproximando o final dos doze anos, o título estava vencendo e tínhamos que pagar. Pedi que o Banco Central enviasse cópia de todos os processos de conversão da dí­vida externa brasileira pra mim. Estou esperan­do até hoje. Sabe o que o Banco Central falou? "O departamento não existe, nunca existiu, era feito por uma seção aleatoriamente lá no Banco Central." Então nós não devemos esse montan­te de milhões que cobram.

RENATO POMPEU - Só não entendi o que o Fernando Henrique Cardoso ganhou com isso.

PROTÓGENES - Calma, calma. Sobrou uma para contar a his­tória. A Célia da Avenida São Luís. A mulher de verdade. Era companheira do Alberto, ex-embai­xador do Brasil no Líbano. Quando estourou a guerra ele fugiu e viveu na França, estudando na Sorbonne. Quem ele conhece lá?

MYLTON SEVERIANO - Fernandinho.

PROTÓGENES - Colegas de faculdade. A Célia, marquei de­poimento numa quinta, véspera de feriado, às seis da tarde na superintendência da Polícia Federal. Uma morena bonita, quase 60 anos, me disse que tinha sido miss, modelo, era só­cia nessa empresa, tinha tipo 1 %. Furiosa, "que absurdo, véspera de feriado, perder meus negó­cios, engarrafamento". Já estava gritando no corredor. Dei um molho de uns trinta minutos até ela se acalmar. Pensei "essa mulher está fu­riosa e tem culpa no cartório". Falei "obriga­do por ter vindo", e ela "obrigado nada, o se­nhor é indelicado, desumano, sou dona de uma indústria de sorvetes, e me chama numa hora importante porque tenho que distribuir sorve­te, é feriado, o senhor não tem coração". No meio da esculhambação, digo "tenho que cum­prir meu dever, sou funcionário público", e ela "aposto que é o caso daquele Paribas, não sei por que ficam me chamando, e tem mais, fui companheira do Alberto, e ele foi muito mais brasileiro que muita gente. Era digno, hones­to, ficam manchando a alma dele. Eu ajudei ele até o fim da vida, inclusive sustentei parte da família dele". Percebi que não sabia a verdade, ela disse "ele morreu pobre, ficou esperando a conversão dessa dívida que nunca houve". De­talhe: na quebra de sigilo bancário encontrei um cheque do Alberto que ele recebeu, 64 mi­lhões, na boca do caixa do banco Safra. E ele transfere as cotas para uma empresa criada pelo Paribas em nome dos diretores.

MYLTON SEVERIANO - No Brasil?

PROTÓGENES - Já é um Paribas do Brasil. Transfere para a subsidiária, e os diretores começam a sa­car. O primeiro quem recebe é ele, valor equi­valente a 5%. E ela disse "ele não recebeu a comissão dele que era de 5%". Bateu! Tran­quei o gabinete, falei "vou mostrar um do­cumento, mas se disser que mostrei, pren­do a senhora", era a cópia do cheque, com assinatura e data. A mulher começou a cho­rar. "Desgraçado. Que o inferno o acolha!" Ela disse "tenho muito documento na minha casa". Se fizesse pedido de busca e apreensão chamaria atenção da Justiça, teria um inde­ferimento. Essa investigação estava sendo arrastada. Fiz uma busca e apreensão ao in­verso, "a senhora permite que selecione o que quero?", ela disse "perfeito". Naquela véspera de feriado, peguei dois agentes, con­trariando colegas que queriam ir embora...

MYLTON SEVERIANO - Qual o ano?

PROTÓGENES - 2002. Saímos de lá de madrugada, era um apartamento antigo, magnífico. Ela cho­rando, "desgraçado, até comida na boca eu dei". Ela me dá uma agenda, "aqui parecia o Banco Central, eu atendia o doutor Alberto, da área internacional". Encontrei documen­tos, agendas que vinculavam ele ao Armínio Fraga, ao Fernando Henrique, inclusive uma carta manuscrita, não vou falar de quem, de­pois confirmada, ela falou "levei esse presen­te, pessoalmente, até a casa do Fernando". Mandei documentos para perícia. Na época era eleição do Fernando Henrique.

RENATO POMPEU - Não, do Lula.

PROTÓGENES - Isso. Lula venceu contra Serra. Fernando Henrique era presidente.

RENATO POMPEU - Ele recebeu dinheiro então?

PROTÓGENES - Vamos pegar a linha do tempo. Ele sai de ministro da Fazenda e vira presidente. O ge­rente da área internacional que dá o parecer no processo, quem era? Armínio Fraga. Que presidiu o Banco Central. Essa investigação não sei que fim deu. Pedi ao Banco Central o bloqueio de todos os títulos da dívida externa brasileira que foram convertidos. E pedi cópia de todos os processos de conversão junto ao Banco Central para investigação.

RENATO POMPEU - Saiu na mídia?

PROTÓGENES - Em parte, mas foi abafado. Quem conseguiu publicar foi, se não me engano, a Época.

PALMÉRIO DÓRIA - Citando Fernando Henrique?

PROTÓGENES - Não, não citou. A reportagem era "Fraude à francesa". Essa investigação surge da denúncia de um advogado, Marcos Davi de Figueiredo. Ele sofre uma pressão implacável dentro do ban­co. A Célia passa a ser ameaçada, logo que pres­ta depoimento entregando tudo. Inclusive os es­critórios que deram suporte a essa operação, um do Pinheiro Neto, e ela diz que sofria ameaça do próprio Pinheiro Neto. O procurador foi o dou­tor Kleber Uemura.

MARCOS ZIBOROI - É a última notícia?

PROTÓGENES - Sim. Parece que ele tinha conseguido a que­bra de sigilo bancário. Depois o dinheiro saiu no mercado paralelo e entraram grandes empresas com esquemas de saída de dinheiro. Tinha a Co­tia Trading, que tinha uma coisa com a Volkswa­gen. Entra gente muito poderosa no esquema. Pedi a quebra de sigilo de todas as pessoas que participaram da fraude. E o Kleber conseguiu, aí não acompanhei mais. O Tribunal Federal deu a decisão de que era para não ter quebra de sigilo, era a juíza, salvo engano, Sylvia Steiner. Dá de­cisão favorável ao banco. Meses depois é nomea­da juíza do Tribunal Penal Internacional pelo...

RENATO POMPEU - ... excelentíssimo presidente da República.

Pergunto a você que me lê: Nossa grande imprensa vai repercutir a entrevista? Será que o senador campeão do Congresso em Foco, Álvaro Dias, vai encomendar à Veja uma reportagem?


Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

Do Latuff uma homenagem ao Sérgio Cabral no dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Carlos Latuff me encaminhou hoje texto e imagem que publico sem alterar uma vírgula, reflitamos:


No dia em que se comemoram os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, rendo minhas homenagens ao governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, por todas as mortes de inocentes durante operações policiais nas favelas cariocas, em especial a do menino Matheus Rodrigues, de 8 anos, morto pela polícia com um tiro na cabeça quando saia de casa para comprar pão na favela Baixa do Sapateiro.

Sábado, Dezembro 06, 2008

A propósito do comentário do Fred: um artigo do Paulo Nassar

Sábado, 6 de dezembro de 2008, 07h47

Paulo Nassar
De São Paulo

Não fale em crise, trabalhe

Uma crise financeira pode, muitas vezes, revelar a pior linhagem de um comunicador, especialmente quando ela tem ramificações sociais sensíveis, além de econômicas. É aquele que, a surfar na incerteza, transforma medo em terror ao retransmitir - sem interpretação e com muita opinião - informações que alcançam a sociedade por meio das redes de relacionamento, os empregados, fornecedores, e se amplifica pela mídia. É um ambiente em que pouco se fala sobre construir, mas, a cada dia, comunicadores se reúnem para contar os mortos e projetar o que será ceifado.

Este terrorismo oriundo do ambiente empresarial e da mídia de massa sobre a crise lembra-nos o mito da Caverna de Platão: pessoas aprisionadas no fundo da caverna, sem nenhum contato com o exterior, percebiam o mundo apenas por meio das sombras, que vinham de fora e eram falsamente entendidas como monstros.

Nesta crise, comunicadores e veículos de comunicação têm criado ambientes cavernosos e de ampliações falsas de percepção. Dados reais de uma pesquisa internacional sobre os efeitos da crise financeira sobre as políticas, planos e ações comunicacionais, foram divulgados nesta semana em seguida a uma reunião da ABERJE, Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, e da International Association of Business Communicators, IABC, maior entidade norte-americana de comunicação de empresas.

A pesquisa "Communication and Communicators in the Financial Crisis", mostra que felizmente a maioria dos comunicadores empresariais observa a crise sem se transformar em objeto dela. O trabalho realizado pela IABC, em parceria com a Mercer, foi aplicado em 1.442 membros da IABC, entre 29 de outubro e 12 de novembro de 2008. Entre os respondentes, 59% estavam nos EUA e 26% em empresas no Canadá. O complemento da amostra veio de países como Brasil, Austrália, China, entre outros.

O estudo do IABC foi feito com o objetivo de saber como os comunicadores estão envolvidos na crise e como isso afeta suas funções. A maioria dos comunicadores consultados tinha cargo de diretores ou gerentes de corporações. Questionados sobre o impacto da crise em suas organizações, alguns disseram que não havia crise. Canadenses e australianos relataram que suas empresas não sofreram muito impacto; 40% avaliam que os impactos da crise são significantes, drásticos ou consideráveis e 36% consideram esses impactos moderados.

Em outro item, 8% têm muito medo de perder seus empregos devido à crise, 34% um pouco e 51% não têm medo algum. Dentre os que responderam "drásticos e consideráveis" estão aqueles que trabalham em áreas financeiras e os norte-americanos, áreas consideradas geradoras da grande crise. Sobre se a crise afeta a motivação e confiança dos funcionários, a resposta de 37% foi que não afeta de maneira nenhuma, enquanto 34% disseram que afeta moderadamente.

A percepção dos funcionários em relação aos gerentes é de 46% de credibilidade e 33% de alguma confiança, sendo que os gerentes que não tinham a confiança de sua equipe, já não eram considerados confiáveis antes da crise. Por fim, questionados se suas organizações tinham pedido por um plano de comunicação devido à crise, a maioria respondeu que não (70%).

A pesquisa do IABC mostra que a maioria dos comunicadores sabe que, pelo menos no curto prazo, o mundo não vai acabar. E que o melhor para os negócios - e para a alma - é trabalhar na consolidação da comunicação junto aos empresários e à sociedade como campo de conhecimento e estratégia para a sustentabilidade das atividades produtivas.

Além disso, esta crise financeira global é um momento de reconhecer os comunicadores que, além de selecionar aquilo que informam, interpretam e opinam de forma tranqüila e qualificada. Os "educomunicadores", com certeza, contribuem para diminuir, as incertezas geradas pela crise, a dureza das medidas tomadas pelas empresas e a tristeza desse tempo de pouca esperança.

Paulo Nassar é professor da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE). Autor de inúmeros livros, entre eles O que é Comunicação Empresarial, A Comunicação da Pequena Empresa, e Tudo é Comunicação.

Fale com Paulo Nassar: paulo_nassar@terra.com.br
fonte: Terra Magazine Comunicação

Do blog do professor Emir Sader: "Crise faz despencar popularidade de Lula"

A manchete do Diário Oficial Tucano (DOT), a FSP (Força Serra Presidente) estava pronta. O editor chefe encomendou nova pesquisa de opinião, menos de 2 meses antes da anterior, para constatar os evidentes desgastes na imagem do presidente, com a crise e, principalmente, com o clima de pânico e de pessimismo que a mídia privada – e em especial, o DOT – tinham disseminado. Como toda pesquisa fabricada, não se pesquisava a popularidade de Lula, mas a eficácia da campanha de desgaste que a mídia oligárquica tinha desatado. Propagandeia-se todo o tempo OMO LAVA MAIS BRANCO e se contrata pesquisa para conferir a efetividade da lavagem de cérebro.

Tudo pronto, convocados os zelosos funcionários tucanos da página 2, os chamados "especialistas" – disfarce da tucana fernandohenriquista - para comentar, tudo pronto para explorar a queda irreversível do apoio a Lula. CRISE FAZ DESPENCAR POPULARIDADE DE LULA. Ou: LUA DE MEL DE LULA TERMINA DEFINITIVAMENTE. Sub-título: Serra se diz pronto para enfrentar a crise. Economistas tucanos: Só volta das privatizações pode salvar o Brasil.

Faltava combinar com o povo brasileiro. Mais uma vez "o povo derrotou a opinião pública" fabricada pela mídia privada. 70% de apoio, 6% a mais que na ultima pesquisa, depois da intensa campanha propagandística contra o governo. Crescimento em todos os setores – nível de renda, nível de escolaridade, região do país, tudo, tudo, pior não poderia ser para a FSP e a direita brasileira.Conseguiram apoio de apenas 7% de rejeição a Lula, com tudo o que gastaram na campanha. Contra eles, 93%. O resultado os surpreendeu tanto, que no dia mesmo da publicação da pesquisa, ninguém tinha nada a dizer, nenhum comentário, luto fechado.

Foram necessárias 48 horas para encontrar palavras que dessem conta do incompreensível para mentes tucanas dos jardins paulistanos. Depois da ressaca, das doses de uísque para consolar, o jornal sai todo sem graça, buscando razões que a própria razão desconhece, esfarrapadas, para consolar o inconsolável, depressivo e sorumbático chefe que os havia convocado para mais uma batalha serrista.

Pensaram em títulos como:

POVO AINDA NÃO PERCEBE A CRISE.
Ou: DEMAGOGIA LULISTA ESCONDE A CRISE.
Ou ainda POVO BRASILEIRO, IGNORANTE, MERECE LULA E A CRISE.

Ou, como teria sugerido um funcionário casado com uma tucana ou outro, casado com um tucano: FHC: LULA ENGANA OS BRASILEIROS. Subtítulo: Ex-presidente sugere que FSP publique Max Weber em fascículos, embora creia que é biscoito muito fino para a plebe.

Pensaram em declarações da sua galera, como:

Gilmar Mendes: Supremo vai questionar resultado da pesquisa.

Fiesp: Pessimismo empresarial ainda vai vingar.

Gianotti: Leitura de Wittgenstein permite perceber que Lula está condenado pela Lógica.

Assim age um jornal com o rabo preso com os tucanos e, através deles, com a elite branca, milionária, um intelectual orgânico das elites dominantes brasileiras internacionalizadas. Editorial para xingar Lula, carta de leitor indignado com a realidade, um colunista diz que o desgaste de Lula ainda está por vir, não custa esperar, um "intelectual" tucano repete a mesma coisa, um psicanalista diz que o povo gosta de fugir da realidade.

Agora é fazer logo outra pesquisa, quem sabe alguma oscilação no apoio a Lula, quem sabe aumentar a dose do pânico, talvez mandar embora essa equipe de funcionários incompetentes, talvez outra dose de uísque.

Postado por Emir Sader 06/12/2008 - às 06:06

Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

Um sábado à tarde especial: entre cartunistas, brejas e gaitas

O cartunista Márcio Baraldi organizou no sábado dia 29/11/2008 a entrega do prêmio Troféu Bigorna, (conheça o espírito do prêmio e veja os ganhadores aqui).

Um dos vencedores foi o meu amigo, o cartunista carioca Carlos Latuff, o qual tive o prazer de hospedar em minha casa e acompanhá-lo na cerimônia de entrega.

Por alguns gaps de comunicação chegamos atrasados à entrega e Latuff fez publicamente um mea culpa e recebeu em troca elogios rasgados do Baraldi.
(A qualidade da foto está muiiiiiiiito ruim, mas vale como registro: Baraldi e o mea culpa de Latuff)

(Bem melhor, a foto e a situação, depois do mea culpa do Latuff e da rasgação de seda do Baraldi, tudo voltou à ordem)

Latuff é uma figurinha carimbada: sujeito de hábitos frugais, devorador inveterado de bolachas Maria dissolvidas ao leite com café, amante de ferrovias, que me levou a conhecer esse 'maravilhoso mundo ferroviário' no domingo de seu aniversário.
(De novo, a foto não é grande coisa, visitem o blog ferroviário do Latuff e se divirtam, aqui vale apenas como registro: eu estive lá :) Estação Piassaguera, Cubatão, Santos Jundiaí, ao fundo as ruínas da vila dos ferroviários)

E, entre bolo, brigadeiros e parabéns (meu irmão Coca também aniversaria no dia 3o/11) tivemos longas conversas sobre a situação calamitosa do sistema ferroviário brasileiro, sobre seu ativismo político antiimperialista e em prol dos palestinos, o seu trabalho sindical, sua incrível publicação no exterior, sobre seus
inimigos políticos que, erroneamente, tratam-no como um anti-semita...

Coca e Latuff, os aniversariantes

Mas voltemos à tarde especial de sábado.
(Os cartunistas Bira Dantas e Carlos Latuff)

Após o mea culpa latuffiano, tive sede e resolvi procurar um bar para comprar água. Assim que nos aproximamos das mesas, o carturnista
Bira Dantas reconheceu o Latuff e nos juntamos a ele, ao Rafael da revista Mad, aos ilustradores do Quarto Mundo e ao grande Rodolfo Zalla.
(O ilustrador, quadrinhista argentino Rodolfo Zalla e o cartunista Latuff)

Esse encontro foi mágico: ao som das gaitas do Bira, do Márcio e de um cliente de outra mesa que se juntou ao grupo, Zalla reviveu velhos tempos dos quadrinhos sobre a Segunda Guerra Mundial, desenhando para o seu admirador Carlos Latuff que retribui com outro desenho na mesma temática.

Brincando, desenhando, tocando, esses homens revivem o lado menino por meio da representação gráfica.

Foi um prazer assistir à cena. Compartilho esse mágico sábado com vocês: