Quarta-feira, Dezembro 26, 2007

Cartão de Natal recebido de meu amigo Roni

A GUERRA ACABOU

SE ASSIM VOCÊ QUISER

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Sexta-feira, Dezembro 21, 2007

Que 2008 seja ao menos melhor que 2007

A todos os leitores do blog Mariafro uma homenagem surrupiada de Manoel de Barros:

O Apanhador de Desperdício
(Manoel de Barros)


Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não uso das palavras
Fatigadas de informar.
Dou mais respeito
Às que vivem de barriga no chão
Tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou importância às coisas desimportantes
E aos seres desimportantes
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais do que as dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios
(...)
Queria que minha voz tivesse formato de canto
Porque não sou da informática
Eu sou da invencionática.
Só uso minhas palavras para compor meus silêncios.
*************

Desejo a todos (se comemorarem o Natal) uma celebração recheada do aconchego familiar, dos amigos e daqueles que desejamos estar e ter por perto.


Desejo também (afinal sou 'brasileira e não desisto nunca') que 2008 seja ao menos melhor que 2007, Que nos arrisquemos às invencionáticas, que ouçamos com atenção 'o sotaque das águas' que possamos respeitar mais as pequenas coisas 'desimportantes'... e, acima de tudo, que tenhamos saúde e energia para enfrentar os desafios e apreciar as boas coisas 'desimportantes' que ocorrerem a nós.

Grande


Conceição Oliveira (Frô)

O racismo é uma construção histórica

No Brasil até pelo menos o XVIII o negro foi visto como inferior não com argumentos biológicos, mas culturais/religiosos. De fins do XVIII já podemos ver mudanças nesse discurso.

Em nosso território há uma longa duração nos discursos que associam mulheres negras a objetos sexuais, que as tratam de modo desrespeitoso e sempre traduzem gestos, modos, danças e até mesmo práticas religiosas como expressão da licenciosidade, como libidinosas, lascivas, promíscuas e correlatos.


Desde o início da polêmica sobre o programa do Jô onde entrevistado e entrevistador fizeram associações grotescas entre aspectos estéticos e vida sexual de etnias africanas em Angola eu tentei pontuar o quanto os discursos do entrevistado e do entrevistador se complementaram ao longo dos 10 minutos do programa. Faltou respeito, extrapolou-se, cometeu inverdades históricas, antropológicas, geográficas a serviço do preconceito.


Como mulher, educadora e cidadã me indignei e agi. Temos ainda muito a caminhar para reconstruir uma história do continente africano e 'seus mil povos', distanciando-o de uma construção colonialista e neocolonialista que o pintou de 'bárbaro' em oposição ao outro 'civilizado' e programas como esses não são bem-vindos.


Vivemos em um momento de embate, onde as lideranças negras de diferentes tendências colocaram em cheque as políticas públicas e avançam a trancos e barrancos à revelia de um discurso solidamente institucionalizado nos grupos de 'esquerda e de direita' em nosso país de que nosso problema não é racial e sim econômico.


O mínimo avanço de conquistas de bandeiras negras já provocam reações conservadoras e não raro preconceituosas.

Por isso, creio que precisamos estar atentos aos nossos próprios discursos, a maneira fácil e, às vezes, leviana de como tratamos o sentimento daqueles que são alvo constante do preconceito.

Uma sociedade não muda sua ética conservadora expressa na linguagem, nas piadas, na arquitetura física e social tão desiguais em relação à cor se os que estão entre os grupos beneficiados e têm condições cognitivas e informações para refletir negarem-se a esse exercício (que de fato não é fácil).

As ironias que por vezes li em alguns comentários sobre a questão, descontando o meio impessoal da rede, pareceram-me muito desnecessárias e contraproducentes para avançarmos sobre a reflexão da questão.
Espero que as representações negras em nosso país sejam reelaboradas e próximas à realidade de luta e conquista dos afrodescendentes.
Axé!

Conceição
A propósito, segue notícia de 19/12/2007 - 15:03:36
Combate ao racismo fica fora do Pronasci
Ana Luíza Pinheiro Flauzina, Mestra em Direito pela Universidade de Brasília e professora do UniCeub.analuiza@irohin.org.br
O projeto de lei orçamentária para 2008, que estima a receita e fixa a despesa da União para o exercício financeiro, está sendo apreciado pelo Congresso Nacional. Na área temática VII, que inclui matéria relativa à Justiça e à Defesa, o Pronasci – Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania – figura como a “grande promessa” em termos de segurança pública, sendo uma diretriz da comissão a cargo da análise do projeto no Senado Federal evitar qualquer cancelamento das dotações orçamentárias destinadas ao cumprimento de suas ações, tendo em vista tratar-se de “... um programa da mais alta relevância para o país”.
Mas é claro que todos os cuidados em dar viabilidade ao programa desenvolvido pelo Ministério da Justiça não envolvem em qualquer nível o trato da questão racial. E o Congresso Nacional, na linha do que já fora proposto pelo Executivo, ratifica essa decisão. A Lei 11.530 de 24 de outubro de 2007, que institui o Pronasci, determina que uma diretriz do programa é a promoção dos direitos humanos em consonância com questões raciais, dentre outras elencadas. Esse é a única e mais próxima menção do programa no que tange ao enfrentamento do racismo no âmbito da segurança pública, sendo nítida a função meramente simbólica, tendo em vista o fato de a juventude negra não figurar entre os focos prioritários e não haver ações conseqüentes para o enfrentamento do racismo institucional.
Esse tipo de percepção, que poderia ser minimamente revista pelo Legislativo, ao que se vê está endossada. A relatoria, tão preocupada em não alterar as dotações financeiras destinadas ao programa, viu-se forçada a vetar uma única emenda. Alguma dúvida sobre o seu teor? Trata-se de emenda de remanejamento (nº 6003005) de autoria da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania do Senado Federal que visava incluir um marco normativo para o enfrentamento do racismo institucional.
O tom espantoso com que se trata no relatório a existência de uma emenda dessa natureza na estrutura do Pronasci seria mesmo risível se não fosse a tragédia imposta pelas agências do sistema de justiça criminal à existência coletiva do contingente negro brasileiro. A argumentação para se rejeitar a iniciativa gira em torno de duas questões básicas. Em primeiro lugar, para a relatoria, a ação a qual se vincula a emenda – Apoio à implementação de Políticas Sociais, cuja finalidade é “garantir o acesso dos moradores de territórios de descoesão social, especialmente os adolescentes e jovens em situação de risco social ou em conflito com a lei, às políticas sociais do Governo”, não tem absolutamente nada a ver com o enfrentamento da desigualdade racial. Em segundo lugar, que, tecnicamente, o lugar adequado para se abrigar a emenda seria a SEPPIR (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), esta sim competente para a execução de ações dessa envergadura.
Esse tipo de percepção ilustra bem a forma como o institucional tem se posicionado frente às pressões do movimento negro. O engodo da tão aludida “transversalidade”, que deveria alcançar todos os Ministérios no que tange ao enfrentamento do racismo, é límpido e cristalino. Nessa perspectiva, a criação desses guetos institucionais à la SEPPIR cumpre um papel simbólico decisivo. A imagem transmitida é a de que a existência desse tipo de órgão já representa em si o enfrentamento ao racismo. É óbvio que não existem as condições para que a tarefa se realize e os quadros acionados para assumir a pasta são os que se contentam com esmolas institucionais. Mas, na fatura, qualquer tipo de censura mais conseqüente às omissões acabam se convertendo numa caricatura de um movimento negro imaturo e radical, que não reconhece qualquer das “benesses” concedidas pela casa grande.
É por esse tipo de estratégia que, acredito, já é hora de assumirmos o fracasso que as conquistas de cunho meramente simbólico representam para a luta contra as desigualdades raciais no país. Afinal, a SEPPIR já deu provas suficientes de que não desenvolve ações conseqüentes, não tem influência política para pautar a questão racial junto aos outros Ministérios e, ao contrário de sua missão expressa inicial, acaba servindo como uma espécie de “cala boca” para as pressões do movimento negro junto à opinião pública.
Quanto a nós, ficamos uma vez mais desconsiderados em nossas mais relevantes reivindicações. E não adianta gritar aos quatro ventos que o sistema de justiça criminal no Brasil é um espaço de perpetuação de violência e extinção da vida de centenas de pessoas, sendo o racismo o grande mote para a existência e manutenção desse tipo de prática. De nada servem pesquisas oficiais, dados coletados por Ong’s e organismos internacionais, fotos que expõem os corpos de meninos negros diuturnamente “caídos no chão” pela violência policial. O PRONASCI, entenda-se de uma vez por todas, não tem nada a ver com isso!!! Não cabe ao programa enfrentar e alterar essa realidade, argumentam Executivo e Legislativo irmanados. Como consta no relatório, “ as questões de igualdade racial, em princípio, não integram o contexto desse Programa”. Não. Coisa de preto não integra política pública que se pretenda conseqüente nesse país. E para os que insistirem em falar nesses temas sem importância? Recomenda-se que atravessem a rua, logo ali à direita construiu-se um cercadinho com fachada de Secretaria para vocês se distraírem... Entrem e fiquem à vontade.

Adailton da Silva- Consultor Técnico SCDH
Programa Nacional de DST / Aids
Av. W 3 Norte SEPN 511 - Bloco C - 1º Andar
CEP 70750-543 Brasília-DF
(61) 34488123
adailton.silva@aids.gov.br

Quinta-feira, Dezembro 13, 2007

Não aprovaram a CPMF, esperem o acerto de contas

Não vou alongar-me sobre o jogo sujo de políticos arrivistas que estão com a cabeça em 2008 e 2010, se não estiver muito equivocada o acerto de contas dessa irresponsabilidade será feito exatamente em 2008 e 2010, quem viver, verá.

Vale a pena ler o Azenha ( A CPMF e a família da Gilmara: como tirar proveito de uma derrota, 13/12) e o

Edu Guimarães (13/12 por entre as pernas) a respeito

Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Já que Jô Soares se espelha nos apresentadores estadunidenses...

... poderia ao menos aprender com os apresentadores que sabem fazer humor inteligente e que não desrespeitam a diferença.

Vale a pena assistir a entrevista que Jon Stewart fez ao presidente da Bolívia, Evo Morales.

Aliás toda a imprensa brasileira poderia se espelhar nesse modelo.

The Daily Show com Jon Stewart: Global Edition é uma edição dos melhores momentos da semana do programa The Daily Show, vencedor de 10 prêmios Emmy Award-s na categoria de Melhor Programa de Variedades e eleito pela revista Time como o Melhor Talk Show da tevê americana. E o Sony Entertainment Television traz para seus assinantes com apenas uma semana de diferença da edição americana!

O programa mostra reportagens e esquetes cômicas, além das irreverentes entrevistas comandadas por Stewart, sempre enfocando os principais acontecimentos e destaques internacionais com bom humor e sátira dos fatos.
Fonte: Sony Pictures