(Marcia Rosa- Vereadora Cubatão)
Lembrando e re-significando Carlos Drummond de Andrade " perder é uma forma de aprender", o discurso de posse do governador do estado de São Paulo, mais parecia linhas amareladas escritas para a posse da eleição não ganha em 2002. Drummond um dos mais importantes escritores da literatura brasileira com certeza escreveu poemas para as mais diversas interpretações, até mesmo quem sabe para alimentar a arrogância e o rancor de quatros anos da derrota de Serra por Lula na primeira eleição para presidente da Republica desse terceiro milênio. Serra teve o direito à recuperação, mas foi reprovado não aprendeu a perder e nem a ganhar.
Na linha do horizonte, seu discurso alargou os limites do possível, não do ponto de vista institucional e/ou econômico, mas do ponto de vista da razoabilidade. Esqueceu-se de que o "ninho tucano" governou São Paulo por mais de dez anos e que nessa década também governaram nossa Pátria, dessa debilitada República.
Falou de valores morais e ética, sem ser ético. Falou de oposição, anunciando que a guerra cega e míope do Poder pelo Poder não acabou no sufrágio que o elegeu, mas sinalizou seu armamento ideológico, com desprezo à pluralidade de concepções enriquecedoras da democracia.
Falou de desenvolvimento e igualdade social, ocultando a estagnação de país, sobretudo do estado de São Paulo sob égide de seus aliados políticos. Falou da importância de mobilizar instrumentos e técnicas para se construir uma vida melhor, mas renegou a importância de projetos sociais como o Bolsa Família, que devolveu dignidade e esperança à milhares de brasileiros e brasileiras, como se fosse possível o ensinamento da pesca a um corpo desnutrido das calorias mínimas necessárias à sua energia vital.
Falou de prosperidade econômica, incluindo o sudeste Asiático, sem mencionar a tão sonhada distribuição da riqueza, deixar o bolo crescer para depois dividi-lo foi a retórica do período militar, hoje o povo quer e precisa assistir ao crescimento econômico acompanhado do crescimento humano e social, o torna essa retórica de crescimento uma discussão superficial e camufla quem de fato ganha quando a economia cresce sem pavimentação humanista.
Serra reconheceu que sua fala voltada para macroeconomia estava desfocada para o governo paulista, mas precisava ler o discurso que escreveu para posse de presidente, pressentindo talvez que nunca terá a oportunidade de fazê-lo. E na "pasmaceira" de um discurso populista chafurdou sua própria retórica, na hostilidade das críticas como investidas aos frutos que não soube semear, mas que o país foi capaz de colher, consolidando sua soberania. Esta feita de um operário que incomodou o " poliglota socialista"e hoje engoli o médico político diante dos holofortes em sua posse para governar o estado de São Paulo, maior centro econômico do Brasil, desnuda com clareza meridiana a metástase, que por quatro anos se multiplicou, causada por uma lesão na vaidade de um homem que não aprende com perdas e tampouco se humaniza nas vitórias. E mesmo insistindo na frase "eu aprendi", Serra deu mostras de sua rancorosidade, ou seja, não superou a derrota para Lula.
"Mas, é ano novo!!! E agora José? A população do Estado de São Paulo continua a espera do governador. Afinal, na cerimônia de posse quem se apresentou foi o obcecado candidato à presidência que, no lugar do discurso de posse de governador eleito, trouxe um discurso para ser lido no palácio do planalto. Até quando nosso governador estará com os pés no Palácio dos Bandeirantes e a cabeça em Brasília? Se o PSDB não tirar o Governador Serra do palanque para que comece a governar a sociedade o fará!"
Segunda-feira, Janeiro 08, 2007
Sexta-feira, Janeiro 05, 2007
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