Gilmar Mendes entrevistado na TV DantasOs escalados para entrevistar Gilmar Mendes são Eliane “vacinem-se contra a febre amarela!” Cantanhêde, Reinaldo Azevedo, cuja ignorância, truculência e hidrofobia dispensam comentários, Carlos Marchi, do Estadão e Márcio Chaer, editor do site Consultor Jurídico, de conhecidas ligações com Gilmar Dantas Mendes.- por Idelber Avelar (http://www.idelberavelar.com/)Como já sabem a torcida do Corinthians e os leitores do Mello, do Luiz Nassif e do Paulo Henrique Amorim, o Roda Viva, da TV Cultura, vai ao ar nesta segunda com uma entrevista a Gilmar Dantas Mendes, o presidente do Supremo Tribunal Federal. Até mesmo para os padrões do horrendo jornalismo que se pratica no Brasil, é vergonhosa a operação realizada pela TV Cultura com o Roda Viva desta segunda.
Os escalados para entrevistar Gilmar Mendes são Eliane “vacinem-se contra a febre amarela!” Cantanhêde, Reinaldo Azevedo, cuja ignorância, truculência e hidrofobia dispensam comentários, Carlos Marchi, do Estadão e Márcio Chaer, editor do site Consultor Jurídico, de conhecidas ligações com Gilmar Dantas Mendes.
O Roda Viva escalou quatro levantadores de fazer inveja a Ricardinho. A TV Cultura realizaria algo mais próximo do jornalismo se escalasse como entrevistadores quatro capangas ou funcionários de Mendes. A obviedade da manobra terminou, pelo que parece, saindo pela culatra. Uma enxurrada de protestos chegou ao site da TV Cultura.

Mas a coisa ainda piora. O ombudsman – cargo que Houaiss define como jornalista que, de maneira independente, critica o material publicado e responde às queixas dos leitores – resolveu tecer suas próprias teorias sobre a avalanche de protestos que lhe chegaram. Num texto em que abdica completamente da função para a qual foi contratado, Ernesto Rodrigues afirma, sobre os emails, que em todos eles, exatas 10380 palavras, independentemente se eram de remetentes simpáticos ou não à bancada escolhida de entrevistadores, não houve uma única linha com sugestões de perguntas, cobranças ou acusações específicas a serem feitas ao ministro Gilmar Mendes na entrevista. O que só reforça a sensação de que esses telespectadores remetentes, em especial, não pareciam muito interessados no conteúdo da entrevista. Parece brincadeira, mas essas são as palavras de um ombudsman -- um sujeito que é pago para te representar, leitor.
Tendo acompanhado a reação na internet, fica difícil acreditar que nem um único email contivesse sugestões de perguntas a serem feitas a Gilmar Dantas Mendes. No espírito, então, de colaborar com o ombudsman da TV Cultura, enviei-lhe o seguinte email:
Prezado Jornalista Ernesto Rodrigues:
No texto em que Sr. comenta a indignação que tomou conta dos telespectadores da TV Cultura ante a escalação da bancada que entrevistará Gilmar Mendes nesta segunda-feira no Roda Viva, o Sr. afirma que nem um único email continha sugestões de perguntas a serem feitas ao entrevistado. Confesso que não entendi a frase acerca dos emails conterem 10380 palavras, talvez por deficiência minha na descifração de anacolutos. Confio que este email não repetirá o cabalístico número.
No espírito de corrigir o que certamente terá sido uma indesculpável desatenção dos missivistas, incluo aqui 25 perguntas que eu – e, tenho certeza, muita gente mais – gostaria que fossem feitas ao Presidente Gilmar Mendes.
1.O sr. sabe algo sobre o assassinato de Andréa Paula Pedroso Wonsoski, jornalista que denunciou o seu irmão, Chico Mendes, por compra de votos em Diamantino, no Mato Grosso?
2.Qual a natureza da sua participação na campanha eleitoral de Chico Mendes em 2000, quando o sr. era advogado-geral da União?
3.Qual a natureza da sua participação na campanha eleitoral de Chico Mendes em 2004, quando o sr. já era ministro do Supremo Tribunal Federal?
4.Quantas vezes o sr. acompanhou ministros de Fernando Henrique Cardoso a Diamantino, para inauguração de obras?
5.O sr. tem relações com o Grupo Bertin, condenado em novembro de 2007 por formação de cartel? Qual a natureza dessa relação?
6.Quantos contratos sem licitação recebeu o Instituto Brasiliense de Direito Público, do qual o sr. é acionista, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso?
7.O sr. considera ética a sanção, em primeiro de abril de 2002, de lei que autorizava a prefeitura de Diamantino a reverter o dinheiro pago em tributos pela Faculdade de Ciências Sociais e Aplicadas de Diamantino, da qual o sr. é um dos donos, em descontos para os alunos?
8.O sr. tem alguma idéia do porquê das mais de 30 ações impetradas contra o seu irmão ao longo dos anos jamais terem chegado sequer à primeira instância?
9.O sr. tem algo a dizer acerca da afirmação de Daniel Dantas, de que só o preocupavam as primeiras instâncias da justiça, já que no STF ele teria “facilidades”?
10.O segundo habeas corpus que o sr. concedeu a Daniel Dantas foi posterior à apresentação de um vídeo que documentava uma tentativa de suborno a um policial federal. O sr. não considera uma ação continuada de flagrante de suborno uma obstrução de justiça que requer prisão preventiva?
11.Sendo negativa a resposta, para que serve o artigo 312 do Código de Processo Penal segundo a opinião do sr.?
12.Por que o sr. se empenhou no afastamento do Dr. Paulo Lacerda da ABIN?
13.Por que o sr. acusou a ABIN de grampeá-lo e até hoje não apresentou uma única prova? A presunção de inocência só vale em certos casos?
14.Qual a resposta do sr. à objeção de que o seu tratamento do caso Dantas contraria claramente a súmula 691 do próprio STF?
15.O sr. conhece alguma democracia no mundo em que a Suprema Corte legisle sobre o uso de algemas?
16.O sr. conhece alguma Suprema Corte do planeta que haja concedido à mesma pessoa dois habeas corpus em menos de 48 horas?
17.Por que o sr. disse que o deputado Raul Jungmann foi acusado “escandalosamente” antes de que qualquer documentação fosse apresentada?
18.O sr. afirmou que iria chamar Lula “às falas”. O sr. acredita que essa é uma forma adequada de se dirigir ao Presidente da República? O sr. conhece alguma democracia onde o Presidente da Suprema Corte chame o Presidente da República “às falas”?
19.O sr. tem alguma idéia de por que a Desembargadora Suzana Camargo, depois de fazer uma acusação gravíssima – e sem provas – ao Juiz Fausto de Sanctis, pediu que a "esquecessem"?
20.É verdade que o sr., quando era Advogado-Geral da União, depois de derrotado no Judiciário na questão da demarcação das terras indígenas, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem as decisões judiciais?
21.Quais são as suas relações com o site Consultor Jurídico? O sr. tem ciência das relações entre a empresa de consultoria Dublê, de propriedade de Márcio Chaer, com a BrT?
22.É correta a informação publicada pela Revista Época no dia 22/04/2002, na página 40, de que a chefia da então Advocacia Geral da União, ou seja, o sr., pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público - do qual o sr. mesmo é um dos proprietários - para que seus subordinados lá fizessem cursos? O sr. considera isso ético?
23.O sr. mantém a afirmação de que o sistema judiciário brasileiro é um “manicômio”?
24.Por que o sr. se opôs à investigação das contas de Paulo Maluf no exterior?
25.Já apareceu alguma prova do grampo que o sr. e o Senador Demóstenes denunciaram? Não há nenhum áudio, nada?
Se pelo menos duas ou três dessas perguntas forem feitas ao entrevistado nesta segunda-feira, caro jornalista, eu me juntarei a V. Sra. na avaliação de que a revolta que se viu na internet não é representativa do pensamento da maioria dos telespectadores do Roda Viva.
Atenciosamente, me despeço, desejando boa sorte à sua credibilidade,
Idelber Avelar
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Caro Markun
Fiquei estupefacto ao saber da rigorosa seleção de expertises para participarem do Roda Viva de hoje . Reinaldo Azevedo , para fazer média com a Veja ?, poderia ter convidado o Mainardi , com uma história de vida menos espalhafatosa... Ou o garoto de ouro da Veja , que até o sobrenome é nome de banco..., é verdade ele está em período sabático! Fina estampa!
Que tal o José Simão ? Pelo menos poderia ser um programa humorístico...e não estaríamos sendo partícipes de uma farsa.
Cá entre nós , sua história de vida não merece esse improviso , pano rápido para o burlesco.
Professor Segis
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Caro Markun,
Sem extremismos. Não ponho em dúvida a qualidade de seu currículo e o programa Roda Viva que você durante anos esteve à frente.
Mas é impossível ficar impassível diante de escolha tão duvidosa dos entrevistadores que sabatinarão Gilmar Mendes no próximo Roda Viva.
Vocês têm uma chance única de fazer boas perguntas a um ministro que dá serão para soltar (mesmo que seja um pedido de prisão preventiva e que nunca antes na história o STF tenha feito algo do gênero) um bandido escroque como Daniel Dantas; um ministro que inventa um grampo que nunca ninguém ouviu o audio e que com sua boca grande vive pondo em risco as instituições que deveria preservar; um coronel que junto com seu irmão governam um interior do Centro-Oeste que faz inveja a longa tradição de ACM (incluindo aí nomear ruas do município com o seu nome) isso sem falar nas graves acusações feitas a Gilmar Mendes em 2002 e refeitas em 2008 pelo impoluto Dalmo Dallari.
Temos brilhantes jornalistas cuja presença de qualquer um deles no programa já serviria para balizar essa trupe de 'pau mandado' (perdoe-me a expressão, mas chamar Cantanhede e Reinado de Azevedo de jornalistas é ofender aqueles que ainda honram o ofício), só faltou um certo sociólogo global que ousa aparecer na tv e falar de tudo e todos.
Mas entre os jornalistas que ainda honram a pena temos, Bob Fernandes (que fez a melhor cobertura do caso Daniel Dantas), Mino Carta, Luiz Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorin, Luis Nassif, . Rodrigo Vianna. Será que a presença de algum desses jornalistas intimida tanto o ministro sr. Gilmar Mendes? Foi ele que escolheu a lista de entrevistadores?
Onde está a autonomia de uma rede de televisão que há pouco tempo produziu o maravilhoso e premiado Luta na terra de Makunaima?
Conceição Oliveira
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Caro Markun, durante muitos anos fui um telespectador do programa Roda Viva, tivemos momentos históricos na década de 80 sendo entrevistados Elis Regina, Lula e outras per-
sonades, mas para a minha surpresa e estarrecimento a bancada de entrevistadores do Roda Viva que irá ao ar na segunda-feira:
Márcio Chaer, editor do site Consultor Jurídico; Reinaldo Azevedo, articulista da revista Veja e do blog Reinaldo Azevedo; Eliane Cantanhêde, colunista do jornal Folha de S. Paulo; e Carlos Marchi, repórter e analista de política do jornal O Estado de S. Paulo.,
Todos os profissionais comprometidos com o ministro, nenhum jornalista que poderia contestá-lo, inclusive no blog do Nassif, informa que o ministro o vetou , bem como a Revista Carta Capital, justamente os que poderiam provocar um debate esclarecedor sobre a péssima atuação do presidente do STF.
O seu subordinado Marcelo Bairão, informa que o senhor não teve nenhuma participação na escolha dos entrevistadores, mas lamentavelmente o minímo o que o sr. Bairão poderia fazer é
consultá-lo, assim poderia aprender um pouco mais sobre o jornalismo ético, que com certeza ouviria os dois lados do fato, no caso a entrevista que com certeza já nasce polêmica do Ministro Gilmar Dantas ( ops. Mendes, mas quem falou sobre: Em um texto postado em seu blog, no dia 14 de novembro, Ricardo Noblat chamou o presidente do STF de "Gilmar Dantas".
Espero que a TV Cultura repense, ainda temos tempo e mude esta bancada de entrevistados do ministro.
Abraços
Aparecido Araujo Lima
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Prezado Markun,
Gilmar Mendes será entrevistado por uma Roda de Vivos, se é que você me entende...
Atenciosamente,
Eduardo Guimarães
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Caro Markun,
Sou do Rio de Janeiro e teoricamente não sou "proprietário" da TV Cultura, uma vez que ela pertence aos cidadãos paulistas, contribuintes e que mantém a Fundação Padre Anchieta (em péssimas condições, devido à política dos últimos governos de desprestígio dessa emissora tão premiada e fundamental em tempos passados para a democracia brasileira).
O sinal da TV Cultura chega na minha casa através de um canal UHF que retransmite, a partir da cidade vizinha de São Gonçalo, um sinal fraquinho e em muitos momentos ininteligível.
Porém, soube, através de meus amigos de São Paulo, que o Roda Viva, programa com história indiscutível na TV brasileira, manchará seu currículo com uma "entrevista" ao Ministro Gilmar Mendes, efetuada por 4 jornalistas sabidamente simpáticos ao mesmo, sendo o possível debate e questionamento de pontos extremamente polêmicos deixados de lado. Ainda mais, que teria ocorrido veto de importantes órgãos e nomes da imprensa capazes de tornar o momento mais legítimo, os quais o economista Luís Nassif e a Revista Carta Capital.
Apesar de não ser paulista, de sequer receber com qualidade o sinal da TV Cultura, muito me decepciona que um programa com toda essa história se preste a esse serviço, de ser "chapa branca" de um entrevistado, independente de quem seja. Inclusive, pode desconsiderar meus questionamentos, todo o direito, uma vez que não sou seu "chefe".
Mas imagino que os mais de 40 milhões de "chefes" não estariam nem um pouco satisfeitos com essa conduta, caso lhes fosse possível compreender a dimensão do fato. Uma pena que poucas pessoas ainda são esclarecidas o suficiente para questionar esse tipo de acontecimento, exatamente porque nossa grande mídia não possui o mínimo interesse que elas se tornem esclarecidas, mas sim meros rebanhos de manipulação.
Mas felizmente o uso da internet tornará cada vez maior essa consciência e cairão em descrédito todos que faltarem com a ética e a legitimidade. E é por isso que a TV cada vez mais perde a sua força como veículo de comunicação principal e meio de informação de referência, por exatamente não ser confiável, ser altamente questionável em seu papel de informar.
Decepciona muito que uma TV pública como a TV Cultura mais uma vez esteja envolvida em um caso desse, fugindo da transparência e da verdade, em função de interesses. E ainda mais envolvendo o nome de um programa tão fundamental no processo de democratização brasileira, o Roda Viva.
Espero que os profissionais envolvidos tenham a sensibilidade de se retratar junto a seus "chefes" e pela responsabilidade que possuem em manter uma instituição, que é a TV pública, com o seu devido crédito. Ou então o descrédito e desconfiança serão definitivos.
Respeitosamente,
Sergio Telles